Grupo Dona da Rua faz homenagem às mulheres compositoras do samba nesta quinta
Um show do grupo Dona da Rua, com a participação especial de Fabiana Cozza, marca a abertura do projeto Filhas do Samba, que leva seis atividades como apresentações e oficinas ao Sesc Mogi (clique aqui para ver a programação completa). O Diário conversou com as integrantes do Dona da Rua, que fará cinco atividades por […]
11/01/2023 17h17, Atualizado há 688 meses
Um show do grupo Dona da Rua, com a participação especial de Fabiana Cozza, marca a abertura do projeto Filhas do Samba, que leva seis atividades como apresentações e oficinas ao Sesc Mogi (clique aqui para ver a programação completa). O Diário conversou com as integrantes do Dona da Rua, que fará cinco atividades por lá ao longo do mês, sendo a primeira delas a apresentação desta quinta-feira (12), às 20 horas – de graça.
No Dona da Rua, Juliana Rodrigues (piano), Helô Ferreira (violão de 6 e 7 cordas) e Lívia Barros (voz) cantam e tocam a experiência da mulher diante de situações de discriminação de gênero, raça e classe social. Elas tem, inclusive, um disco recém-lançado, ‘Samba-Revolução‘, que pode ser ouvido nas principais plataformas digitais. E nesta quinta-feira (12), além da participação de Fabiana Cozza, elas estarão acompanhadas de Carol Preta (bateria).
LEIA TAMBÉM: “Dona da Rua” emociona com seu ativismo no palco
Inédita em solo mogiano, a apresentação da vez é ‘Donas do Samba’, que estreou em São José dos Campos, pelo Festival Cancioneiras, em 2020. A reportagem de O Diário teve acesso ao repertório, que segue em segredo para não estragar a surpresa. Mas o que pode e deve ser dito é que ele presta homenagem ao samba não apenas cantado, mas composto por mulheres.
“O show traz músicas compostas por sambistas mulheres, e um pouco da história das compositoras também. A gente tem por exemplo um pout pourri das décadas de 40 e 50, e comentamos sobre as compositoras que, lá atrás, faziam música como forma de insistir que essa narrativa de que nossa presença é rara e nova é uma farsa. É isso que faz com que a gente seja invisibilizada, mas batemos na tecla que estamos aqui e não é de hoje. A gente sempre esteve, então por isso é importante trazer as compositoras de ontem, de hoje e de amanhã”, define a pianista Juliana Rodrigues.
VEJA TAMBÉM: No dia do Samba (02/12), a TV Diário exibiu reportagem especial com o grupo Dona da Rua
Entre os nomes homenageados estão Jovelina Pérola Negra, Dona Ivone Lara e Leci Brandão. E tem composições também de Raquel Tobias, de São Paulo, e Marina Íris e Manu da Cuíca, que representam “uma nova safra de compositoras do Rio de Janeiro”.
Tudo surgiu a partir de uma pesquisa, ideia de Helô Ferreira (em destaque na foto acima), que seguiu para um trabalho coletivo. É o que conta Lívia Barros. “Trouxemos compositoras desde os anos 30/40/50/60, aquelas que vão passar por um período de muita resistência da composição, principalmente do samba, mas aquelas que se tornaram inclusive ícones, mas que não foram reconhecidas da maneira como deveriam”.
Exemplos, além dos nomes já citados, são Alcione e Elza Soares, que são muito exaltadas como intérpretes, mas não como letristas. E além delas há outras “mulheres negras que ao longo da história do samba e do Brasil são bastante subjugadas, ocupam não lugares de produção, de criação, de conhecimento, mas acabam um lugar subalternizado”.
Lívia explica que a “ideia é trazer essas compositoras para mostrar que sempre existiram, sempre estiveram ali compondo”. Isso porque “o samba é basicamente feito, criado, pensado pelas mulheres mais velhas, inclusive que estão gestando o samba nos seus quintais, na sua casa, no Brasil, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro ou na Bahia”.
É claro que não é possível recontar toda a história da composição, mas o Dona da Rua preparou um “recorte que vai falar de algumas compositoras que de certa forma abriram as portas, os caminhos para que outras viessem”.
Lívia dá ainda, mais uma justificativa para a ação. “Na música popular brasileira, as composições estão partindo de uma concepção, o olhar daquele que fala, que enuncia, então as compositoras estão contando narrativas que falam da nossa vida, de nós mulheres, das maneiras de se relacionar com amor, com religião, com afrodescendência, com negritude, então justamente esse olhar, a narrativa das mulheres no samba que tem sido importante pra gente, vai ser muito bonito”.
Participação especial de Fabiana Cozza
Vale destacar que nesta quinta-feira (12) o Dona da Rua estará acompanhado de Fabiana Cozza, que como a pianista Juliana Rodrigues diz, “dispensa comentários, sendo provavelmente a maior expoente do samba paulistano”.
“Essa parceria marca um momento importante da nossa carreira e história, porque a Fabiana certamente é uma referência no samba e não só como cantora, mas também como pensadora do samba de mulheres e ativista. Ela também foi minha professora de canto, é educadora que está pensando o samba em uma dimensão muito mais ampla de conhecimento”, completa Lívia Barros.
E Juliana complementa. “Ela é realmente muito representativa, nome de maior proeminência do cenário do samba paulistano. E vai estar com a gente, vai ser muito especial”, convida ela (Fabiana também ministrará uma oficina, ‘O Canto é Reza, no dia 17’ – clique aqui para ver detalhes).
Falando em oficina, o Dona da Rua terá outras atividades, como a pianista do grupo detalha. “Vamos ter uma oficina de batucada para mulheres, com Verô Borges e Dadá Samba no dia 24, um bate-papo ‘A roda de samba como território de saberes’ entre Manú da Cuíca e Marina Íris, mediado pela escritora, pesquisadora do samba e culturas negras Maitê Freitas, e ainda uma roda de samba no dia 26, que estabelece uma conexão entre o movimento Samba das Mulheres, que nasceu em Mogi das Cruzes em 2015 (clique aqui para ler sobre ele) e o Rio de Janeiro, com Manú da Cuica e Marina Íris interagindo com mulheres que compunham a roda original e outras convidadas”.