Prata em Tóquio, Rayssa Leal inspira skatistas de Mogi
Rayssa Leal é um fenômeno. Aos 13 anos de idade é a medalhista olímpica mais jovem do Brasil e tem ganhado milhões de seguidores nas redes sociais desde que chegou a Tóquio, de onde saiu com a medalha de prata no skate street e seguiu rumo à sua terra natal, a cidade de Imperatriz, no […]
30/07/2021 14h06, Atualizado há 688 meses
Rayssa Leal é um fenômeno. Aos 13 anos de idade é a medalhista olímpica mais jovem do Brasil e tem ganhado milhões de seguidores nas redes sociais desde que chegou a Tóquio, de onde saiu com a medalha de prata no skate street e seguiu rumo à sua terra natal, a cidade de Imperatriz, no Maranhão. Conhecida como “Fadinha”, ela tem inspirado não só as crianças, mas todas as gerações do esporte e, mais do que isso, tem levado a modalidade para lugares que pareciam inalcançáveis.
Aqui em Mogi das Cruzes, Cid Sakamoto, 40 anos, acompanha a cena do skate desde o início dos anos 90. Ele, que é locutor profissional do esporte, já competiu e sempre esteve ligado ao “estilo de vida”, como ele mesmo gosta de chamar. Em Rayssa, ele vê um ícone.
“Ela é carismática, tem a cabeça boa, sabe falar e se portar. Ter ganhado essa medalha foi muito legal, porque ela conseguiu transmitir o que realmente é o skate. O skate é diversão, não é torcer pelo erro do outro. Ela dedicou a vitória para todas as meninas do Brasil, levantou a bandeira em um país muito machista e ela está exaltando todas as meninas que fazem parte do cenário, mas não brigaram por medalha ou não chegaram as Olimpíadas”, frisa Cid.
Rayssa, de fato, estava se divertindo na competição. Entre uma manobra e outra, ela fazia dancinhas famosas nas redes sociais e brincava com a adversária das Filipinas, Margielyn Didal, em quem deu um grande abraçou ao saber da conquista da prata. E o locutor ressalta que esse é o verdadeiro espírito do skate.
Cid destaca como é o skate em Mogi. Ele conta que, por falta de apoio, os skatistas da cidade nunca contaram com uma estrutura. Em competições, eles não tinham uniformes, como acontecia com as equipes das outras cidades, e não tinham um transporte. Mas, ainda assim, o município sempre se destacou, tendo nomes campeões e conhecidos dentro da modalidade.
E foi o skate, inclusive, que trouxe o locutor para Mogi. Nascido em São Paulo, mas morando grande parte da vida em São José dos Campos, foi por aqui que ele encontrou uma pista legal no início dos anos 90. Pista essa que ainda é muito usada pelos skatistas da cidade, a do parque Botyra Camorim Gatti, no Centro Cívico. O começo de Cid no esporte foi improvisado. Um primo, Cyro Sakamoto, fez para ele e para o irmão, Binho Sakamoto, um shape com a madeira de uma porta.
Depois disso, os irmãos não pararam mais e, hoje, os dois são confederados e homologados pela Confederação Brasileira de Skate (CBSk), sendo Cid como locutor profissional e Binho, que agora mora no Japão, como skatista profissional.
“Ter o skate nas Olimpíadas sempre foi um assunto polêmico, porque existem os prós e os contras. O skate não se enquadra em regras, ele é uma liberdade de expressão. E quando vai para as Olimpíadas isso muda. No skate, um adversário não torce para o outro cair, a gente sempre quer que todo mundo acerte, pelo bem do esporte, e não foi isso que vimos durante a competição. O lado bom é que agora o skate está ganhando mais visibilidade e, consequentemente, vai ganhando mais apoio”, conclui Cid.
Com campeões, skate se torna sonho possível
Na estreia do skate nas Olimpíadas, o Brasil fez apresentações de altíssima qualidade. Além de Rayssa Leal, Kelvin Hoefler também saiu de Tóquio com a prata. Os dois já eram conhecidos pelos praticantes do esporte, mas com a conquista das medalhas, chegaram ao conhecimento do público em geral. Agora, são inspiração para aqueles que sonham em viver da modalidade.
O mogiano Rodrigo Pozo Griecco, de 15 anos, é exemplo disso. Jovem, ele já não se lembra exatamente quando começou a andar de skate. Acredita que tenha sido entre os 6 e 7 anos de idade, quando desobedeceu o pai, Luís Griecco, andou com o skate de um amigo, caiu e se machucou bastante.
“A partir dali, o meu pai viu que não adiantaria tentar me impedir. Então, ele comprou um skate para mim e também as proteções, para eu andar em segurança. Desde então, eu não parei mais. Agora, eu já fui até para os Estados Unidos, só para andar de skate na Califórnia, que foi onde o esporte começou”, relembra Rodrigo.
Talvez não como atleta, mas o mogiano pensa em viver do skate. As opções são diversas, como ter uma loja de artigos especializados, ser treinador ou videomaker.
“O skate sempre foi muito marginalizado e a modalidade ser incluída nas Olimpíadas foi um avanço gigante. Ter duas pessoas ganhando medalha, com certeza, é um empurrão para entrar de cabeça nesse mundo. Se eles chegaram tão longe, porque eu também não posso?”, reflete o jovem.