Comphap denuncia invasões e cobra proteção do Casarão dos Duque
Duas denúncias recebidas pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Paisagístico (Comphap) neste início do ano indicam a desaceleração dos esforços para a proteção do Casarão dos Duque, localizado no bairro Mogi das Cruzes. Tombado como patrimônio da cidade, o casario tem infiltrações, perdeu partes de partes e do telhado, o que contribui para […]
24/02/2023 13h04, Atualizado há 688 meses
Duas denúncias recebidas pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Paisagístico (Comphap) neste início do ano indicam a desaceleração dos esforços para a proteção do Casarão dos Duque, localizado no bairro Mogi das Cruzes. Tombado como patrimônio da cidade, o casario tem infiltrações, perdeu partes de partes e do telhado, o que contribui para ampliar a precariedade da estrutura que carece de conservação e preservação.
Na noite desta quinta-feira (23), a presidente do órgão, a arquiteta Ana Maria Abreu Sandim, vistoriou o local e constatou a facilidade para a ação de vândalos, que entram por um portão à noite. Denúncias chegam ao órgão sobre a continuidade de invasões à propriedade que, no passado, foi uma fazenda de café. Há dificuldades no diálogo com os proprietários para garantir a sobrevida do exemplar arquitetônico de uma Mogi cada vez mais conhecida por fotografias e memórias.
O Casarão dos Duque foi tombado como patrimônio histórico municipal em 2020. Mas, está longe, por exemplo, de ser restaurado e voltar a ser ocupado.
Além das chuvas, que ampliam esse estado de agonia, o casarão já teve telhas e outras estruturas retiradas e até incendiadas, como O Diário já divulgou. Há tempos, vizinhos relatam a ação de pessoas que entram no imóvel, o que preocupa Ana Sandim e os conselheiros do Comphap.
A Prefeitura já aprovou em 2021 a instalação de uma cobertura metálica para reduzir a deterioração do casario, mas, a execução do projeto ainda não foi iniciada.
À época, o trabalho estava orçado em cerca de R$ 500 mil – o problema é que a promessa não saiu do papel (reveja reportagem aqui).
Ana Sandim tem cobrado a aceleração dessa medida, mas não tem obtido muito sucesso junto à Prefeitura.
No ano passado, o assunto rendeu discussões e um protesto realizado durante a “Desvirada Cultural”, realizada por artistas e entidades ligadas à preservação do patrimônio histórico de Mogi das Cruzes.
Segundo a professora e arquiteta, “com um período de chuvas intensas e o Casarão ainda se encontra desprotegido mesmo com a autorização para a construção da estrutura metálica, conforme despacho da Procuradoria do Município”.
Em resposta a um pedido de informação feito pelo Comphap, a procuradora municipal não indica uma data para a instalação da cobertura – que seria um meio de se garantir a contenção da destruição, evidenciada por fotografias do lugar.
Nesta semana, um morador fez novo alerta, afirmando que pessoas estranhas estariam entrando no imóvel para “derrubá-lo a noite”.
A arquita afirma que além das obras já autorizadas não terem começado antes do período de chuvas, respostas aos pedidos de fiscalização e do fechamento de um portão, por onde, os vândalos entram, não foram atendidos.
Enquanto isso, resume “o prédio vai sofrendo ações de vândalos e da chuva”, corroendo ainda mais a estrutura construtiva que já está bastante dilacerada.
O Diário solicitou informações sobre providências que serão tomadas pela Prefeitura, e aguarda reposta para atualizar a reportagem.
Antigo
A tentativa de se preservar o Casarão dos Duque ocorre há alguns anos. Já houve um acordo com os proprietários do imóvel que pretendem construír um empreendimento imobiliário no terreno, porém, as regras acordadas foram violados. O processo, então, foi levado à Justiça, que reconheceu a autoridade da Prefeitura e do Comphap para proteger esse patrimônio histórico.
O problema é que, os meses vão se passando, os verões chegam, e as medidas efetivas para restaurar o prédio não saem do campo das promessas.
Enquanto isso, o tempo, e a ação de vândalos tratam de colocar em risco o interesse do município em garantir, para o futuro, a manutenção desse registro histórico único.