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Veja como foi a conquista do bronze de Maciel Santos em Tóquio

Não há dúvidas: Maciel Santos, que mora e treina em Mogi das Cruzes, é um vencedor. Aos 35 anos já foi 15 vezes Campeão Brasileiro na bocha, ganhou também o ouro nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, e a prata nos pares, no Rio 2016. No último dia 31, sua vitória mais recente aconteceu […]

Por O Diário
05/09/2021 17h39, Atualizado há 688 meses

Não há dúvidas: Maciel Santos, que mora e treina em Mogi das Cruzes, é um vencedor. Aos 35 anos já foi 15 vezes Campeão Brasileiro na bocha, ganhou também o ouro nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, e a prata nos pares, no Rio 2016. No último dia 31, sua vitória mais recente aconteceu em Tóquio, no Japão, onde ele conquistou a medalha de bronze nas Paralimpíadas.

Maciel nasceu com paralisia cerebral e por isso compete na categoria BC2, na qual nenhum auxiliar é permitido e um suporte ou cesto para bola pode ser adaptado. Ele pratica o esporte desde os 10 anos de idade e foi com apenas 15 anos que passou a representar o Brasil em disputas internacionais.

Natural de Crateus, no Ceará, o atleta foi apresentado à bocha por um amigo que fazia fisioterapia com ele. Naquela época, cerca de 25 anos atrás, o esporte ainda era pouco conhecido no Brasil e tinha chegada por aqui há cerca de dois anos. Por isso, quase não se encontravam os materiais necessários para a prática e o grupo improvisava, com a bola de fisioterapia, no Clube dos Paradesportos de São Paulo, na capital.

“Eu percebi que era aquilo mesmo que eu queria. Foi amor à primeira vista. A minha família toda se empenhou para me dar força, para me ajudar. Eles viram o esporte como uma forma de desenvolvimento e para me dar autonomia. A gente viaja bastante, e então era uma forma de inclusão social”, contou Maciel em entrevista à O Diário, antes de ir para as Paralimpíadas. 

O atleta sempre se dedicou muito aos treinos e foi por conta disso que surgiu a necessidade de mudar de cidade. Ele morava em Embu das Artes, quando a Seleção Brasileira pediu para que ele se mudasse para Mogi, onde morava e treinava Dirceu Pinto, dono de cinco medalhas paralímpicas de bocha e um dos maiores nomes do paradesporto mundial. 

Em 2013, o atual medalhista de bronze se mudou para a cidade e os dois, além de companheiros de equipe, tornaram-se grandes amigos. Em abril de 2020, Maciel sofreu com a perda do parceiro, que morreu em virtude de problemas cardíacos. E em Tóquio precisou superar essa dor para levar a medalha.

Após a conquista deste ano, Maciel chegou a afirmar “Dirceu, esta medalha é para você também, meu velho, meu irmão. Onde você estiver. Ela é sua”. Em um vídeo divulgado pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE), o atleta aparece reunido coma Seleção Brasileira de Bocha, após ganhar a medalha, e usa uma camiseta com a foto de Dirceu, que leva também a seguinte frase “Não se iluda. Seu resultado é do tamanho da sua preparação”.

Retrospecto em 2021

Nos Jogos Paralímpicos deste ano Maciel perdeu apenas uma partida. Até a semifinal, estava invicto na competição. Na fase de grupos ele ganhou do sul-coreano Yongjin Lee, do argentino Luis Cristaldo e do britânico Claire Taggart. Já nas quartas de final, venceu Hiu Lam Yeung, de Hong Kong. Na disputa seguinte, perdeu para o japonês Hidetaka Sugimura.
E o confronto pelo bronze foi emocionante. O que poderia parecer fácil – já que Maciel abriu uma vantagem de 3 a 0 – ficou tenso quando o adversário, o tailandês Worawut Saengampa, empatou e a partida ficou 3 a 3. Mas foi na última parcial que o morador de Mogi conquistou a medalha.

A região na bocha

Além de Maciel, o Alto Tietê contou com outra representante na disputa da bocha em Tóquio. Evelyn de Oliveira, que treina e mora em Suzano, compete na Classe BC3 e acabou perdendo nas quartas de finais. Ela encarou uma disputa contra o britânico Scott McCowan e foi derrotada por 9 a 1.

A atleta foi escolhida para ser uma das porta-bandeiras da delegação brasileira na cerimônia de abertura da competição, por já ter títulos importantes na modalidade. Ela foi ouro na disputa de pares nos jogos do Rio de Janeiro, em 2016, e também no Parapan-americano, em 2019.

Recorde de medalhas

Até o início da tarde desta sexta-feira (3), quando foi fechada esta edição do jornal, o Brasil já tinha batido o recorde de medalhas na história dos Jogos Paralímpicos. Comparando o quadro de medalhas de Londres, que aconteceu em 2012, os atletas brasileiros conseguiram até o momento o mesmo número de ouros, com 21, e o mesmo número de pratas, com 14. A grande diferença se deu nos bronzes, que foram 8 na última competição e já chegam a 26 na disputa atual.

Garantidos na final do futebol de 5, para cegos, os jogadores brasileiros ganharão, com certeza, mais uma medalha para o país. Resta descobrir se a de prata ou a de ouro. Debora Menezes, que é a atual campeã mundial de taekwondo, tem grandes chances de medalha e luta neste sábado (4). Outras modalidades, como parabadminton e a canoagem de velocidade ainda participam da competição, podendo aumentar o recorde brasileiro.

Durante este final de semana, outras vitórias podem ser registradas para o Brasil, no Japão. As competições de atletismo acontecem no sábado (4), no Estádio Nacional de Tóquio, e contam com a presença de brasileiros. No domingo (5), a disputa da maratona em cinco classes diferentes finaliza a competição paralímpica.

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