Atleta de Mogi consegue deixar a Ucrânia após cinco dias de guerra
Morador de Mogi das Cruzes há três anos e com passagem recente pelo Atlético Mogi – time de futebol da 4ª divisão do Paulista –, o zagueiro Guilherme Nascimento, de 18 anos se viu no ‘olho do furacão’ do conflito armado entre Rússia e Ucrânia, que tem pautado todo o noticiário mundial. O jogador estava […]
06/03/2022 10h53, Atualizado há 688 meses
Morador de Mogi das Cruzes há três anos e com passagem recente pelo Atlético Mogi – time de futebol da 4ª divisão do Paulista –, o zagueiro Guilherme Nascimento, de 18 anos se viu no ‘olho do furacão’ do conflito armado entre Rússia e Ucrânia, que tem pautado todo o noticiário mundial. O jogador estava na Ucrânia até o mês passado, onda buscava uma guinada na carreira.
Conforme contou ao portal GE, o defensor faria testes no time FC Kolos – da 1ª divisão do país do leste europeu. Mas, a vida naquela região praticamente parou. Ele estava justamente em Kiev – a capital da Ucrânia, que tenta resistir aos ataques russos. Com a chegada de tropas e bombardeios, ele se viu em plena zona de guerra, mas conseguiu voltar ao Brasil no último dia 1°. O sonho do futebol ficou para depois. Por ora, ele decidiu voltar para a sua cidade natal: Mucajaí, no sul do Estado de Roraima, para passar um período com a família.
Partindo do começo: Guilherme jogou as duas últimas temporadas no Atlético Mogi. Ele garantiu vaga para 30 dias de avaliação para convencer os dirigentes do Kolos Kovalivka. Havia partido para o país pouco antes da situação se complicar, em 20 de janeiro. Quatro dias depois, o presidente russo anunciou a “operação especial” no país vizinho.
Nas primeiras horas de guerra, a situação foi mais dramática. O jogador chegou a implorar às autoridades do Brasil para deixar a zona de guerra. Mostrou vista do hotel onde estava, em que podia ser vista a fumaça dos últimos bombardeios em Kiev – capital da Ucrânia.
Em um vídeo gravado de um hotel de Kiev, Guilherme fez relatos sobre os primeiros ataques e a tensão em que o país se encontrava.
Ele conseguiu escapar da Ucrânia na companhia de outros jogadores brasileiros, a caminho da Romênia, país vizinho. Nas redes sociais relatou que encontrou muitos civis armados, fazendo barreiras e revistando os carros. “[São] cidadãos que moram no País, só que armados, fazendo barreiras”, postou no seu perfil do Instagram.
Horas de viagem depois, ele conseguiu deixar a Ucrânia que vivia o quinto dia de conflito, desembarcando no Brasil no dia 1° de março.
Guilherme é cristão. Conta que leva uma missão de vida após ter passado a experiência que provocou o maior êxodo migratório na Europa desde a segunda Guerra Mundial.
Guilherme chegou no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com um grupo de brasileiros por volta das 10h, em um voo vindo do Catar, localizado no Oriente Médio. Após o desem, ele se reencontrou com a namorada e um amigo.
“Passei cinco dias na guerra. Vi e ouvi muita coisa que nunca imaginava que fosse ver e ouvir na minha vida”, relatou ao GE.
Em entrevistas contou que o pilar para superar as memórias ruins têm sido os amigos de São Paulo, bem como o carinho da família.
Situação caótica
As tropas russas continuam avançando em território ucraniano, em direção à capital Kiev. A guerra entre tropas russas e ucranianas já dura oito dias. Mais de um milhão de ucranianos já deixaram o país, o equivalente a 2% da população. Mais da metade deles foi para a Polônia. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), essa é uma crise sem precedentes neste século. O organismo internacional estima que outros 4 milhões de ucranianos ainda poderão deixar o país.
Desde antes da guerra na Ucrânia, diversos jogadores brasileiros que atuavam no país viviam momentos de incerteza. A pré-temporada não foi disputada em solo ucraniano, mas sim na Turquia.
Um caso que ganhou repercussão foi dos jogadores e profissionais brasileiros do Shakhtar Donetsk e do Dínamo de Kiev, da Ucrânia. Junto com as famílias, eles gravaram um vídeo de apelo ao Itamaraty. Começaram a desembarcar no Brasil na manhã desta terça-feira (1º) depois de conseguirem fugir do país, em guerra com a Rússia desde a semana passada. Familiares também conseguiram deixar o país.
Nascido em Mogi das Cruzes, Edmar de Lacerda naturalizou-se ucraniano para jogar em times e também pela seleção do país europeu. Por ser naturalizado, surgiu a possibilidade de que ele precise servir ao exército de lá neste período de conflito com a Rússia, o que não aconteceu.
A Rússia neste momento se vê isolada do mundo. Nos esportes não é diferente, várias federações esportivas internacionais e continentais começaram a impor sanções pesadas ao país e atletas.