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Acidente com pombo na rede elétrica deixou parte do Mogilar sem luz

Um acidente com um pombo na rede elétrica deixou sem energia casas e estabelecimentos comerciais de trechos de vias próximas à rua Monsenhor de Nuno Paiva, no bairro do Mogilar, entre as 7 e 10 horas de domingo (21). Um choque elétrico, mais comum em aves maiores e animais como gambás, ouriços e saguis, foi […]

Por O Diário
22/11/2021 14h37, Atualizado há 57 meses

Um acidente com um pombo na rede elétrica deixou sem energia casas e estabelecimentos comerciais de trechos de vias próximas à rua Monsenhor de Nuno Paiva, no bairro do Mogilar, entre as 7 e 10 horas de domingo (21). Um choque elétrico, mais comum em aves maiores e animais como gambás, ouriços e saguis, foi responsável pela suspensão do fornecimento de energia, até a regularização do sistema.

Pássaros e outros animais de pequeno porte, em geral, não são vítimas de choques nestes espaços,  apesar de considerarem a rede de fios e o alto de postes como poleiros estratégicos no descanso e incursões em busca de comida, água, acasalamento e até abrigo para ninhos.

Pousar apenas em um mesmo fio não provoca um choque elétrico. Isso ocorre quando a corrente elétrica entra por uma parte do corpo do bicho (e do homem, claro) e sai por outra. Quando o animal  encosta as patas ou enrosca as asas e cauda em um outro fio, fecha-se um ciclo de eletricidade. É a mecânica da condução da energia, que também se explica pela diferença de potência (d.d.p.) ou tensão, que acontece quando uma carga se desloca de um ponto A para um ponto B, imersa em um campo elétrico.

Com nornalmente a passarinha pousa apenas em um fio, onde há apenas uma fase de tensão, nada acontece.

É por isso que pombos e pássaros, sobretudo os de menor porte, convivem bem com os milhares de cordões que conduzem a eletricidade estendidos em seus caminhos entre o campo e as regiões habitadas. Para eles, eles são poleiros.

Ocorre, no entanto, que ao encostar entre dois fios ou ponto energizado, eles estão sujeitos ao choque que está entre uma das causas de mortalidade desses “habitantes” cada vez mais comuns e em maior número nas cidades.

Estão mais expostos a esses revezes as aves de maior porte e mamíferos. Porém, o que aconteceu no Mogilar, revela que outros indivíduos, como pombos, estão na mira dessa situação.

O total de acidentes registrado pela EDP, empresa de energia que atua em 28 cidades, sendo 8 no Alto Tietê, mostra o impacto desse tipo de acidente no fornecimento de energia.

Em toda a área de atuação da EDP (nas 28 cidades) foram 2.257 acidentes deste tipo em 2020, com 316.376 clientes afetados com a queda de energia e o tempo de espera para o reparo.

Esse ano, o balanço pode ser ainda maior em 2021: de janeiro até 21 de novembro, foram 2.183 acidentes, que interferiram no serviço levado a 317.934 consumidores.

No domingo (21) trechos das ruas Rua Monsenhor Nuno de Faria Paiva – onde ave se enroscou e morreu – e Takashi Watanabe; Joaquina Maria de Jesus; Dr. Renato Granadeiro Guimarães; Dr. Correa Neto; e Delphino Alves Gregorio, ficaram cerca de duas horas sem luz, como se diz.

Como há o seccionamento da rede, não foi afetada toda a extensão de ligações dessas ruas, segundo a EDP.

O veterinário Jeferson Leite, que se especializou no decorrer da carreira no atendimento aos animais silvestres, afirma que aves maiores e principalmente gambás e ouriços, mas também o moroso bicho-preguiça, estão vulneráveis a pisarem em dois fios e sofrerem uma descarga elétrica.

No caso de algumas aves, que têm visão lateral para identificar os predadores, os fios não são considerados uma barreira. Já os bichos de maior porte, que se atrapalham com as asas e os pata, são presas fáceis.

No caso de gambás, os rabos podem ser o causador dos enroscos e de choques, muitas vezes fatais.

No final do ano, quando as aves circulam mais em busca de acasalmento e alimento, essas situações são mais frequentes, na avaliação do veterinário.

O aumento dos bichos vivendo na cidade tem origem conhecida. Deve-se à pressão imobiliária e extensão da área de moradias que reduzem as matas e as fontes de alimento. No de Mogi das Cruzes, que tem área remanescente da floresta da Mata Atlântica (Serra do Itapeti), há corredores fragmentos de árvores, e de frutos, e esses animais estão trocando o mato pelo núcleo urbano – inclusive, muitos estão em processo de mudança de hábitos para se adaptar ao periodo de menor movimentação de pessoas e carros.

Em meio a isso tudo, lembra a Jeferson, é importante manter a poda frequente de árvores – para que elas não encostem nos fios, e forneçam mais armadilhas para pombos, pássaros e outros bichos que se apropriam da vida na cidade.

Os acidentes com animais silvestres segue em alta: neste ano, 370 resgates já foram feitos. No ano passado, foram 598 espécies atendidas. “Podemos chegar próximos desse número porque nas próximas semanas, há uma grande circulação de animais que estão em período de reprodução, e percorrem mais áreas em busca do acasalamento, e podem ser vítimas de acidentes”, avalia ele.

 

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