Prefeito viajava, mas deixava cheques longe dos vices
A viagem do prefeito Caio Cunha à Espanha, que deixou em seu lugar a vice, Priscila Yamagami, faz lembrar histórias do ex-prefeito Waldemar Costa Filho, sempre que se afastava do cargo por um tempo que exigisse a presença de seu vice no comando da Prefeitura. Na cerimônia de transmissão do cargo, Waldemar cumpria à risca […]
12/11/2021 15h53, Atualizado há 689 meses
A viagem do prefeito Caio Cunha à Espanha, que deixou em seu lugar a vice, Priscila Yamagami, faz lembrar histórias do ex-prefeito Waldemar Costa Filho, sempre que se afastava do cargo por um tempo que exigisse a presença de seu vice no comando da Prefeitura.
Na cerimônia de transmissão do cargo, Waldemar cumpria à risca a liturgia que lhe era imposta pelo seu mais antigo assessor, o advogado Argêu Batalha e, logo depois de passar o comando da Prefeitura ao vice – nos quatro mandatos do prefeito, todos primavam pela seriedade e dignidade -, fazia questão de, diante dos jornalistas, pegar todos os talões de cheques do gabinete, trancafiá-los em uma gaveta, cuja chave ele cuidava de colocar num dos bolsos de seu paletó. Era uma brincadeira.
Mas, por via das dúvidas, ninguém preenchia cheques até o retorno do titular.
Não se tem notícia de algo semelhante em relação a Caio Cunha, que deixou todos os cheques em poder da vice Priscila. A propósito, a Prefeitura de Mogi ainda usa cheques???
Ladrão de prefeito
A história tem várias versões, mas esta teria se passado na Câmara de Salesópolis, há muito tempo, quando o líder da oposição discutia com o líder do prefeito.
O opositor atacava:
“V.Excia. é um teleguiado, sem personalidade. Só sabe cumprir ordens.
E o outro rebatia:
“Sou líder . E o líder tem que dizer e defender o que o Executivo pensa”.
O tempo foi esquentando cada vez mais, até que o oposicionista voltou a carga, batendo mais pesado ainda:
“Critico o comportamento de V. Excia. por ser um homem de recados, robô do prefeito”.
E foi então que o líder explodiu, de uma vez por todas.
E, aos berros, foi para cima:
“Senhor vereador, até agora discutia com V. Excia. porque não me sentia agredido. Agora, no entanto, V. Excia. vai ter de provar a esta Casa e a toda Salesópolis, quando é que eu roubei o prefeito”.
A sessão acabou em seguida.
Chuva cancelada
Esta é contada pelo consultor Gaudêncio Torquato, em suas “Porandubas Políticas”:
A seca era medonha.
A Paraíba em desespero, o governador aflito.
Um dia, caiu uma chuva fininha no município de Monteiro.
Inácio Feitosa, o prefeito, correu ao telégrafo:
“Governador José Américo: chuvas torrenciais cobriram todo município de Monteiro. População exultante: Saudações, Feitosa”.
Os comerciantes da cidade, quando souberam do telegrama, ficaram desesperados.
O município não ia mais receber ajuda.
Ainda mais porque a mensagem era falsa e apressada.
Feitosa correu de novo ao telégrafo:
“Governador José Américo: cancelo chuvas. População continua aflita. Feitosa, prefeito”.