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Performista de Mogi, Gê de Amaral morre aos 65 anos e será enterrado neste sábado

Faleceu na noite de sexta-feira (10) na casa onde residia, na Vila Oliveira, o mineiro Geraldo Divino de Amaral, o Gê, conhecido por performances artisticas que se inspiravam em escolas vanguardistas e expressionistas de teatro, circo e dança, como o butô, e pela presença assídua na noite mogiana, a partir dos anos 1980. Ele tinha […]

Por O Diário
11/12/2021 12h02, Atualizado há 688 meses

Faleceu na noite de sexta-feira (10) na casa onde residia, na Vila Oliveira, o mineiro Geraldo Divino de Amaral, o Gê, conhecido por performances artisticas que se inspiravam em escolas vanguardistas e expressionistas de teatro, circo e dança, como o butô, e pela presença assídua na noite mogiana, a partir dos anos 1980.

Ele tinha 65 anos completos em outubro último e cuidava de complicações de saúde como a hipertensão e alcoolismo. Como faleceu em casa, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).

O velório começou às 13h30 deste sábado (11) no Velório Cristo Redentor, e o sepultamento acontecerá às 16h30, no Cemitério da Saudade.

Gê, como era chamado pelos amigos, é um daqueles personagens da boemia mogiana com lugar no altar na memória de quem ocupou os pequenos palcos ou esteve na plateia dos bares alternativos da história recente da cidade, como Patusca, Baratotal, Canto de Cabocla, entre outros.

Especialmente para os músicos, compositores e produtores culturais, como destaca a cantora Sandra Viana, “ele é mestre e referência”. Tinha um jeitão expansivo. “Para muitas pessoas, como eu, ele foi um grande incentivador. E, infelizmente, o potencial artístico dele não foi descoberto e vivido como deveria porque viver da arte no nosso país não é fácil, é para poucos. As pessoas têm de morar, comer, e deixam de se desenvolver como artista porque os incentivos são poucos, os pagamentos, quando você consegue um edital, são uma merreca, quatro meses depois de ser selecionado”, comenta, emocionada.

A este deserto de fomento e incentivo governamental e até social (porque o músico ganha pouco também pelas horas trabalhadas na iniciativa privada), Sandra credita a perda de um artista “diferenciado e que sentia a arte de uma maneira particular” que não teve “a oportunidade de se expressar mais”.

Gê e a mulher, Nara, são conhecidos pela manutenção de um dos mais longevos pontos de venda de lanches existente em frente à Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Hoje, em função da pandemia, o endereço está fechado e a família comercializa os quitudes preparados por Nara informalmente.

O filho dele, Nauan, acompanhou o paí em seus últimos momentos. “Ele tinha pressão alta e vivíamos tentando impedir que bebesse. Mas, era algo mais forte”, contou.

De quinta para a sexta-feira, o homem de sorriso aberto e braços a postos para um abraço teve dificuldades para respirar e usou mais de uma vez uma “bombinha” para alivar os sintomas. 

Quando ele se sentiu mal, os familiares tentaram reanimá-lo. Não foi mais possível.

Aos amigos, restam memórias. Sandra Viana conta que o artista apresentava aos mais novos nomes da música brasileira com sonoridades que escapam da música pausterizada, “que você começa a ouvir em um bar e quando chega, em um outro, é a mesma”.

Ela cita nomes, como Itamar Assumpção e Luli e Lucina, apresentados à jovem iniciante na música, pelo amigo que ultimamente continuava a frequentar alguns desses espaços. Na semana passada mesmo, ele participou de uma noite dedicada ao samba, no Teatro Vasques. “Reviu os amigos”, compartilha o filho.

Algumas noites, “os filhos o deixavam na porta do Canto de Cabocla, e depois, vinham buscar. Quando ele se encontrava com o Jorge Amaro [1954-2019], eu não deixava que fosse servida nenhuma bebida”, comentou Sandra, que era proprietária do espaço no Largo Bom Jesus. Jorge Amaro virou estrela.

Essa generosa intimidade entre o artista e os frequentadores da cena cultural da cidade foi citada em diversos posts nas redes sociais, desde o início da noite de sexta-feira.

Gê era mineiro de Rio Castro, e filho de Vitória Maria das Dores e José Coelho Amaral, que residiam em Braz Cubas.

A intensidade, seria um de seus atributos. “Como escorpiano, ele era muito intenso. Vivia o momento, o aqui e o agora. O Gê viveu muito bem”, tece Sandra, em um epitáfio possível para o performista que trazia no segundo nome, uma escolha interessante feita pelos pais, “Divino”.

Além de Nara, a mulher, ele deixou os filhos Nauan e Natie, o neto Enzo Fernando, de 9 anos, e  amigos por Mogi afora.

 

 

 

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