Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

NULL NULL

Morre Régis Duprat, historiador que descobriu antigas partituras do Brasil em igrejas de Mogi

Aos 91 anos, faleceu o historiador e musicólogo Régis Duprat, o pesquisador que descobriu centenários manuscritos musicais encontrados em Mogi das Cruzes, considerados como os mais antigos registros da música colonial brasileira. Ele faleceu no domingo, em São Paulo. Entidades, amigos e publicações especializadas em música colonial e sacra lamentam a morte do pesquisador e […]

Por O Diário
20/12/2021 12h11, Atualizado há 688 meses

Aos 91 anos, faleceu o historiador e musicólogo Régis Duprat, o pesquisador que descobriu centenários manuscritos musicais encontrados em Mogi das Cruzes, considerados como os mais antigos registros da música colonial brasileira. Ele faleceu no domingo, em São Paulo. Entidades, amigos e publicações especializadas em música colonial e sacra lamentam a morte do pesquisador e autoridade em música brasileira.

Em Mogi das Cruzes, há alguns meses, começou a ser desenvolvido um projeto que busca registrar e divulgar a descoberta de Régis Duprat na cidade.

De autoria do músico e produtor cultural Wendell da Silva Miranda, o Deo Miranda, o estudo promete contar a história dessa pesquisa musical realizada entre documentos preservados nas Igrejas das Ordens 1ª e 3ª do Carmo.

Veja reportagem produzida pelo jornalista Darwin Valente sobre o projeto.

No início da década de 80 esse conjunto de partituras e manuscritos, possivelmente datados de 1730, foi classificado como o mais antigo do Brasil.

Segundo Deo Miranda contou a O Diário, “a maioria das diferentes peças musicais teria como autor Faustino do Prado Xavier, nascido na vila de “Sant’Anna das Cruzes de Moji”, em 1708, cuja formação musical foi lapidada nos contatos mantidos por ele com religiosos da época! (leia reportagem do acervo de O Diário).

As informações sobre a carreira e a obra de Duprat podem ser acompanhadas em reportagem da redação do site Concerto, que revisitou a trajetória do pensador da música brasileira reverenciado como um dos mais importantes do país, por seu engajamento “tanto com a defesa da nova criação quanto com o trabalho de resgate de obras e autores do período colonial”.

Com uma carreira com destaque, como instrumentista que participou em grupos brasileiros, de câmara ou sinfônicos, ele estudou História na Universidade de São Paulo, com professores como Sérgio Buarque de Holanda; na USP, Florestan Fernandes e de antropologia de Egon Shaden. Ele era especialista em Estética com Gilda de Melo e Souza.

Segundo o Concerto, em 1958, Duprat  encontrou o então manuscrito musical mais antigo do país, o Recitativo e Aria de compositor anônimo baiano, escrito em 1759.

Alguns anos mais tarde, por meio de suas pesquisas, ele descobriu o manuscrito musical de Mogi das Cruzes, datado de 1730, considerado, até agora, um dos mais antigos registros físicos já identificados. O acervo estava nas igrejas mogianas das Ordens Primeira e Terceira do Carmo.

Ele atuou em várias outras frentes da defesa da música colonial e brasileira. Uma dos estudos de destaque foi o levantamento da música da região do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo.

No livro Garimpo Musical, de 1985, publicado pela editora Novas Metas, ´Régis Duprat escreveu: “A História é uma ciência que se organiza em função da recuperação do passado. A rigor o passado poderia ser conhecido factualmente, sem nenhuma interpretação, sem mediação hermenêutica. Esta, porém, está implícita na própria identificação e valorização da documentação, que inapelavelmente se apresenta com carga semântica e constitui, como memória, uma ponte intergeracional. E mais do que isso, a memória se constitui justamente na potencialidade ou função psíquica que permite ao Homem produzir sentido através da ação de reconhecimento e identificação semântica, conferir signos identificáveis às coisas e por isso ter uma história. Agostinho já discernira isso quando, nas suas páginas citadas, afirma que “os pássaros também têm memória. De outro modo não saberiam regressar a suas tocas e a seus ninhos, nem fariam aquilo a que estão habituados. Sem a memória não poderiam construir hábito nenhum”. Assim também o Homem. […]”

 

Mais noticias

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 02/08/2026

8 signos que poderão ter surpresas no amor em agosto

Vai preparar salmão? Veja 3 receitas deliciosas para o fim de semana

Veja Também