Em ‘Caderninhos do Cotidiano’, mogiano Gabriel Coiso desenha, ensina e provoca reflexão
“Aprender”, de acordo com o dicionário, quer dizer “adquirir conhecimento (de), a partir de estudo; instruir-se”. Já “apreender” significa “assimilar mentalmente, abarcar com profundidade; compreender, captar”. Uma boa pergunta é: como se aprende a apreender? A resposta pode estar na programação da mostra online “Caderninhos do Cotidiano’, do professor. produtor cultural, artista plástico e visual, ilustrador […]
21/12/2021 07h20, Atualizado há 688 meses
“Aprender”, de acordo com o dicionário, quer dizer “adquirir conhecimento (de), a partir de estudo; instruir-se”. Já “apreender” significa “assimilar mentalmente, abarcar com profundidade; compreender, captar”. Uma boa pergunta é: como se aprende a apreender? A resposta pode estar na programação da mostra online “Caderninhos do Cotidiano’, do professor.
produtor cultural, artista plástico e visual, ilustrador e escritor mogiano Gabriel Coiso, que acontecerá às 20 horas desta terça-feira (21), pelo Instagram.
“É muito comum vivermos experiências incríveis em nosso dia a dia, e tão comum quanto vivê-las, é não as notarmos plenamente: a velocidade do cotidiano, o acúmulo de afazeres, os olhos sempre vidrados nas redes sociais. Vivemos e usufruímos do mundo, mas, desatentos, não vivemos ‘para o mundo'”, começa a explicar o criador da agenda.
“Será que não podemos entender melhor as realidades à nossa volta, e a nós mesmos, se mantivermos um olhar atento para estes acontecimentos e experiências que, em geral, não são notados ou pensados?”, instiga ele, que pretende ensinar justamente isto. Afinal, o substítulo da mostra ‘Caderninhos do Cotidiano’ é “aprender a aprender”.
Na programação há três linguagens de desenho desenvolvidas por Gabriel Coiso nos últimos quatro anos (leia mais sobre elas abaixo). “Todas têm em comum o que é gerador aos traços: perceber, apreender e interpretar ações, sensações e caminhos do cotidiano, registrando-os de forma ilustrada em caderninhos de bolso”, explica o criador, como um convite.
No primeiro dos vídeos, já disponível no YouTube do coletivo Poranduba Cultural (entidade que promove festivais e eventos em Mogi das
Cruzes e região desde 2005), com estrutura e estética de documentário, ele próprio conduz o espectador por seu universo criativo, comentando detalhes e referências sobre as técnicas.
E no segundo, que será lançado às 20 horas desta terça-feira (21) pelo Instagram de Gabriel Coiso, serão apresentados painéis “em que foram organizadas centenas de desenhos retirados dos caderninhos e que compõem a mostra, em si”. A dinâmica acontecerá em formato live.
Tanto no vídeo gravado como no ao vivo, o “visitante”, que aqui não é apenas um “espectador”, será apresentado a “ilustrações e processos artísticos” que convidam “a registrar e refletir sobre sua própria experiência no mundo, deslocando o olhar para diferentes aspectos da vida social”. Em outras palavras, “é um convite para novos olhares, sentimentos e pensares sobre ações cotidianas, e, claro, sobre a própria arte de “estar no mundo'”.
A mostra “Caderninhos do Cotidiano: Aprender a Apreender” é financiada pela Prefeitura de Mogi, por meio do Programa de Fomento à Arte e Cultura de Mogi das Cruzes (Profac).
Três linguagens
A seguir, uma explicação formulada pelo autor – Gabriel Moreira Monteiro Bocchi (nas artes conhecido como Gabriel Coiso), que é cientista social, com mestrado em Antropologia Social, professor de Filosofia, Geografia, História e Sociologia e coleciona 17 anos de projetos artísticos – sobre as linguagens de desenho que compõem a mostra:
Linguagem 1: Passo-Traço.
Voltada ao registro de trajetos utilizando traços e pontos para descrever a
criação de noções de localização espacial e, sobretudo, afetiva, pelos espaços urbanos.
Linguagem 2: Eletrocardiograma de meios de transporte.
Desenhos desenvolvidos nos meios de transporte em que registra-se os
movimentos involuntários realizados pelo corpo durante deslocamentos em ônibus, metrôs, carros e trens. Quem segura a caneta e o caderno sou eu, mas quem desenha, são as curvas, os trilhos, as lombadas.
Linguagem 3: Trajetos desenhados.
Nesta linguagem, o “Passo-traço” e os “Eletrocardiogramas” se encontram
com desenhos iconográficos, imaginários e simbólicos, para criar diários ilustrados de acontecimentos do dia a dia.