Clube de futebol de botão de Mogi está de volta e irá homenagear Alexandre Barreira
Nostalgia é uma das palavras que sintetizam o futebol de botão – tradição dos tempos de criança, que ainda hoje reúne uma legião de apaixonados e une gerações. Em Mogi das Cruzes, a prática segue celebrada por meio do trabalho do Clube do Botão Gaspar Vaz. Este é o nome do grupo com mais de […]
24/03/2022 16h46, Atualizado há 688 meses
Nostalgia é uma das palavras que sintetizam o futebol de botão – tradição dos tempos de criança, que ainda hoje reúne uma legião de apaixonados e une gerações. Em Mogi das Cruzes, a prática segue celebrada por meio do trabalho do Clube do Botão Gaspar Vaz. Este é o nome do grupo com mais de uma década de história, que acaba de retomar as atividades e realizará homenagem ao seu falecido e saudoso fundador, o jornalista Alexandre Barreira, que sempre empenhou “muito amor aos trabalhos”. Campeonato e uma copa serão realizados neste sábado (26), no Ginásio Poliesportivo do Clube Náutico Mogiano, com a confirmação de botonistas de diferentes cidades (veja detalhes abaixo).
A ‘brincadeira’ que tem quase um século de história se tornou um esporte de alto rendimento reconhecido pelo Ministério dos Esportes. Prova de que quando se tem paixão, tudo vai além. Afinal, a competição não é o objetivo principal. A prática é sinônimo de boas lembranças e companheirismo entre famílias e amigos. Muitas pessoas, com certeza, se encaixam na música de Renato Russo ‘Eduardo e Mônica’, como o ‘Eduardo que jogava futebol de botão com seu avô’.
Em Mogi, essa nostalgia tem também mais um sentido especial. Era uma das verdadeiras paixões do jornalista e amante do futebol Alexandre Barreira, que faleceu em 2020, em decorrência das complicações produzidas por um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Muito querido, conhecido na cidade e apaixonado por muitos esportes, ele foi o principal incentivador do futebol de botão ‘por aqui’, tendo criado o Clube do Botão Gaspar Vaz há 12 anos.
A viúva de Alexandre, a também jornalista Maria Salas, lembra a paixão dele por aquela diversão:
“O futebol de botão era a grande paixão do Alê, corintiano roxo, sempre muito ligado ao esporte. Por ele ter um problema cardíaco, não podia jogar futebol. E a saída que encontrou para isso foi unir a paixão com o futebol de mesa. Além disso, ele produzia os próprios botões. Uma época passou até a vender. Começou como um hobbie e se transformou em pequeno negócio. Também oferecia os botões dos campeonatos. Tudo sempre feito na base do amor”, comenta ela.
Barreira tinha 46 anos quando faleceu, deixando duas filhas, as meninas Julia Sofia e Maria Eduarda. Era um especialista no jornalismo esportivo, com destaque para o futebol, basquete e automobilismo.
Deixou boas lembranças: “Quando não estava trabalhando, ele confeccionava os jogadores. As meninas (suas filhas) também o ajudavam a pintar. Era uma coisa que envolvia toda a família. São memórias que vão ficar para sempre”, comenta Maria Salas. “São coisas que minhas filhas vão levar para toda a vida”, acrescenta.
Por isso, ela garante que “fazer a retomada e continuar com o grupo é uma alegria para a gente”.
“O clube nasceu pequeno, com amigos jornalistas. Começou no quintal até chegar aos campeonatos. A retomada é uma forma de mantermos o Alê vivo entre nós. Muitos pais vêm com os filhos e o gosto vai passando entre as gerações. Até para tirar um pouco as crianças do celular. Tem muito afetividade envolvida”, argumenta a jornalista.
Ela também faz questão de agradecer ao vereador Marcos Furlan (PODE), presidente do Clube Náutico Mogiano, “por ter mantido o espaço da sede do Clube do Botão e ter cedido o ginásio para os jogos”, finaliza Maria.
No passado, Furlan cedeu uma sala no Naútico para o clube.
De volta
O Clube do Botão Gaspar Vaz de Mogi das Cruzes passou os dois últimos anos ‘em off’, por causa da pandemia de Covid-19 e todos os seus empecilhos que impactaram todo o mundo do esporte e também pelo falecimento de seu presidente fundador, o jornalista Barreira, em 27 de setembro de 2020.
Uma boa notícia é que o grupo prepara a realização do 78º Campeonato Aberto e a 66ª Copa Bandeirante, para marcar o retorno, em grande estilo, no dia 26 de março. Estas serão as primeiras competições do clube desde 2019.
