Mulheres à obra: conheça a história de Geisa
Mulher negra, lésbica, empreendedora e mãe: esses são alguns dos tantos termos que descrevem, com orgulho, Geisa Garibaldi. Nascida em Duque de Caxias, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Geisa engravidou de Kaetano, seu único filho, aos 24 anos, pouco depois da mãe falecer. O menino, além de alegrar a casa após a grande perda […]
22/06/2021 15h09, Atualizado há 688 meses
Mulher negra, lésbica, empreendedora e mãe: esses são alguns dos tantos termos que descrevem, com orgulho, Geisa Garibaldi. Nascida em Duque de Caxias, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Geisa engravidou de Kaetano, seu único filho, aos 24 anos, pouco depois da mãe falecer. O menino, além de alegrar a casa após a grande perda da família, foi também o combustível que faltava para que a carioca deixasse de vez a vida “dentro do armário”. Geisa é uma das personagens de ‘Falas de Orgulho’, especial que a TV Diário exibe em 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT, logo após ‘Império’.
“Não dava mais para esconder. Não dava pra ficar nesse medo de me assumir. Eu não queria mentir para ele, queria que o meu filho crescesse sabendo que a mãe dele é lésbica e que isso não é nenhum problema”, explica ela. Kaetano, hoje aos 12 anos, vê a sexualidade da mãe com naturalidade e se tornou seu grande parceiro. “Ele é ariano e eu sou aquariana. Ou seja, volta e meia a gente se estranha. Mas ele é muito amoroso, autêntico e tem uma personalidade muito forte. Quando eu olho para ele, me vejo”, conta, emocionada.
Desde os 17 anos, quando saiu de casa pela primeira vez, Geisa viu nas pequenas reformas uma moeda de troca para negociar descontos nos aluguéis das casas onde morava. Uma pintura na parede, troca de torneira ou pequenos consertos rendiam algum dinheiro a mais no final do mês para a família. Vendo nesse “bico” uma possibilidade de renda, a carioca investiu nos estudos e na profissionalização. Fez curso de hidráulica, de construção e de elétrica e fundou, em 2015, a sua própria empresa, a Concreto Rosa, com serviço de mão de obra feminina especializada.
“Eu me inspirei na minha mãe, que era essa pessoa que se virava com o que tinha e fazia tudo dentro de casa. Ela levantou sozinha o barraco que a gente morava. Quando terminei o primeiro curso que fiz, eu queria ter um trabalho que de alguma forma conversasse com o ativismo, com a inserção da mulher no mercado de trabalho. Tem muita mulher apta e que não consegue se inserir nesse ramo”, finaliza.