O gênio que calou o Maracanã
Inegavelmente Garrincha foi um dos maiores pontas da história do futebol mundial em todos os tempos, onde seus dribles e jogadas geniais, para muitos só foram inferiores as peripécias de Pelé. Mas o Palmeirense deve se orgulhar por também ter tido Julinho Botelho. O paulista Júlio Botelho, nascido no bairro da Penha em São Paulo, […]
15/07/2021 16h32, Atualizado há 688 meses
Inegavelmente Garrincha foi um dos maiores pontas da história do futebol mundial em todos os tempos, onde seus dribles e jogadas geniais, para muitos só foram inferiores as peripécias de Pelé. Mas o Palmeirense deve se orgulhar por também ter tido Julinho Botelho.
O paulista Júlio Botelho, nascido no bairro da Penha em São Paulo, no dia 29 de julho de 1929, foi o maior ponta direita da história do Palmeiras em todos os tempos. Antes de brilhar no Parque Antártica, jogou no Juventus, Portuguesa de Desportos e na Fiorentina da Itália, mas foi no Palmeiras a sua grande consagração.
Como jogador da Portuguesa atuou na Copa do Mundo da Suíça de 1954, em seguida transferiu – se para a Fiorentina, onde passou a ser amado e tornou – se o “signore” Botelho. Na Copa de 58 na Suécia, o técnico Vicente Feola pretendia ter no time Julinho e Joel como seus pontas pela direita, mas utopicamente aos dias atuais o craque preferiu não atender ao chamado, pois acreditava ser uma injustiça um jogador que estava atuando no exterior tomar o lugar de quem atuava no Brasil, o que fez o mundo conhecer Garrincha.
Mesmo assim seu nome foi lembrado, tanto que o lateral esquerdo sueco Sven Axbom, esgotado após o baile imposto por Garrincha na final, declarou que o Brasil possuía jogando na Itália, um ponta direita bem melhor e que para sorte de todos os adversários ele não esteve presente no mundial.
Após a Copa Julinho decidiu retornar ao Brasil, para defender o Palmeiras, seu time de coração, decidiu também retornar a seleção brasileira. No amistoso realizado contra a Inglaterra no Maracanã – no dia 13 de maio de 1959 – Julinho foi escalado na partida no lugar de ninguém menos que Garrincha, que estava fora de forma.
O Maracanã veio abaixo com vaias quando a escalação foi informada. Nílton Santos longe de qualquer bairrismo, disse a Julinho a seguinte frase: “Vai lá e faça eles engolirem essa vaia”. As vaias duraram apenas dois minutos, pois Julinho marcou um gol antológico.
Dez minutos depois realizou a jogada para Henrique assinalar o segundo gol brasileiro. Julinho realizou uma atuação de gala, o forte time da Inglaterra não foi capaz de segurar o ímpeto ferido do craque, que calou o Maracanã transformando as vaias iniciais em aplausos calorosos e incessantes de pé.
O jogador não aguentou a emoção, e sem conseguir segurar as lágrimas desabou no choro. No dia seguinte os jornais ingleses noticiavam: “O Brasil possuí outro Garrincha”. Em 1967, o gênio incomodado com as fortes dores no joelho, decidiu encerrar a sua carreira no Palmeiras aos 37 anos.
algmartinez@bol.com.br