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Bolsonaro recepcionado com protestos em cidade italiana

A passagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela região de seus antepassados foi marcada por protestos, confrontos de militantes de esquerda com a polícia e a concessão da cidadania honorária de Anguillara Veneta, cidade no Norte da Itália onde nasceu o seu bisavô.  A comitiva do presidente desembarcou na região do Vêneto acompanhada por […]

Por O Diário
01/11/2021 16h03, Atualizado há 688 meses

A passagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela região de seus antepassados foi marcada por protestos, confrontos de militantes de esquerda com a polícia e a concessão da cidadania honorária de Anguillara Veneta, cidade no Norte da Itália onde nasceu o seu bisavô. 

A comitiva do presidente desembarcou na região do Vêneto acompanhada por forte esquema de segurança. Manifestações ocorreram em Pádua, onde houve choque com a polícia, e também em Anguillara – mas pacífico. Os presentes, em sua maioria, eram italianos.  O presidente está na Itália, onde participou no fim de semana da cúpula do G-20, que terminou no domingo.

Como aconteceu em Roma, muitos apoiadores de Bolsonaro também o acompanharam no Norte, propiciando momentos de interação entre o presidente e seus seguidores. Neste caso, eram quase todos brasileiros radicados na Itália.  

Eles se aglomeraram na porta da Arca del Santo, em Anguillara, uma vila de mais de 300 anos onde Bolsonaro recebeu a cidadania honorária e depois almoçou na companhia da prefeita Alessandra Buoso — quem propôs a homenagem e cujo governo municipal é formado por dois partidos da ultradireita—, alguns parentes distantes e políticos locais. 

Buoso, de máscara, recebeu o presidente, que não a usava – mas a sua tradutora sim. A recomendação na Itália, seguida por todas as autoridades do governo italiano em aparições públicas, é usar máscaras em ambientes fechados. 

Na sexta, ativistas já haviam jogado esterco e feito pichações na sede da prefeitura em protesto contra a concessão do título.

O jornal Corriere della Sera observou que os apoiadores do presidente estavam amontoados e sem máscara, e que logo após entrar na vila, Bolsonaro saiu à porta para um “banho de povo”, “colocando em dificuldade a sua escolta e as forças policiais” presentes.  

Os Bolzonaro da região foram convidados para almoçar com o parente distante, que tornou-se conhecido entre eles a partir de 2018, com a eleição presidencial. Alguns compareceram, mas muitos evitaram o encontro. 

Franco Bolzonaro, um aposentado que vive em Rovigo, a 15 km de Anguillara, tinha confirmado a presença no almoço, mas cancelou de última hora. 

— Eu e uma prima deveríamos ir. Mas hoje eu não estava bem, acordei indisposto. E também estava chovendo… Então não fomos — disse. 

Na cidade de quatro mil habitantes, nasceu o bisavô de Bolsonaro, Vittorio Bolzonaro, que emigrou para o Brasil com os pais, em 1888, quando tinha 10 anos. 

Em Pádua, cidade a 35 km de Anquillara, manifestantes que foram às ruas contra a presença de Bolsonaro entraram em choque com a polícia ao tentarem iniciar uma marcha pela cidade. A manifestação não tinha permissão para isso. 

O confronto foi exibido ao vivo pela RaiNews24, o canal de notícias da TV pública italiana, e também repercutiu em sites e jornais do país. Ninguém ficou ferido, mas uma manifestante foi detida.
Organizado por sindicatos e grupos de esquerda, o ato contra o presidente brasileiro teve faixas como “Bolsonaro, vergonha do Vêneto”, homenagens a Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada em 2018, e aos mortos da Covid-19 no Brasil.  

Após o confronto com a polícia, a manifestação se dispersou – contribuiu também a forte chuva que cai nesta segunda-feira em Pádua. 
— Demos um pequeno sinal para a nossa cidade que pessoas como Bolsonaro não são bem-vindas aqui. Nossos avôs foram perseguidos por motivos raciais, lutaram contra o fascismo, é inadmissível uma figura como ele ser recebida aqui — afirmou Luca Dall’Agnol, do sindicato ADL Cobas e um dos organizadores da manifestação. 