“Depois de dois anos parados por causa da pandemia, eu, com alguns integrantes, resolvemos retomar, quando pudéssemos jogar com uma certa segurança. É uma forma de homenagear”, comenta o irmão de Alexandre, Rodrigo Barreira.
Até esta quinta-feira (24), o campeonato já contava com 27 inscritos, para 32 vagas.
Segundo a direção, a competição ocorrerá das 10 às 17 horas, no Ginásio Poliesportivo do Clube Náutico Mogiano, localizado na Rua Cabo Diogo Oliver, nº 758, no Mogilar.
O grupo adianta ainda que o tema do campeonato será UEFA Champions League 2022 (com times participantes da edição atual). A taxa de inscrição é de R$ 30,00 e poderá ser paga na hora. “O botonista ainda leva o time para casa. As vagas são limitadas a 32 participantes. Quem não tiver o material para jogar, a diretoria do Clube do Botão Gaspar Vaz empresta”, informa nota do clube.
Os jogadores já inscritos são botonistas de Mogi das Cruzes, Suzano, Santo André, São José dos Campos, Guarulhos e de alguns bairros da capital paulista, como Casa Verde e Guaianazes, entre outros.
O torneio está sendo organizado por Rodrigo Barreira em parceria com outros adeptos do esporte.
Ele explica como serão os jogos:
“O tipo de jogador que vamos usar é o de Vidrilhas (45 mm), na modalidade pastilha. Os times para a disputa do campeonato são os que participam da Champions 2022. Eles serão sorteados entre os participantes no dia da competição. Os botonistas serão divididos em quatro grupos com oito equipes formados pela junção de dois grupos da disputa original”.
Serão classificados quatro times de cada grupo para a sequência do campeonato, e a partir daí jogos eliminatórios em partida única até a final.
A Copa
Para a Copa Bandeirante serão sorteados os confrontos também em jogos únicos eliminatórios até a final.
Como premiação haverá a entrega de troféus e medalhas para os primeiros colocados.
“Vamos ter, também, sorteio de brindes, como jogos de botão, camisa, boné e bolsa da Scuderia Botões. O grande prêmio é uma linda camisa do Clube do Botão Gaspar Vaz”, enfatiza Rodrigo Barreira, em comunicado.
A ideia do Clube do Botão Gaspar Vaz é propagar, da melhor forma possível, a prática do jogo de botão, em várias cidades.
“Já fizemos isso com a realização de competições em várias ligas e clubes que têm o mesmo conceito que o nosso e que terão representantes conosco, no dia 26 de março. Além disso, será uma homenagem ao meu irmão, apaixonado por este esporte e grande incentivador dele na Região do Alto Tietê”.
Uma boa notícia é que o clube não vai parar por aí. As metas para 2022 estão a todo vapor.
“Temos programados mais dois eventos para 2022. A ideia é continuar sim nos próximos anos, com eventos temáticos. Para manter a memória dele acessa”, antecipa Rodrigo a O Diário. “Jogamos desde crianças. É uma paixão, que queremos manter ativa. É uma forma de ter o Alexandre aqui entre nós, finaliza o irmão.
Mais informações sobre a competição do Clube do Botão Gaspar Vaz podem ser obtidas pelo telefone (11) 97610-6717 (Rodrigo Barreira) ou no Facebook.
O futebol de botão
Segundo o Banco de Dados do jornal Folha de S. Paulo, o brasileiro Geraldo Décourt foi o inventor do futebol de botões, em 1930 – que não deve ser confundido com o pebolim ou totó. Dessa brincadeira de criança surgiu o “jogo de botões”, aquilo que se tornaria o esporte difundido e praticado como modalidade esportiva, apresentando uma diversidade de regras e materiais, tendo adeptos em um grande número de países.
Jogava-se inicialmente nas calçadas, onde se riscava com giz o desenho do campo. Porém, não deslizavam muito bem e posteriormente passou a se jogar em pisos de cerâmica ou mármore, até se chegar às mesas de jantar, que eram grandes e não precisava se jogar agachado no chão.
Posteriormente ficaram famosos os “botões de osso” ou de “paletó”, que nada mais eram que os botões retirados dos antigos ternos; dentre esses, uma classe de botões conhecida como “Paulo Caminha”.
A história se estende ao longo dos anos. Na década de 1950, surgiramos botões industrializados, de plástico, com adesivos colados ao centro, contendo os escudos ou mesmo as faces dos jogadores dos times famosos do Brasil.
Atualmente, algumas lojas especializadas ainda vendem os botões, que ficam mesmo como uma recordação dos velhos tempos.