Família de Mogi distribui o “Feijão Divininho”
Divulgada agora pela família Ribeiro Pinhal, uma história baseada em lendas contadas pelos antigos pode se tornar uma nova tradição na Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes. Esta, pelo menos, é a vontade da família. Plantado por Moatan Ribeiro Pinhal, o ‘Feijão Divininho’ está sendo distribuído na cidade por seu pai, o […]
19/05/2021 13h31, Atualizado há 688 meses
Divulgada agora pela família Ribeiro Pinhal, uma história baseada em lendas contadas pelos antigos pode se tornar uma nova tradição na Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes. Esta, pelo menos, é a vontade da família. Plantado por Moatan Ribeiro Pinhal, o ‘Feijão Divininho’ está sendo distribuído na cidade por seu pai, o arquiteto e urbanista Paulo Pinhal.
A entrega se baseia em uma história que conta que, anos atrás, na época da Festa do Divino os agricultores doavam alimentos para a “charola” – que é o um dos andores da Entrada dos Palmitos – como agradecimento pela safra do ano anterior e, ao final da celebração, os produtos eram distribuídos entre os devotos.
Em um determinado ano, um agricultor teve problemas com a sua plantação e para não deixar de colaborar com a charola levou apenas sete feijões que representavam os dons do Divino: Fortaleza, Sabedoria, Entendimento, Ciência, Conselho, Piedade e Temor de Deus.
Quando, com vergonha, foi colocar os sete feijões, uma voz veio de dentro dele dizendo que, ao invés dele fazer aquela doação, ele deveria plantar aqueles feijões, pois teria sucesso. Assim ele fez e conseguiu ao longo do ano uma produção de muitos quilos de feijão. Mas um detalhe o impressionou ainda mais: as sementes tinham o desenho do Divino.
“Com o meu filho aconteceu algo semelhante, porque a minha esposa deu 14 sementes para ele do Feijão Divininho e ele, que é produtor, plantou todas. O resultado foi muito bom, porque ele conseguiu 15 quilos de feijão a partir daquelas 14 sementes. Então, nós queremos promover essa multiplicação, queremos que as pessoas também tenham fartura”, afirma Paulo.
Ele conta ainda que em conversas com outros agricultores mais antigos, Moatan descobriu que eles costumavam ver bastante esse grão durante a infância, mas que anos depois ele sumiu das plantações. Essa distribuição é também uma maneira de reviver o cultivo deste tipo de feijão.
“Nosso objetivo nessa distribuição é de que as pessoas possam ganhar essas sementes de feijão e possam plantar, porque não é difícil e que isso possa ser multiplicado. O sonho é ainda maior, para que daqui alguns anos a gente encontre esse feijão no Mercadão e, de repente, vire uma referência na cidade esse feijão Divino. Nós já comemos bastante e sabemos que ele é saboroso e, ao mesmo tempo, a gente também faz uma relação com o próprio momento que a gente está vivendo, as dificuldades das pessoas, algumas passando fome e com necessidade de cestas básicas. Isso também é uma maneira de tentar ajudar”, revela o pai.
Para aqueles que desejam receber o saquinho com os grãos, Paulo orienta que as pessoas realmente façam a plantação e que não peguem os feijões apenas para serem guardados. Fazer isso, inclusive, remete à lenda antiga, já que o agricultor decidiu fazer o plantio e conseguiu uma boa colheita para todo o ano.
“Tomara que a gente crie mais uma tradição para a festa do Divino. Fizemos 300 pacotinhos, com sete semente em cada. Se tudo isso vingar imagina quantos vamos ter depois. Todas as notícias sobre o cultivo deixam a gente feliz e temos o envolvimento da nossa família inteira nesse processo de fazer algo que alimente e valorize a fé da pessoa. Sa gente não trabalhar a fé a gente não aguenta levar a vida desse jeito que está. A fé que, de certa forma, nos dá equilíbrio”, finaliza o arquiteto.