Um ramo da família Dall’Agnol também emigrou para o Brasil — o procurador Deltan Dallagnol é um desses descendentes. 

—Infelizmente um familiar distante teve um papel de peso nisso tudo que está acontecendo no Brasil— afirmou Luca Dall’agnol, que diz seguir as notícias brasileiras.

Bolsonaro deve passar a noite na cidade. Havia em sua agenda a previsão de uma visita privada — ele não encontrará nenhuma autoridade — à basílica de Santo Antônio de Pádua. Apoiadores brasileiros o aguardam na porta da igreja. 

Nesta terça-feira (2), último dia de sua viagem oficial à Itália, Bolsonaro vai homenagear os militares brasileiros mortos no país durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). O presidente está na Itália, onde participou no fim de semana da cúpula do G-20, que terminou no domingo.
 Visita

 O presidente Jair Bolsonaro viajou para cidade italiana Anguillara Veneta, no norte do país, na manhã desta segunda-feira (1º), para receber título de cidadão honorário concedido pela prefeitura. Mas foi recebido por manifestantes com gritos e faixas de “Fora Bolsonaro”.

O presidente está na Itália, onde participou no fim de semana da cúpula do G-20, que terminou no domingo. Ele tem agenda no país até terça-feira.

Na sexta, ativistas já haviam jogado esterco e feito pichações na sede da prefeitura em protesto contra a concessão do título.

Quase 200 pessoas se reuniram nesta segunda-feira na pequena cidade de Anguillara Veneta para protestar contra a concessão do título. 

Sob uma chuva persistente e em meio à neblina, representantes de vários partidos de esquerda, assim como do sindicato CGIL e da associação antifascista ANPI, protestaram com bandeiras e cartazes contra a honraria ao presidente brasileiro.

— Que visite a cidade de onde vem sua família é justo, mas não que o apresentem como um modelo a seguir com a concessão do título de cidadão honorário — criticou Antonio Spada, vereador da oposição, em declarações à AFP.

Bolsonaro deve receber a cidadania ainda nesta segunda-feira, em uma cerimônia especial na sede da prefeitura de Anguillara Veneta, a pequena localidade de 4.000 habitantes da região de Vêneto, reduto do partido de extrema direita Liga.

Depois do evento, ele deve almoçar com vários membros da família Bolsonaro, alguns parentes próximos, em uma elegante residência do século XVII da região.

“Fora Bolsonaro”, afirmava um cartaz, enquanto outro, escrito a mão, declarava “Anguillara ama o Brasil, mas não Bolsonaro”.

Entre os manifestantes mais indignados estava o missionário italiano Massimo Ramundo, que viveu por 20 anos no Brasil, 12 deles no Maranhão, estado que tem 34% do território ocupado pela floresta amazônica.
— É uma vergonha. Estou furioso com a prefeita desta cidade. Ela não sabe o que Bolsonaro fez e disse, não escutou suas declarações de teor racista, contra os indígenas, os vacinados, as mulheres. Além disso, ele quer que a Amazônia seja um negócio. Não respeita os valores do papa Francisco — afirmou o religioso.
Pequenos grupos de simpatizantes do presidente também compareceram à manifestação, organizada na cidade de onde sua família emigrou há mais de um século.

— Estou aqui para dizer que não está sozinho — declarou Silvana Kowalsky, 50 anos, que viajou de Vicenza, a 85 quilômetros de distância, para expressar seu apoio.

No G-20:  Bolsonaro diz a Erdogan que tem ‘apoio popular muito grande’ e que a Petrobras ‘é problema’
Com chapéus e bandeiras do Brasil, os simpatizantes do presidente, em menor número, preparam-se para defender a homenagem.

— É um grande presidente e tem o direito, porque é descendente de italianos. Tudo o que a CPI (do Senado) fala dele é mentira — afirmou o brasileiro Cláudio Resende, de 65 anos, que mora na Itália há 17 anos.

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