Sem Carnaval de rua, o Grupo Gira Mundo dos Bonecos Gigantes faz oficina online
A pandemia suspendeu o improvável: o Carnaval de rua. Em 2020, a festa popular foi realizada e alvo, inclusive, de grande polêmica porque já se ouvia falar da circulação de um desconhecido vírus, o coronavírus, pelo mundo. Não fosse a pandemia, hoje, sexta-feira (12), blocos e grupos culturais como Suburbloco, Frenéticos, Gira Mundo Bonecões de […]
12/02/2021 17h45, Atualizado há 688 meses
A pandemia suspendeu o improvável: o Carnaval de rua. Em 2020, a festa popular foi realizada e alvo, inclusive, de grande polêmica porque já se ouvia falar da circulação de um desconhecido vírus, o coronavírus, pelo mundo.
Não fosse a pandemia, hoje, sexta-feira (12), blocos e grupos culturais como Suburbloco, Frenéticos, Gira Mundo Bonecões de Sabaúna, Sem Freio, das Caboclas, Entruído da Vó, Algazarra, e outros, estariam preparando fantasias e instrumentos para abrir a folia mogiana em pontos conhecidos como a praça Norival Tavares ou a própria avenida Cívica.
Esse primeiro dia, antes de muitas pessoas viajarem para o litoral, costumava atrair milhares de pessoas. Interessante notar que, apenas no ano passado, após a suspensão dos desfiles oficiais, em 2019, e muita polêmica sobre a presença desse time popular nas ruas, esses grupos foram reunidos em uma programação da Secretaria Municipal de Cultura.
Por conta da pandemia, não durou um ano, o retorno dessa folia decompromissada às ruas mogianas. Para se ter uma ideia, em 2020, foram cinco dias de programação de blocos de rua. Algo inédito para quem viu, algum tempo antes disso, uma pacífica apresentação dos estandartes do Jabuticaqui e Suburbloco acabar na porta da delegacia – abrindo um rompimento nas relações entre o poder público e os foliões, que foi reconstruído aos poucos.
Bonecões
A agitadora cultural Marineis Dias, do Grupo Gira Mundo Bonecões de Sabaúna, comentou sobre o hiato em 20 anos desde o surgimento desse coletivo cultural nascido no distrito, que tem fortes raízes desta festa popular. Ela afirma que não consegue imaginar os reflexos da pandemia nesse nicho, o Carnaval. “Nós estamos experimentando uma mudança muito grande, com a descoberta de novas ferramentas, como a internet, mas também com o surgimento de outros comportamentos, que ainda não conseguimos dimensionar. Muitas pessoas, estão experimentando ficar mais em casa, e podem permanecer assim”, indica, acrescentando que as manifestações populares irão se adaptar à “vida que muito mudou”.
“Ainda não sabemos como seremos após a vacinação, e nem quanto tempo ainda será inseguro, apesar de sabermos que temos de retomar a vida, o trabalho, as aulas. A segurança total, acredito, ainda vai demorar um pouco mais”, reflete.
Para Marineis, que possui um estabelecimento comercial em Sabaúna, com área aberta para favorecer o atendimento, com as regras impostas pelo Plano SP, as pessoas terão ainda de se acostumar com a nova realidade. “No futuro, a doença será como as outras, provocadas por vírus que conhecemos, como a gripe”, diz.
O projeto iniciado por ela, com os Bonecões Gigantes, acaba de completar duas décadas, uma marca de resistência para um projeto cultural popular. E, pela primeira vez, esses seres coloridos, que atraem velhos e crianças, não estarão nas ruas de Sabaúna, conhecida por promover um Carnaval popula tradicional da cidade. Em outros anos, Sabaúna promoveu até concursos de marchinhas.
Para a data não passar batida, ela instalou três bonecões, com máscara e tudo, em seu estabelecimento, o Maria Fumaça. E se prepara para apresentar um curso que ensina a fazer os bonecões gigantes pela internet ainda neste Carnaval, se tudo der certo.
A ideia é colocar o material produzido por meio da Lei de Incentivo à Cultura, a LIC mogiana, nas redes sociais com o nome do Grupo Gira Mundo Bonecões de Sabaúna.
“Será uma forma de não deixar o Carnaval passar totalmente em branco”, diz, lembrando a propriedade de se preservar a data das aglomerações. “Para mim, nós ainda estamos vivendo a pandemia, nesse patamar, porque não tivemos, antes, um lockdown no País. Sei das dificuldades, porque somos um país continental, mas houve falha no início”, alfineta.
Enquanto o Carnaval passa sem batuque e brincadeiras, O Diário selecionou algumas fotografias de antigas aberturas da festa popular para compartilhar com quem não vê a hora do bloco do novo coronavírus passar (veja acima).