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‘Ficou difícil pra mim. O que eu faço agora, coordenadora?’ Veja os relatos de um aluno autista após mudanças no ensino

Despedida entre uma professora de Educação Especial e seu aluno aconteceu nesta volta às aulas, após a manutenção do decreto da Seduc-SP

Por Fabricio Mello
10/02/2025 17h38, Atualizado há 14 meses

Estado fez mudanças no ensino especial | Foto: Pixabay

“Obrigado por esses dois anos, tá bom? Você ajudou muito eu, tá? Você foi como uma irmã para mim”. Essa foi uma das mensagens encaminhadas por um aluno de Mogi das Cruzes, diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), para a sua professora – que preferiu não ser identificada nesta reportagem. Ela era uma das profissionais que realizava o acompanhamento dele em sala de aula, mas depois da mudança nas regras de atuação dos Profissionais de Apoio Escolar para Atividades Escolares (PAE-AE), os dois não estarão juntos neste ano.

O acompanhamento era feito desde 2023. Além da professora que conversou com O Diário, o menino contava com o suporte de uma outra profissional. Por ser aluno de uma escola de período integral (PEI), era necessário que as duas atuassem juntas para que nenhuma carga horária fosse ultrapassada. 

Nas mensagens, compartilhadas com O Diário pela professora e pela responsável do aluno, é possível ver que a notícia pegou ambos os lados de surpresa. Nos áudios, o aluno se despede de sua professora – que não conseguiu ser reconduzida à função durante a atribuição de aula.

“Eu também amo você, professora, do meu fundo do meu coração, eu amo você. Eu não conhecia você ‘da primeira vez’, mas agora eu conheço. Você foi uma irmã para mim, tá? Eu vou sentir tanta falta de você, até as meninas da minha sala vão sentir falta de você, todo mundo vai sentir falta”, lamenta o estudante.

Segundo as novas regras estipuladas pelo decreto da Secretaria Estadual de Educação (Seduc-SP), apenas os alunos com nível de suporte 3 ou com o acompanhamento determinado por liminar judicial manterão o atendimento individual em sala de aula. No caso de jovens como este da reportagem, os professores e PAE-AEs serão redistribuídos e passarão a atender de três a cinco alunos, a depender do nível de suporte de cada um.

Ao tomar ciência da nova realidade, o aluno chegou, inclusive, a procurar a coordenadora responsável pela sua escola. Em uma outra mensagem, encaminhada à gestão escolar, o aluno questiona a mudança e pede por orientação.

“Ela [a professora] falou ‘o que aconteceu tudo’, tá bom? Que ela não vai vir nesse ano, tá bom? Nem a outra*. Eu fiquei, vou ser sincero, chocado e triste. [Inaudível], eu estava magoado. Agora eu não tenho mais professora, só tenho uma professora que vai ficar comigo de tarde! Aí ficou difícil pra mim. Eu queria as duas, ‘mas não uma’. O que que eu faço, coordenadora?”

*Nome ocultado para preservar a identidade da fonte.

Em conversa com O Diário, a professora contou sobre o recebimento da notícia. Segunda ela, o processo foi um “desespero”.

“Depois que eu não consegui atribuir essas aulas, foi que me despedi dele. Eu iniciei a conversa, tentei explicar tudo para ele e me despedir. Na cabeça dele, todas as coisas podem ser resolvidas pela avó, porém não aconteceu. A frustração dele foi muito grande. Nem eu esperava essa reação – o sofrimento e a tristeza. Foi o desespero”, conta a professora.

Entenda o caso

O decreto em questão foi anunciado pela Seduc-SP em 17 de janeiro. O principal objetivo do decreto era atualizar o regramento sobre a atuação dos professores e profissionais que prestam apoio para alunos com TEA e outras deficiências. Entretanto, a medida teve uma recepção extremamente negativa entre os membros da comunidade escolar.

A principal acusação dos pais, responsáveis e profissionais afetados pela medida é de que a Seduc-SP estaria tentando cortar gastos com a Educação Especial – uma vez que vários alunos seriam atendidos pelo mesmo profissional. Além disso, a Seduc-SP também é acusada de promover a demissão em massa dos PAE-AEs e professores.

Por isso, no dia 22, a comunidade escolar foi às ruas em todo o estado – inclusive em Suzano e Mogi das Cruzes – para protestar contra a mudança. Os atos foram marcados por críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder.

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Ainda em resposta ao decreto, a subsede de Mogi das Cruzes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) realizou um novo, no dia 3 deste mês, protesto em frente à Diretoria de Ensino. A entidade insistiu que o atendimento individualizado seja mantido e apresentou um pacote de reivindicações.

Seduc nega acusações e pede paciência

Em resposta aos questionamentos do O Diário, a Seduc-SP negou as acusações sobre um possível corte de gastos na Educação Especial e de que tenha desligado qualquer profissional da rede de ensino.

“Não procede a informação que profissionais de apoio serão desligados de escolas da rede estadual de São Paulo.  Os professores auxiliares não reconduzidos para a função de profissional de apoio poderão atribuir aulas, conforme cronograma e critérios estabelecidos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) para todo o corpo docente, na Diretoria de Ensino ou mesmo para atuarem como eventuais na rede.”

Além disso, a Seduc-SP explicou que o objetivo da medida é ampliar o acesso dos alunos aos profissionais de apoio. A meta, segundo a pasta, é chegar a 20 mil alunos atendidos com um investimento de R$ 135 milhões.

Em relação aos protestos, feitos pela comunidade escolar e pelo sindicato, a Seduc-SP respondeu que a mudança é recente e pediu que os responsáveis e profissionais deem tempo de adaptação à medida, permitindo que os impactos – positivos ou negativos – sejam devidamente avaliados.

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