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Projeto mogiano que oferece aulas gratuitas de Jiu-jitsu já atendeu mais de 300 jovens

Mais de 300 alunos já passaram pelos tatames do Geração Mais Futuro – projeto social nascido há seis anos na Vila Morais, em Mogi das Cruzes, que oferece aulas gratuitas de Jiu-jitsu para todas as idades e busca, por meio do esporte, disciplina e cultura transformar a vida de jovens de bairros carentes da cidade. […]

Por O Diário
06/02/2021 06h04, Atualizado há 688 meses

Mais de 300 alunos já passaram pelos tatames do Geração Mais Futuro – projeto social nascido há seis anos na Vila Morais, em Mogi das Cruzes, que oferece aulas gratuitas de Jiu-jitsu para todas as idades e busca, por meio do esporte, disciplina e cultura transformar a vida de jovens de bairros carentes da cidade. Dos quimonos à locação do espaço usado para os treinos, tudo é custeado pelo próprio criador da iniciativa, o professor Jaderson de Paula Batista, que também organiza eventos beneficentes para ajudar nas contas (hoje suspensos por causa da pandemia). Neste mês, o grupo se prepara para dar um novo salto: inaugurar uma filial em Jundiapeba. Ao mesmo tempo, busca formas de continuar ajudando os atletas que participam de diversos campeonatos.

Quem cruzou as avenidas Francisco Rodrigues Filho ou a Vereador Narciso Yague Guimarães nas últimas semanas pode ter se deparado com os alunos do projeto, que atualmente atende cerca de 150 pessoas. Alguns carregam placas com os dizeres “ajude um atleta”.

São competidores que estão arrecadando fundos para se manter ativos, o que reflete uma difícil realidade brasileira: se manter ativo no esporte no país é caro. “Nós nunca tivemos apoio, precisamos pagar viagens distantes, etc”, explica Jaderson. Mesmo assim, eles têm um dos melhores desempenhos em campeonatos mundiais, brasileiros e até sul-americanos, conta o professor.

“Ficando ali (nas avenidas) alguns dias da semana, eles buscam arrecadar fundos para manter os custos”, explica ao acrescentar que “os alunos competidores têm uma agenda muito grande” e procuram estar em atividade “o máximo possível”. 

“Temos muitas competições por mês, e não existe ajuda oficial, expõe.
Mesmo nesta realidade, ele diz esperar que o projeto social continue crescendo e “atendendo os bairros necessitados de Mogi, oferecendo uma distração para que as crianças e adolescentes não precisem ficar apenas nas ruas, mas tenham metas e objetivos de vida”.

Disciplina é a palavra-chave do Mais Futuro, segundo o criador. A filosofia do Jiu-jitsu é baseada na inteligência, paciência e disciplina – conceitos que Jaderson traz para as suas aulas. Para ser um aluno do projeto é preciso seguir algumas regras: aqueles que estão no período escolar, devem manter notas boas na escola, acima de sete, por exemplo. Além disso, palavrões são proibidos, entre outros pontos para manter o companheirismo.

Na avaliação de Jaderson, todo o esforço e custos valem a pena, pois “ajudam alguém a sair das ruas para manter o foco em melhorar o próprio desempenho”. 

“O esporte transforma vidas. Hoje pais me contam que estão felizes com a nova postura dos filhos, que antes andavam com pessoas que usavam drogas e estão longe disso agora”, completa. “O feedback do pessoal é bem legal, não há tempo ocioso e os jovens acabam deixando a rua”.
Para ele, “não tem dinheiro que paga ver o aluno crescendo”.
O projeto surgiu justamente para atender bairros periféricos, e carentes da atividades de lazer, arte e esporte, em Mogi. 

“Há sete anos eu tinha duas primas que iam participar de um evento de artes marciais e comecei a dar aulas para elas na garagem de casa. Já atuava como professor particular. As crianças do bairro acompanham o movimento, ficavam assistindo no portão, interessadas”, lembra Jaderson. 
“Mais tarde algumas delas e os pais de outros adolescentes me perguntaram se os filhos poderiam participar. Eles diziam que os filhos estavam andando com pessoas que faziam coisas erradas, indo mal nas escolas. Então me veio na mente fazer algo grande para toda a vizinhança”, lembra ele. O aluguel saía do bolso do professor.
“No primeiro dia, eu tinha 15 alunos, no segundo, 30 e em menos de dois meses, já chegava a 100, o interesse foi sempre muito grande, para mostrar a força do esporte”, comenta, orgulhoso.

Desde o início o projeto foi marcado por dificuldades, que foram acentuadas durante  2020, o ano da pandemia. “Tive que fechar, e como alugo o espaço, acabei devolvendo o salão. Fiquei dando aulas particulares para um grupo seleto para alguns campeonatos na minha casa, com turma reduzida, mas esperamos continuar crescendo.

 

Redes

Quem quiser auxiliar ou conhecer mais sobre o projeto social mogiano Geração Mais Futuro pode acessar a página oficial do grupo no Instagram (@geracaomaisfuturo) ou Facebook (Geração Mais Futuro).

 

Faixa preta

Jaderson de Paula Batista tem 33 anos e luta há cerca de 13. Ele é faixa preta em Jiu-jitsu e educador físico. Ainda reside nana Vila Morais. Em suas aulas emprega a filosofia da arte marcial. 

Muito valorizada no país, o Jiu-jitsu nasceu no Japão e depois foi disseminado por todo o mundo, ganhando raízes firmes em território brasileiro. A filosofia do esporte é baseada na inteligência, paciência e disciplina.

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