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Está difícil, mas Bolsonaro deve mesmo se filiar ao PL

Durou bem menos do que se previa o período de calmaria nas negociações entre Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto para a filiação do presidente da República ao PL.  Quando se esperava que os desentendimentos pudessem começar somente após o ingresso no partido do imprevisível Bolsonaro, eis que o tempo esquentou para valer, via mensagens […]

Por O Diário
17/11/2021 16h20, Atualizado há 689 meses

Durou bem menos do que se previa o período de calmaria nas negociações entre Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto para a filiação do presidente da República ao PL. 
Quando se esperava que os desentendimentos pudessem começar somente após o ingresso no partido do imprevisível Bolsonaro, eis que o tempo esquentou para valer, via mensagens de celular, na madrugada do último domingo.
De Dubai, onde se encontrava, Bolsonaro promoveu um bate-boca virtual com Costa Neto que, segundo alguns órgãos de imprensa  não terminou da maneira, digamos, mais republicana. Pelo contrário, a temperatura subiu muitos graus acima do normal, com Bolsonaro  – influenciado pelo filho Carlos, que coletava e lhe enviava repercussões negativas do futuro acordo, nos órgãos de imprensa – passou a apresentar empecilhos para a concretização do projeto político. 
Disse que o PL precisava se alinhar ideologicamente ao seu pensamento, às relações externas do País, entre outros assuntos de governo – e não de partido -, que serviram para maquiar o principal motivo da “recaída” bolsonarista: o alinhamento de Costa Neto e seu partido com o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), uma espécie de afilhado político de João Doria, que se encarregou de transformá-lo em candidato a governador do Estado.
Como o partido do presidente poderia apoiar um aliado direto de Doria e não lançar candidato a governador em São Paulo, estado que deu apoio decisivo na eleição do presidente, mas que hoje está cada vez mais distante de Bolsonaro, como mostram os índices de rejeição a ele nas pesquisas eleitorais recentemente realizadas?
Esse era, na verdade, o calcanhar de Aquiles da  história que serviu para expor outras dissidências do PL em relação ao presidente. Na edição desta quarta-feira (17), o jornal O Globo mostrou, num levantamento, que o PL integra a base de 15 governadores, dos quais, metade dever reforçar o palanque de adversários de Bolsonaro em 2022.
E não foi à-toa que Costa Neto programou para a tarde desta quarta (17) uma reunião com dirigentes estaduais do PL, em Brasília, para mapear onde estão os principais entraves ao ingresso de Bolsonaro no partido. A legenda está completamente dividida, já que vinha fazendo acordos isolados, antes de Bolsonaro se dispor a ingressar no partido. 
Costa Neto sabe exatamente onde o calo aperta  mas deve usar o jogo de cintura que não lhe falta nessas horas para preparar o caminho para receber Bolsonaro, que não tem opções melhores (se as tivesse, já teria chutado o pau da barraca, como é de seu estilo). 
Bolsonaro é hoje um refém do Centrão, fiador da estabilidade política de seu governo e garantia de sua manutenção no cargo. 
Depois de tudo que houve durante a pandemia, os riscos para Bolsonaro se tornaram grandes demais.
Por isso mesmo, a solução  será encontrar uma saída honrosa para que o presidente possa confirmar  sua ida para o PL, partido pelo qual disputará as próximas eleições. 
Se Bolsonaro tentou tensionar a corda para testar seu futuro aliado, parece não ter se dado muito bem, encontrando um jogador que assimila golpes e sabe reagir duro. 
As cenas dos próximos capítulos agora são diárias.Vale esperar por elas.

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