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Saiba quem é Khalil Magno, promessa musical em que Mogi aposta

Pode um sorocabano, cuja família é do Pará, se apaixonar por Mogi das Cruzes? Pode este rapaz, de fala doce mas também crítica, cantar rimas e versos que confundem com Caetano Veloso? Pois pode. Pode isso e muito mais – por quê não? É Khalil Magno, promessa da música que Mogi pode dizer com orgulho […]

Por O Diário
23/10/2022 12h54, Atualizado há 689 meses

Pode um sorocabano, cuja família é do Pará, se apaixonar por Mogi das Cruzes? Pode este rapaz, de fala doce mas também crítica, cantar rimas e versos que confundem com Caetano Veloso? Pois pode. Pode isso e muito mais – por quê não? É Khalil Magno, promessa da música que Mogi pode dizer com orgulho que é cria daqui.

Compositor, cantor, instrumentista. Khalil é tudo isso, mas acima de tudo é um pensador, embora ainda muito jovem. Hoje aos 27 anos, se dá ao luxo de não ter residência fixa. E o luxo aqui é cabível, porque a morada de Khalil são os amigos. Além do lar da família, em Sorocaba, ele encontrou em Mogi, na casa de artistas e pessoas ligadas à arte e cultura, como Patrícia Barbosa dos Santos, Paulo Betzler, Wendell Cruz e Sandra Vianna, um novo cantinho para chamar de seu.

Quem não o conhece pode não entender de imediato o tamanho dessa força. Bom exemplo é este: em 2020, a Folha de São Paulo e outros veículos, como o portal Yahoo e o Jornal Cruzeiro do Sul o pintaram como uma nova promessa da música brasileira. Essa efervescência teve início despretensioso, a partir de um vídeo gravado em casa, com o celular.

Voz e violão e boa música. Ele só precisou disso para, com a faixa questionadora ‘Quem é Deus?’, viralizar. Estava ali o palco que precisava, para tantas coisas que nem sabia. Além da visibilidade em grandes veículos de comunicação, o já citado Wendell Cruz também assistiu ao vídeo e perguntou para o público de seu espaço cultural, no Centro de Mogi, se haveria interesse em ouvir aquele garoto cantar.

Não só havia interesse como Khalil gostou tanto de tocar para os mogianos que desde então não deixou mais a cidade, tendo encontrado aqui a inspiração que precisava para trabalhar em outras composições. E essas músicas, em 2020, viraram disco, ‘De Cara Pro Vento’, sendo este próprio álbum fruto do mesmo vídeo. 

Assim como Wendell e outras milhares de pessoas, Alê Siqueira, que já produziu gente como Chico Buarque e Paulinho da Viola, ouviu esta performance. O resultado foi um convite para a produção e gravação de um trabalho, não em Mogi, em Sorocaba ou no Pará, de onde vem a família materna de Khalil, mas sim em Lisboa, capital de Portugal. 

E o artista foi, é claro. Se jogou de cabeça e produziu um disco que ele jura que poderia ser melhor, mas quem ouve discorda. Tanto é que ‘Ele Não’, uma das faixas deste CD, confundiu o público, que jurava de pés juntos que Caetano Veloso era o intérprete.

Com título autoexplicativo, a faixa expõe versos anti-bolsonaristas, como “Ele é a bala em Marielle / ele é o ódio à flor da pele / ele é o sangue na favela / ele é o mal”. Na época do lançamento, o autor acreditava que a mensagem era mais importante do que quem a escreveu, e então divulgou-a anonimamente nas redes sociais. Como muita gente deduziu que fosse a voz de Caetano, este precisou publicar um story para desmentir o boato. 

E a O Diário, Khalil conta que outros grandes nomes a ouviram. Um deles é Chico César, o que comprova a potência da voz verdadeira. E não são somente as letras de cunho político que agradam. 

Em ‘De Cara Pro Vento’, Khalil reflete sobre o mundo, oferecendo uma visão particular do que vê. Uma das faixas mais marcantes é ‘Força’, em que ele enaltece a força da mulher, como fosse um mantra, uma oração. “A mulher guerreira sacudiu a poeira / foi pai, foi mãe, foi tudo / foi espada, foi escudo / foi exemplo de vitória ao transcender sua própria história / foi na sua e foi na fé / e foi assim, mulher”.

Ele escreve o que sente. “Como uma necessidade”, diz. E nesse processo, há coisas que vêm da cabeça e há outras que vêm do coração, explica. Foi um sarau que o fez perceber que divulgar estas letras seria terapêutico, tanto para ele quanto para quem ouve com o peito aberto.

Há músicas dançantes, há músicas mais lentas. Mas em todas há algum tema principal. Ora o amor, ora a militância, ora a religiosidade. Vários destes pensamentos surgiram ainda em Sorocaba, quando o artista começou tocando em ônibus e trens, transformando o transporte público em palco. 

Às vezes rápida e aguda, às vezes mais cadenciada e até sussurrada, a voz de Khalil encantou, sobretudo, o público de Mogi, que o recebe sempre de braços abertos, não apenas em shows como também nas plataformas digitais, que acumulam milhares de “plays”.

E, com exclusividade a O Diário, ele revela detalhes do que vem por aí. Porque a cabeça não para e já organiza outra coleção de canções em um novo disco, ‘Memória Astral’, que deve ser lançado em 2023. 

Neste trabalho, o artista, que se considera mogiano de coração, quer imprimir uma identidade mais “orgânica”, e consequentemente mais “visceral e arrebatadora”.  As letras políticas estarão presentes, ele garante, inclusive com uma novidade: um rap, ‘Ignorância’. As visões religiosas também voltarão, como em ‘Se Jesus Voltasse’. Ele prepara uma “introspecção maior” e promete “momentos de sentir raiva e de chorar”, que serão, em breve, gravados em um estúdio em Itapecerica da Serra. 

 

Origens e referências

“Os vossos pomares dão para continuar a viver, pois reter é perecer”. A frase é de Khalil Gibran, ensaísta, prosador, poeta, conferencista e pintor libanês cujo nome inspirou o de Khalil Magno, compositor, cantor e instrumentista.

Com um pai “apaixonado por música brasileira e rock progressivo” e com uma mãe que, “fardada do Santo Daime, cantava muitos hinos”, Khalil foi crescendo, entre Sorocaba e Belém do Pará, com passagens pela Ilha de Marajó. Ele é o único da família materna a nascer no Sudeste.

Motivo de admiração por “sempre trabalhar em centros de referência da mulher e com a população de rua”, a mãe do artista, Cristina Rosas, veio para a região de São Paulo estudar psicologia, e assim conheceu o pai, Randal Menegolo, que também é psicólogo. Dessa combinação nasceu um menino que homenageia o tempo do trovadorismo e dos menestréis, que marca presença ao fazer referências “à música do Sul e à Milonga (gênero musical folclórico), que é do Norte”.

 Enquanto canta, Khali coleciona “gente querida” em diferentes lugares. Ele diz “fazer conexões” por onde passa, mas admite que Mogi o “pegou de um jeito como nenhum outro lugar”. Para além “da beleza da cidade, que é linda, como a neblina e a Serra do Itapeti”, as pessoas o encantaram.

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