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Projeto social esportivo de Mogi vale ‘ouro’

Uma atividade ao final de semana com os amigos dos filhos foi o pontapé inicial para que o casal Milene e Sandro Sampaio percebessem que a carência por um projeto social de esporte em Mogi das Cruzes. Sete anos depois da proposta, que ali nascia como “Bom de Bola” – hoje Desportivo Mogiano, Grêmio Recreativo […]

Por O Diário
15/08/2021 08h40, Atualizado há 688 meses

Uma atividade ao final de semana com os amigos dos filhos foi o pontapé inicial para que o casal Milene e Sandro Sampaio percebessem que a carência por um projeto social de esporte em Mogi das Cruzes. Sete anos depois da proposta, que ali nascia como “Bom de Bola” – hoje Desportivo Mogiano, Grêmio Recreativo Educacional Esportivo e Cultural Alvinegro -, mais de mil pessoas foram atendidas. Atualmente são 250 crianças e adolescentes, dos quais 80 têm a família ajudada com doações, por meio do braço social do projeto.

Os jogos Olímpicos de Tóquio mostraram o quão importantes iniciativas como a do casal mogiano se desdobram para dar oportunidade de “ouro”, para quem muitas vezes vive em locais “negligenciados” pelo governo. 

No Brasil, onde que cada vez mais os recursos de incentivo ao esporte, à cultura e à educação são cortados, enquanto benefícios a políticos e fundos eleitorais aumentam, um pódio nas olimpíadas mostra a resistência de quem escolheu o esporte como caminho de vida. Nomes como o do lutador Popó e do jogador do vôlei Serginho já demonstravam isso no passado.

De projetos sociais como os que eles vieram, o Brasil teve nomes importantes nas Olimpíadas deste ano, como o do pugilista baiano Hebert Conceição, medalhista de ouro. Mogi tem o exemplo, com a também pugilista Graziele de Jesus, que não medalhou, mas não foi menos ao mostrar a perseverança de alcançar o alto rendimento e participar de uma competição tão grandiosa. 

Não era esse o objetivo principal do casal de Mogi: levar os atletas para Olimpíadas, mas uma “luzinha” acendeu em alguns nomes que hoje já jogam até fora do país. Para contar isso, voltamos à história da família de Milene e Sandro. A filha deles foi diagnosticada com hiperativismo. Por conta disso, ela precisava fazer diversas atividades. A família custeou algumas, mas o outro filho do casal também já fazia escolinha de futebol e orçamento começou a apertar. 

“Teve um final de semana que o meu marido pegou cinco amiguinhos dos meus filhos e levou ao campo do Paineira, no Parque Morumbi. No outro final de semana foram 12, depois 40. Em menos de três meses, tínhamos 70 crianças e não sabíamos o que fazer para atender a todo mundo”, relembra Milene. 

Entre as crianças, estava o filho de um dono de padaria em César de Souza. Ele viu que era distribuído pão com mortadela para as crianças no começo das atividades e decidiu que iria doar a refeição. O casal viu, então, que daria para estruturar o projeto e, assim, atender melhor as crianças. 

“O esporte é muito mais além do que jogar bola. É formar o cidadão de bem. Tem muita criança que não vai ser jogador de bola, mas pode ser advogado, policial, bombeiro. Jogar bola é uma diversão, pode sair profissional, mas a gente sabe que de mil, um será profissional. Então, queremos trabalhar o lúdico da criança e hoje atender também o lado social. Tinha criança que visivelmente ia para os treinos por conta do lanche”, relata Milene. 

Além de todo o resultado positivo na vida dos atendidos, somado ao trabalho dos voluntários que oferecem auxílio fisioterápico e psicológico, o casal colhe frutos na família. O filho João Vitor, aos 16 anos, já é atleta do Palmeiras há quatro anos, com proposta de mudar de time. No radar dele também está o sonho de cursar Fisioterapia para continuar a iniciativa dos pais. 

Dois times de futsal do projeto também disputam os campeonatos Paulista e Brasileiro. A iniciativa conta com ajuda de alguns apoiadores. A atual gestão da Prefeitura de Mogi das Cruzes prometeu colaborar com o projeto com o transporte para as disputas.
“Quando olhamos para os times de Pindamonhangaba, que é menor do que Mogi, eles têm uma estrutura gigante, com bolsa atleta, e eu não entendo que a nossa região tão grande não tem isso, mesmo com toda a licença do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente. Não tenho noção de onde vamos chegar se as pessoas deixarem e ajudar. Meu sonho é comprar um ônibus bom, uniforme, bola e oferecer estrutura para as crianças que precisam”, finaliza.

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