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Com a banda de um homem só, mogiano Danilo Sevali já tocou em oito países

Agendar shows. Preparar o material. Negociar cachês. Tocar guitarra e bateria. Cantar. Dormir. Repetir. Essa foi a rotina do mogiano Danilo Sevali entre maio e julho deste ano, quando fez uma turnê pela Europa. Nestes meses ele esteve em oito países: Portugal, Espanha, Itália, Croácia, Eslovênia, Suíça, Alemanha e Holanda. Excursionando sozinho, apresentou o projeto […]

Por O Diário
28/10/2022 14h10, Atualizado há 689 meses

Agendar shows. Preparar o material. Negociar cachês. Tocar guitarra e bateria. Cantar. Dormir. Repetir. Essa foi a rotina do mogiano Danilo Sevali entre maio e julho deste ano, quando fez uma turnê pela Europa. Nestes meses ele esteve em oito países: Portugal, Espanha, Itália, Croácia, Eslovênia, Suíça, Alemanha e Holanda. Excursionando sozinho, apresentou o projeto D. Selvagi, uma banda de um homem só. E gostou tanto que já prepara a próxima viagem.

A primeira passagem aérea, para Lisboa, já estava adquirida, na verdade, desde antes da pandemia de Covid-19. Mas os adiamentos impostos pelo coronavírus fizeram com que a viagem fosse remarcada várias vezes.
Foi no final de 2021 que “apareceu a primeira perspectiva positiva”, conta Danilo, que fez contato com produtores de Lisboa com quem já havia falado no ano anterior. Reafirmou as datas, fez as malas e foi. Dali em diante, muita coisa foi se desenrolando de forma natural.

Após tocar em um bar, o músico conhecia outro local, e outro, e então mais um. Ia, assim, desenhando uma turnê que já tinha certos endereços confirmados, mas que dependia de esforço para dar certo como deu, ao ponto de render lucro ao artista.

“Tive essa data em Lisboa e comecei a fechar shows na Espanha, principalmente em Madrid. Felizmente, em todos estes anos trabalhando com música, fui criando uma grande rede de produtores, amigos, parceiros”, conta ele.

Danilo, guitarra e bateria dormiram em diferentes lugares. “Casa de pessoas, hostels, hoteis. Passei muito bem”, comemora o excursionista, que além de exportar a própria arte para a Europa também aproveitou para colecionar histórias.

“Foi um rolê longo. Tinha lugares em que as casas de shows tinham alojamento, como no interior da Croácia, um cenário muito diferente, bastante impactante, atrás de um bar, um baita bar. Era uma espécie de camarim, acomodação muito massa, extremamente confortável”.
Outro país que o recebeu bem foi a Holanda. “Pude me apresentar em uma cidade que queria muito conhecer: Amsterdã. Os shows que rolaram lá foram incríveis. Fui muito bem recebido e os holandeses entenderam muito o som”.

Com força indie, a música de Danilo, que já tem experiência em várias bandas, sendo a mais recente a Hierofante Púrpura, que experimentou um novo estilo em 2020, com o disco ‘Impermanências Lofi’, é quase sempre sobre críticas e reflexões, mas também sobre o que vem à cabeça.
Exemplo disso é a faixa ‘Linha Onze (Trem Lotado)’, em que ele vai cantando sobre as estações da CPTM estarem lotadas. E os gringos ouviram isso, em português mesmo, o que só foi possível porque sozinho,

Danilo teve a liberdade que queria e precisava, não apenas de decisões mas de grana também. “Tudo é mais viável sendo uma one man band”. 
Sendo assim, ele é muito grato a parceiros, como a esposa Helena Duarte, que o apoiou e acompanhou, e também o amigo Roger Duran, que tem outra banda de um homem só, ‘Extreme Blues Dog’. 

Brasileiro que vive na Itália, este último nome abriu portas italianas para Danilo, que vem “de família italiana” e pode se reconhecer por lá.
O nome do álbum que ele apresentou no Hemisfério Norte é ‘On the Road to Ixtlan’, e funciona como a chave para a mente de Danilo. Ou melhor, de D. Selvagi. “Gosto muito de literatura, e misturei dois atores: Jack Kerouac, com ‘On the Road’, e Carlos Castaneda, com temas como xamanismo, magia e bruxaria”.

Se ficou confuso, a arte de capa, assinada pelo ilustrador nordestino Cristiano Soares (veja abaixo), pode ajudar. Em uma construção oriental e muito colorida, Danilo aparece subindo escadas em direção a uma porta branca. É como se ele estivesse mergulhando nos próprios pensamentos.
A melhor maneira de entender é ouvir, e isso é fácil.A discografia de D. Selvagi está disponível nas plataformas digitais, e o artista está na ativa.

Além de se dedicar também ao cinema, tendo lançado recentemente o documentário ‘Dina 90’, que celebra os 90 anos de uma senhora muito querida, ele vai tocar neste fim de semana em São Paulo. E já prepara, para dezembro, uma próxima turnê, agora pela América do Sul, começando pelo Sul do Brasil e indo em direção a Argentina, Uruguai e onde mais a música e a vida o levar.

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