Festa do Divino termina hoje e deixa um “gosto de saudade”
A Festa do Divino é uma celebração que prepara os devotos para o Pentecostes – para os judeus, um momento de lembrar Moisés ao receber as tábuas da lei, para os cristãos, a descida do espírito santo sobre os apóstolos, 50 dias após a Páscoa. Esse período de preparo, neste ano, teve um sentimento: saudade […]
22/05/2021 17h29, Atualizado há 688 meses
A Festa do Divino é uma celebração que prepara os devotos para o Pentecostes – para os judeus, um momento de lembrar Moisés ao receber as tábuas da lei, para os cristãos, a descida do espírito santo sobre os apóstolos, 50 dias após a Páscoa.
Esse período de preparo, neste ano, teve um sentimento: saudade e religiosidade para muitos mogianos, como afirma o professor Josemir Ferraz de Campos. “A parte religiosa foi mais forte e teve a adesão das pessoas, pelas redes sociais”, comentou.
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Neste domingo , os últimos eventos alvorada (5 horas), a benção do Santíssimo e do Divino nos hospitais da cidade (10 horas), uma carretada entre Sabaúna e Jundiapeba (14 horas), e a celebração de encerramento desta jornada, com missa do bispo diocesano, dom Pedro Luiz Stringhini (17h30).
Reza online
Nascida na Espanha, a rezadeira Maria Selva Martinez Fernandes Scotton se emociona ao falar sobre o hiato de dois anos, criado pela Covid-19. “Sinto até falta de ar, quando acordo na madrugada”, diz, ao lembrar das alvoradas que não pode frequentar como fazia no passado. Há 16 anos, como rezadeira, Maria Selva foi resistente, a princípio, à ideia de uma reza virtual. Com o estímulo dado pelo padre Claudio Delfino, agora, em Braz Cubas, e da neta, Maria Eduarda, ela aderiu ao WhatsApp, para reunir, todas as noites, seis famílias. “´´E uma emoção que eu não esperava sentir.
Pensei que a reza seria impessoal, e, ser rezadeira, e algo pessoal, muito íntimo, porque você entra na casa de uma família. Mas, vi, que pensava errado”. Ela reuniu mais de 45 famílias, neste ano. Antes da pandemia, ela percorria mais ou menos, 90 casas. Apesar do acerto do online, ela admite que algumas pessoas ainda têm dificuldades de coneOKxão e manejo da rede social. “O Divino segue forte e une as pessoas como antes (da pandemia)”.
“Estou com saudades’
Ex-festeiro e um dos fundadores da Associação Pró-Festa do Divino, o professor Josemir Ferraz de Campos destaca dois acertos do evento em tempos de isolamento social. As alternativas criadas como o Império, no estilo drive thru, que permitiu a presença do devoto em um dos cenários folclórico típico desta manifestação que prepara os católicos para a festa de Pentecostes, domingo. “Foi fantástica a ideia dos festeiros porque permitiu o devoto participar, sem aglomeração”. Outro acerto, diz, foi a possibilidade de se acompanhar novenas e alvoradas pelas redes sociais.
“O uso desses meios veio para ficar, Não terá volta. A Festa do Divino é vista em qualquer lugar do mundo, a internet não tem fronteira”. Para Josemir, a marca desta edição é a do saudosismo. Perto dos 80 anos, o professor tomou as duas vacinas contra a Covid. Foi a duas novenas. E admite que a frase mais ouvida das outras pessoas é: “estou com saudades da Festa”, o que o credencia a falar que, 2022, se houver condições sanitárias, o evento poderá ser maior do que no passado.
Foi positivo
Com a lotação máxima de 200 pessoas em cada alvorada e novena, o festeiro Mauro de Assis Margarido, o vereador Maurinho, fez um balanço favorável da principal evento da agenda católica e popular da cidade. Ele considerou favorável, a possibilidade de, neste ano, receber mais devotos do que ano passado, e também favorecer a passagem das pessoas pelo Império, e o contato com os festeiros durante as carreatas, que arrecadaram cerca de 7 toneladas de alimentos. “Foi muito positivo”, acentuou, o retorno das pessoas nas transmissões das redes sociais que tiveram maior audiência do que em 2020, quando o modelo online foi testado pela Festa do Divino de Mogi das Cruzes
Recorde batido
Na site Igreja na Mídia, e na página da Catedral de Santana, as transmissões de celebrações da novena e alvorada bateram recordes em comparação com o ano passado, quando a parte religiosa da Festa ainda tinha mais restrição: apenas padres e festeiros estavam presencialmente no templo. Segundo Eduardo dos Santos, responsável por essas duas redes, no dia da abertura da Festa, três mil pessoas postaram comentários e, nos outros dias, destaca ele, a audiência era formada por mogianos, mas também por muitas pessoas de estados de outras regiões brasileiras. Antigo devoto, Eduardo conta que o modelo online deverá ser ainda mais fortalecido, mas admite que o presencial faz toda a diferença. “A presença das pessoas, com as bandeiras, e as caminhas pelas ruas da cidade, são o que fazem a Festado do Divino ser tão forte e especial”. Esse modelo, espera-se, poderá ser retomado no ano que vem. Neste domingo, no entanto, a programação segue restrita a quem agendou a presenças nas últimas alvoradas e rezas da novena de 2021.