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Jogadores que estavam na Ucrânia podem assinar com clubes brasileiros? Entenda

Mais de 30 jogadores brasileiros já deixaram a Ucrânia e, aos poucos, estão voltando ao Brasil por causa da guerra com a Rússia. O futuro deles, no entanto, ainda é incerto. Alguns já começaram a ser especulados em clubes brasileiros. Casos do atacante Vitinho, do Dinamo de Kiev, desejado por Athletico, Internacional, Botafogo, entre outros; […]

Por O Diário
02/03/2022 17h02, Atualizado há 688 meses

Mais de 30 jogadores brasileiros já deixaram a Ucrânia e, aos poucos, estão voltando ao Brasil por causa da guerra com a Rússia. O futuro deles, no entanto, ainda é incerto. Alguns já começaram a ser especulados em clubes brasileiros. Casos do atacante Vitinho, do Dinamo de Kiev, desejado por Athletico, Internacional, Botafogo, entre outros; e do meia Alan Patrick, do Shakhtar Donetsk, bem visto pelo Grêmio. 

No entanto, qualquer negociação com esses jogadores não será nada simples. Os clubes interessados terão de convencer os times ucranianos a liberarem os atletas, facilitando o processo de transferência. Caso haja resistência, tudo terá de ser resolvido na Fifa, que também terá de permitir as movimentações fora da janela de transferências. 

–É um fato novo, com mil implicações. Já aconteceram impedimentos de o atleta jogar, mas nunca por causa de uma guerra. No Afeganistão ou na Síria, por exemplo, não teve solicitação de transferência nessas condições – explica o advogado Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato dos Jogadores de São Paulo e ex-membro da comissão de resolução de disputas da Fifa. 

Sem jurisprudência no assunto, Martorelli, que está prestando assistência jurídica aos atletas,  afirma que não haverá uma regra única e clara na resolução do futuro dos jogadores brasileiros. Entre uma liberação fácil do clube ucraniano, suspensão do contrato ou encerramento do vínculo, com ou sem mediação da Fifa, há diversos fatores a serem analisados. 

A situação de Vitinho, por exemplo, pode não ser tão simples. O atacante foi comprado pelo Dínamo de Kiev, em agosto do ano passado, numa negociação que rendeu 6 milhões de euros (quase R$ 40 milhões) ao Athletico. Com apenas 22 anos, o atleta assinou contrato de cinco anos. O investimento feito pelo clube ucraniano entrará na conta de qualquer negociação, seja por empréstimo ou suspensão de contrato. 

–A tendência é que a Fifa autorize a transferência, mas cada acordo será de uma forma. Um jogador com contrato a encerrar e salário baixo provavelmente será liberado pelo clube. Mas em casos de valores altos e contratos longos, se o jogador ainda tem três anos de contrato, por exemplo, o encerramento de contrato é pouco viável – diz Martorelli, acrescentando que cláusulas contratuais como “força maior” que estejam vigentes nos vínculos dos atletas podem ser utilizados como argumentos para suspensão ou encerramento dos contratos.

A suspensão do contrato, uma das possibilidades em jogo, também não é uma solução simples. Determinar o tempo exato da suspensão temporária do vínculo do atleta é pouco viável no contexto de guerra. E o clube interessado no jogador precisa de segurança para assumir o risco financeiro.

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