Mogiana mostra muita garra, mas não supera a adversária
Mesmo demonstrando muita garra e voluntariedade, a atleta mogiana Graziele de Jesus, 30 anos, foi desclassificada ao final dos três rounds da luta de boxe contra a japonesa Tsukime Namiki, de 22 anos, que parte para as próximas lutas da modalidade. A mogiana do Jardim Maricá deve retornar ao Brasil. A decisão dos cinco jurados […]
29/07/2021 09h20, Atualizado há 688 meses
Mesmo demonstrando muita garra e voluntariedade, a atleta mogiana Graziele de Jesus, 30 anos, foi desclassificada ao final dos três rounds da luta de boxe contra a japonesa Tsukime Namiki, de 22 anos, que parte para as próximas lutas da modalidade. A mogiana do Jardim Maricá deve retornar ao Brasil. A decisão dos cinco jurados foi unânime: 30 a 27 (três vezes) e 29 a 28 (duas).
Graziele teve pela frente uma lutadora complicada, que procurou, durante toda a luta, usar o corpo contra a mogiana , que não conseguiu encontrar a distância exata para se desvencilhar da presença, muitas vezes atabalhoada, da japonesa junto dela. A mogiana pareceu surpresa diante do estilo pouco comum de sua adversária e, tentando se desvencilhar dela, chegou a ser repreendida pela arbitragem.
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No segundo assalto, a brasileira pelo menos teve sucesso ao impedir o avanço da lutadora asiática e também utilizou os clinches para evitar sofrer ataques na curta distância. Os jurados gostaram da produção de Graziele e três deles deram a vitória no round para a boxeadora brasileira.
Somente no terceiro e último assalto foi que a mogiana começou a encontrar a distância ideal e a contra-atacar sua oponente, chegando a derrubá-la com um soco. O árbitro, no entanto, nem chegou a abrir contagem e a japonesa estava de volta à luta com seu estilo muito próprio de combater.
Como em toda luta olímpica, o boxe é decidido nos dois primeiros rounds, especialmente o feminino, em que as competidoras utilizam protetores na cabeça, o que torna difícil a definição pela via rápida do nocuate.
No caso da luta desta madrugada, os jurados deram vantagem à japonesa nos dois primeiros assaltos, mesmo com a mogiana tendo atingido sua adversária por várias vezes. Isso que fez com que Namiki chegasse para a terceira e última etapa do confronto apenas para se defender e impedir a possibilidade, ainda que distante, de um nocaute.
Ao final, as duas atletas deixaram o ringue sem que a mogiana esboçasse qualquer reclamação em relação à atuação da adversária e do árbitro da luta.
Opinião
Na opinião do ex-lutador e técnico de boxe de Mogi das Cruzes, Juscelino Alves dos Santos, o “Juça”, a derrota da mogiana Graziele de Jesus diante da japonesa Tsukime Namiki foi, em parte, resultante da falta de uma melhor orientação técnica durante a luta.
“Torci muito por ela, que está lá por merecimento, por muita raça e vontade”, disse “Juça”, lembrando que após ter perdido o primeiro round por 10 a 9, Graziele deveria ter sido melhor orientada sobre a estratégia a ser utilizada para conseguir contra-atacar o estilo de luta da adversária, o que, segundo ele, não aconteceu a contento.
“A japonesa ia para cima, fazia um ponto e travava a luta e a Graziele não conseguir sair para pontuar, livrando-se da estratégia da adversária. O técnico estava logo ali em baixo. E o que ele fazia? Faltou orientação” – afirmou Juça.
Outro aspecto que prejudicou a lutadora do Jardim Maricá, segundo o mogiano, foi o fato de a adversária ser canhota como Graziele. “A lutadora canhota sempre leva alguma vantagem quando luta contra uma adversária destra. Dessa vez, no entanto, a Namiki também era canhota, o que tornou a situação ainda mais difícil para a Grazi”, afirma “Juça”.
“Não culpo a Grazi pela derrota, mas o seu orientador técnico”, disse o mogiano, lembrando que o treinador de Graziele em Mogi, Ângelo, poderia ter acompanhado a lutadora, que acabou sendo orientada por outro treinador.
“Fico triste porque todos nós que acompanhamos o início do trabalho da Grazi estamos longe. Mas a Grazi merece todos os méritos por ser uma pessoa de muita raça, força de vontade, uma lutadora de verdade”, afirmou “Juça”.