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Prefeita Priscila fala de transparência, educação e admite candidatura a deputada

Até domingo que vem, 21, a professora Priscila Yamagami (Podemos) é a prefeita de Mogi das Cruzes. Ela substitui Caio Cunha, que participa de um encontro de gestores municipais na Espanha. Em 461 anos, o poder público mogiano foi tocado apenas por homens. Priscila também é a primeira vice-prefeita eleita da cidade identificada antes da […]

Por O Diário
13/11/2021 11h44, Atualizado há 58 meses

Até domingo que vem, 21, a professora Priscila Yamagami (Podemos) é a prefeita de Mogi das Cruzes. Ela substitui Caio Cunha, que participa de um encontro de gestores municipais na Espanha. Em 461 anos, o poder público mogiano foi tocado apenas por homens. Priscila também é a primeira vice-prefeita eleita da cidade identificada antes da eleição de 2020 com o selo de conservadora.

Em entrevista a O Diário, ela pondera que esse marco na história política e administrativa é motivo de “orgulho e responsabilidade”. 

No balanço dos 11 meses de gestão, a professora destaca a valorização do servidor público, resultados do enfrentamento da pandemia no controle do pico de internações, quando UTIs superaram 100% de ocupação, e desafios futuros como o combate à evasão de alunos na educação e da pobreza e miséria.

Priscila está pronta para atender ao convite do partido para se candidatar a deputada pelo partido, no ano que vem. Leia a entrevista:  

Qual é o sentimento de romper duas grandes barreiras: no Brasil de 5,6 mil municípios, 12%, ou 658 cidades elegeram mulheres para o poder Executivo; em Mogi das Cruzes, com 461 anos, você é a primeira vice-prefeita, e, até o dia 21, prefeita?

Esse é um cenário particularmente de orgulho e de responsabilidade com a cidade. Tenho com o Caio uma grande parceria. Quando ele traz esse “co-prefeita” é motivo de uma gratidão imensa dividir a gestão de uma cidade desse porte e que amo imensamente. Nós temos uma parceria e um propósito comum, mas perfis diferentes, uma jornada diferente. Ser vice é uma grande experiência e uma experiência que eu queria ter com o prefeito Caio porque temos os mesmos sonhos.

Onde o morador mogiano encontra as mãos, a experiência e o entendimento da vice-prefeita na gestão? 
Desde 2014, nós trilhamos uma parceria e desde o começo, nós temos um combinado: eu sempre dizia a ele que não seria uma vice distante, eu sou uma pessoa ativa, gosto de colocar as mãos na massa, então esse cargo de vice, eu não viveria de expectativa, eu disse, a cidade terá dois prefeitos. Claro que respeito essa hierarquia, mas onde eu tiver habilidade ou experiência, eu atuo. Estou muito focada nos servidores públicos, era um propósito do governo o de valorizar o servidor público, por meio da gestão de pessoas,  trago forte a valorização da pessoa e da causa do serviço público oferecido. Transito muito na educação, que tem 3 mil servidores, na Assistência Social, no Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Meio Ambiente, na Saúde,  no Centro de Bem-Estar Animal, onde precisa, atuo.
 
Qual foi o momento mais difícil à frente do Comitê Municipal de Enfrentamento da pandemia, e o que está sendo planejado para o futuro próximo?
O ápice da dificuldade foi quando tivemos o número de UTI com a ocupação máxima, de 100%, 120%. Esse foi o pior momento, quando a gente não dormia, porque a nossa preocupação era conter a contaminação, o contágio, e ao mesmo tempo dar suporte a pessoas de outras cidades da região. Isso nos deixou desesperados com a falta de UTI e tínhamos muito medo que as pessoas morressem sem atendimento,  na porta dos hospitais. A Secretaria de Saúde foi o nosso foco total. Ali, a gente precisava sobreviver. Depois tivemos outro momento de empenho, na vacinação na organização da campanha, na busca e o uso da tecnologia para manter o agendamento, que foi uma vitória muito linda. Desta nova fase da pandemia, eu acredito muito é na consciência das pessoas. Além dos protocolos, e outra atuação foi fazer uma comunicação incessante sobre os cuidados de um com os outros. Vejo como prioridade o seguinte, o decreto liberou, mas, e aí, você se sente segura para ir a um comércio? 

