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Com muita criatividade, grupos culturais de Mogi estão de volta ao presencial

A história de ‘Romeu e Julieta’ foi escrita entre 1591 e 1595, mas segue atual e relevante. Exemplo disso é o fato de que, quatro séculos depois, quando Mogi das Cruzes e o mundo se preparam para dar os primeiros passos em direção ao que parece ser o fim da pandemia de Covid-19, grupos de […]

Por O Diário
02/10/2021 08h50, Atualizado há 688 meses

A história de ‘Romeu e Julieta’ foi escrita entre 1591 e 1595, mas segue atual e relevante. Exemplo disso é o fato de que, quatro séculos depois, quando Mogi das Cruzes e o mundo se preparam para dar os primeiros passos em direção ao que parece ser o fim da pandemia de Covid-19, grupos de diferentes setores culturais da cidade se inspiram na tragédia escrita por William Shakespeare para finalmente voltar aos palcos.

O setor cultural flerta com o retorno há bastante tempo. As lives, muito populares quando o novo coronavírus surgiu, logo perderam a capacidade de engajar o público. Desde então, trupes de teatro, bandas, companhias de dança e outros tantos coletivos e artistas solo, como músicos, pintores, escultores e muito mais, sofrem para continuar sobrevivendo.

Esta reportagem reúne os planos de alguns destes grupos, que embora continuem considerando regras de distanciamento social e segurança, começam a dar os primeiros passos em direção ao reencontro com o público.

A Escola de Artes Ousadia, no Centro de Mogi, tem uma programação de cursos, workshops, oficinas e eventos, sempre para público restrito, com no máximo 25 pessoas. Faz parte do planejamento, para 2022, uma nova peça teatral, baseada no texto de ‘Romeu e Julieta’.

Representando a dança, a Companhia Lótus, também na área central, acaba de retomar aulas presenciais em diferentes modalidades. Além disso, colhe os frutos de todos os ensaios realizados em casa, já que ganhou seis prêmios no Festival Alto Tietê Mogi das Cruzes em Dança, realizado no último mês de setembro. O retorno envolve a preparação de um espetáculo inspirado na obra de Shakespeare, pela Companhia WN7, que integra o grupo.

E a banda Segundo Início, que acumula quase duas milhões de visualizações no YouTube, aposta em um single romântico para subir novamente em palcos da região. Lançada há seis dias, ‘Camisola Rosa Choque’ fala de uma história de amor que, mesmo interrompida pelas pressões da sociedade, fica marcada para sempre na vida das pessoas. É como uma nova interpretação da clássica tragédia.

 

Eventos para poucos

A Escola de Artes Ousadia está de volta com pequenas turmas para cursos de teatro, circo e outras modalidades, além de eventos culturais. Uma das ações é a ‘Noite Intimista’, que acontece duas vezes por mês, às sextas-feiras. 

Desde junho,  a gestora Erika Capella diz que vem ouvindo, dos artistas, que a agenda marcou o “primeiro show presencial” em muito tempo. É o caso de Rui Ponciano, por exemplo. “Também tivemos humor e outros espetáculos que propiciaram ao artista o prazer em trocar energia com o público, e ao público, a possibilidade de começar a sair”.

A comédia, aliás, foi tema de um workshop na semana passada. E agora a técnica de iluminação é tema de um novo curso, que será ministrado por Tomate Saraiva, em oito encontros mais duas oficinas de estágio. As inscrições estão abertas.

E vem aí uma série de novidades, inclusive uma peça de teatro infantil e original e um espetáculo mais adulto, baseado no texto de Romeu e Julieta. A estreia será em 2022.

 

Música nova marca retorno

É com um clipe inédito que a banda Segundo Início, formada pelos mogianos Paulo Vecchio (voz) e Alan Domingues (guitarra) e também por Claytin (baixo) e Allan Mello (bateria), volta, cheia de energia. Diferente do último single, ‘Fala Sério’, que estreou poucas semanas antes da pandemia, ‘Camisola Rosa Choque’ é uma música romântica, que mostra um amor interrompido por uma série de motivos. Lembra os desentendimentos entre Montecchios e Capuletos.

Com participação do ator Nicholas Torres, intérprete do personagem Jaiminho na novela ‘Carrossel’, e da modelo Aline Bernardes, a música mostra as cinco fases do luto: “negação, raiva, negociação, depressão e, por fim, a aceitação que permite que a vida siga em frente”. Tudo isso é apresentado em um prédio demolido, “em frangalhos”, como o relacionamento da canção. “É um som mais maduro. Esse é o trabalho que a gente alcançou maior profissionalismo. Curtimos muito fazer”, afirma o vocalista, Paulo Vecchio.

A Segundo Início fez apenas uma live durante a pandemia, mas com o novo single, a banda “procura casas da região para tocar”. E além da nova faixa, o público pode esperar mais lançamentos, inclusive um EP, para os próximos meses. 

 

Foco na readaptação

As companhias Lótus, de dança, e WN7, de teatro, acabam de iniciar o retorno presencial. Já acontecem os primeiros encontros de dança do ventre, e muito em breve iniciam turmas de dança de rua, de salão, dança-terapia, balé, jazz, contemporâneo e outras modalidades, como cigano e flamenco.

Neste momento, Walter Netto, gestor de ambos os grupos, diz que o foco está na readaptação. “Não adianta forçar a barra. Estou vendo profissionais de longa data se cansarem no palco”, comenta ele, que, sentindo o peso da pandemia, tem promovido a socialização em turmas reduzidas.

Enquanto coordena as aulas de dança, ele também se reúne com outros atores para planejar o futuro. “Quero me jogar de novo no palco. Temos ‘Navalha na Carne’, ‘Romeu e Julieta’ e ainda outros espetáculos”, promete. A intenção é levar tudo isso para endereços da cidade, a exemplo das bem sucedidas performances da companhia no Festival Alto Tietê Mogi das Cruzes em Dança.

E outra aposta é, ainda, um podcast sobre teatro, que deve estrear em breve.

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