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Com risco de desabar, Casarão dos Duque foi destaque da “Desvirada Cultural”

Vindos da rua Deodato Wertheimer, artistas param em frente ao muro de pedras do Casarão dos Duque. Todos acendem velas na calçada, em protesto contra o abandono do patrimônio histórico de Mogi das Cruzes, que corre o risco de desabar a qualquer momento. Em seguida, lêem um manifesto, documento que protesta contra a falta de […]

Por O Diário
02/08/2022 17h13, Atualizado há 689 meses

Vindos da rua Deodato Wertheimer, artistas param em frente ao muro de pedras do Casarão dos Duque. Todos acendem velas na calçada, em protesto contra o abandono do patrimônio histórico de Mogi das Cruzes, que corre o risco de desabar a qualquer momento. Em seguida, lêem um manifesto, documento que protesta contra a falta de investimentos e de um olhar mais atento à cultura local. A leitura dá abertura para que uma bacia com água seja colocada diante das velas. Em um ato simbólico de resguardo, os presentes lavam a parte central do muro. As luzes então são apagadas e as mãos dadas, contornando o imóvel. Na entrada do endereço, uma guia de turismo fala, então, sobre os aspectos históricos e culturais do endereço. Somente então todos seguem para o cortejo no Largo do Rosário, em silêncio.

Essa é a descrição da abertura e também primeira atividade da ‘DesVirada Cultural’, agenda organizada pela classe artística na cidade, que promoveu, como forma de protesto, 24 horas de atrações ininterruptas, simultâneas, descentralizadas e gratuitas na cidade no último final de semana.

O ato que marcou o início da programação aconteceu às 18 horas do último sábado. A profissional da área de turismo citada acima é Debora Mello, do projeto ‘Mogi Por Dentro’. Ali, ela deu início a um ciclo de contação de histórias e memórias afetivas e culturais que se estendeu até as 18 horas do domingo, com atrações circenses, teatrais, musicais, sociais, de dança e muito mais.

Significa muito constatar que mesmo em péssimas condições de preservação o Casarão dos Duque tenha sido, mais uma vez, palco para algo simbólico. Mas não há como negar: as condições e a “qualidade de vida” do prédio estão de mal a pior. Em junho, O Diário mostrou que o local, que ainda guarda traços arquitetônicos remanescentes do período colonial, inclusive sobre incursão da cidade no cultivo do café, já apresentava “grande risco de desabar”.

A situação é admitida pela Prefeitura de Mogi, que apesar de realizar medidas de limpeza, zeladoria, proteção ambiental, segurança e vigilância, pouco ou quase nada tem feito para preservar o imóvel, que é objeto de uma disputa judicial que vem travando qualquer tipo de ação emergencial.

Nem o tombamento do Casarão dos Duque pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico e Paisagístico (Comphap) tem representado forças para manter o imóvel de pé.

Há que se dizer, porém, que existe uma comissão técnica que acompanha os processos relacionados ao imóvel. Mas a restauração não é tão simples como se poderia pensar.  A disputa judicial citada acima é favorável aos proprietários.

Em maio de 2021, a Justiça de Mogi das Cruzes autorizou a Prefeitura a ingressar no interior do prédio e “providenciar todas as medidas necessárias para a preservação do imóvel, com a realização das benfeitorias necessárias à sua conservação, cujos valores serão cobrados, posteriormente, da empresa proprietária”.

Contudo, o que o município afirmou, em extensa nota enviada a O Diário, é que o poder público “está impedido, por meio da justiça, de efetivar qualquer adequação que denote investimento por se tratar de área privada”.

Novamente procurada por este jornal na segunda-feira (1º de agosto), a administração disse que “por ora, nenhuma novidade”. Por isso, permanece atual a reportagem publicada em 15 de junho. De lá para cá, 47 dias se passaram, e como o texto havia cravado, com exceção do ato simbólico da ‘DesVirada Cultural’, pouco ou quase nada foi feito.

A Prefeitura já havia identificado, em maio último, que “o Casarão está mais fragilizado e com risco de perecimento devido a taipa molhada por causa das chuvas, apresentando maior peso e risco de desabamento”.

Talvez o período de secas – que favorece o aumento das queimadas, aliás – esteja protegendo o endereço. A administração municipal não nega a situação. Pelo contrário.

As respostas enviadas em junho a O Diário mostram que a visão do governo é a mesma dos artistas:  “é visível o avanço nos estragos do telhado e a consequência de sua queda nas estruturas internas do imóvel”.

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