A Prefeitura firmou acordo com o Ministério Público para acabar com a fila de espera por creche. Quando a cidade acaba com essa espera e, hoje, são 2,8 mil crianças nesta fila?
Na verdade, esse número deve ser muito maior. Nós tivemos e ainda temos muitas crianças fora da escola. E nós estamos em um processo de busca ativa dessas crianças, inclusive com ajuda de entidades internacionais. Ainda neste ano, devemos baixar esse número de mil ciranças, e no ano que vem, a nossa pretensão, até o meio do ano, é zerar essa espera.

A cidade não é só o ensino municipal. A evasão existe no ensino estadual e esses estudantes são de Mogi. Quanto tempo a educação se recupera?
Nós criamos o Gaeb, um gabinete composto por todos os atores que têm alguma ligação com a educação, sindicato, Tribunal de Contas, outros municípios, porque entendemos que essa retomada é uma responsabilidade de todos. Esse grupo está trazendo os números, que variaram muito no decorrer dos 20 meses, os números mudaram, e a situação foi se agravando. Muitas famílias ainda hoje não se sentem seguras. Temos uma evasão temporária e definitiva. Tudo é muito difícil porque a gente trabalha de uma forma massificada, há uma situação por escola, por família e aluno. Tivemos alunos que perderam os pais e ficaram órfãos, e temos os alunos que ficaram no online, estamos falando de um universo de 50 mil famílias (rede municipal). Enfrentamos nesse ano outra dificuldade, a falta de dados e evidências, porque tivemos momentos com picos muito maiores, com uma retomada muito maior. Outro desafio é a falta de dados, pegamos uma gestão muito carente de dados, das evidências, não tem como tomar decisões sem dados, os nossos sistemas, são da década de 1970. A gestão de pessoas que não existe, a primeira pesquisa organizacional, com seis mil servidores, fizemos agora. 

Quanto Mogi ficou mais pobre na pandemia? 
No início, falamos de 144 mil famílias em uma linha de pobreza importante, e nós fizemos um plano de cooperação econômica, para assistir as famílias de baixa renda, os empresários. A cidade pagou, pela primeira vez, um auxilio emergencial municipal, e também distribuímos cestas básicas, tudo para para evitar que esse impacto fosse ainda maior.
 
Quanto tempo mais essas pessoas serão  atendidas?
Na educação, por exemplo, a gente vai sentir esse impacto, eu tenho ouvido, em torno de 5 anos de problemas, e, aqui, precisamos contar também com os governos para atender os mais abalados com a pandemia.

Como a Prefeitura caminha para solucionar o conflito com a Santa Casa, que ameaça suspender o atendimento do PS?
Não falaria em conflito, mas tem outra palavra melhor, que é transparência. Nós temos trabalhado, desde o início do governo, pela transparência na análise de contratos. Nós economizamos R$ 30 milhões em contratos (revisados), a gente vai trabalhar sempre  querendo o melhor para a cidade e que os nossos parceiros, conveniados e fornecedores prestem contas de forma muito clara, porque nós estamos lidando com verba pública. 

Já foi vítima de violência moral ou física? E o que diz sobre a violência contra a mulher até mesmo na Assembleia Legislativa de São Paulo?
Graças a Deus nunca sofri nenhum tipo de violência nem física, moral e psicológica, mas eu conheço muitas mulheres que sofreram esse tipo de violência. Sou professora e o professor é o único canal de escuta sobre a violência contra essa mulher, essa menina. Nós criamos uma frente de Empreendedorismo Feminino, que não busca apenas criar um negócio, o empreender para se libertar financeiramente, mas também busca atender a mulher em várias questões, muitas vezes, a mulher está nessa situação porque o filho está em perigo. E isso criou uma rede  incrível, com lideranças e entidades como o Sebrae, e queremos estender essa rede para as cidades da região, por meio do Condemat. Temos muitas mulheres nessa rede voluntária. Sobre o que aconteceu na Assembleia Legislativa, é inadmissível, eu não tenho nem palavras para descrever aquela situação asquerosa, num século como o que vivemos, de transformação. Queremos que nossas filhas e netas tenham no cardápio também uma política viável e possível. Isso nem está no cardápio. 

É candidata a deputada?
Para mim foi uma honra receber um convite de um partido que eu respeito tanto, o Podemos, a Renata Abreu, o prefeito Caio. De verdade, estou pelo projeto, pela cidade. A gente não sentou para fazer um projeto, recebi o convite e me coloquei a serviço de uma cidade, do país, de uma nação,  eu estou a serviço de um projeto que faça o melhor para a cidade, para o país.

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