Casa do Jequitibá é o mais novo espaço cultural de Mogi
“Uma casa de artistas. Uma casa de arte. Esse é o tema principal”, define Paulo Betzler. Percussionista, educador musical e agora gestor cultural, ele se prepara para, na próxima quarta-feira (27), inaugurar a Casa do Jequitibá. Na área da central da cidade, o espaço receberá exposições, shows, espetáculos e outras atividades protagonizadas por artistas mogianos. […]
23/10/2021 15h27, Atualizado há 688 meses
“Uma casa de artistas. Uma casa de arte. Esse é o tema principal”, define Paulo Betzler. Percussionista, educador musical e agora gestor cultural, ele se prepara para, na próxima quarta-feira (27), inaugurar a Casa do Jequitibá. Na área da central da cidade, o espaço receberá exposições, shows, espetáculos e outras atividades protagonizadas por artistas mogianos.
O ponto é tradicional: número 914 da rua Barão de Jaceguai, no Largo Bom Jesus, bem no Centro de Mogi das Cruzes. Imediatamente à frente de um quase centenário Jequitibá, que dá nome a casa. Paulo está “recebendo o bastão” de outra gestora, Sandra Vianna, que encerra a passagem do Canto de Cabocla pelo endereço (leia mais abaixo).
Além do palco para trabalhos autorais, a Casa do Jequitibá herdará outra característica do Canto. A proposta de unir a gastronomia – “arte que emociona e une” – à música, teatro, dança, literatura. A melhor maneira de entender o espírito do projeto é analisar a agenda de inauguração.
Tudo começa às 18 horas da quarta-feira (27). A cultura estará logo na entrada, com uma obra de Mauricio Chaer, que também decora o interior do espaço. E a música começa duas horas depois, se encerrando à meia noite.
A primeira artista a se apresentar será Bia Mello, com canções do disco ‘Supernova’ e outros trabalhos que mesclam ritmos latinos com outros estilos.
No dia seguinte (28), Valéria Custódio chegará à Casa do Jequitibá, com os sucessos de ‘Púrpura’ e músicas novas também. Na última semana, O Diário mostrou que ela está iniciando uma nova fase, aliás.
Depois, Evandro dos Reis subirá ao palco, na sexta-feira (29). Além de faixas da banda ‘Matuto Baião’, ele tocará parte de seu disco mais recente, ‘Janelas’; e no sábado (30), “dispensa apresentações”, como diz o responsável pela casa, o artista Rui Ponciano, com quem ele se apresentará.
Paulo também tocará no domingo (31), ao lado de Waldir Vera, a quem considera “representante legítimo da música mineira em Mogi”; e na segunda-feira (01/11), em parceria com Guilherme Bandeira, que trará para o espaço “aquela coisa toda do samba”, além da tradição da música autoral.
Como se boa comida – o cardápio tem panquecas, porções e outras opções, inclusive vegetarianas – e boa música não fossem suficiente, a Casa do Jequitibá oferecerá mais. Já neste primeiro momento, o espaço conta com duas exposições artísticas. Em ‘Do Mar ao o Sertão’, a fotógrafa Lethicia Galo apresenta cliques feitos “pelo sertão e pelos mares do Brasil”. E a arte do já citado Mauricio Chaer poderá ser consumida dentro e fora da casa. No local, será possível adquirir obras de ambos.
Também são atração os mais de 100 discos da coleção pessoal de Paulo Betzler. Consumidor de tudo o que é gravado em Mogi e/ou por mogianos, ele deixará os CDs expostos no local. Como em uma biblioteca, será possível folhear os encartes, observar as fotos que estampam a capa dos álbuns. Apreciar.
A Casa do Jequitibá foi pensada para ter eventos itinerantes, então outras ações já estão sendo planejadas. Está nos planos, para novembro, um show de Khalil Magno, um sarau com apresentações de dança e teatro e mais uma edição da tradicional “Patuskada”, por exemplo.
Tudo isso poderá ser consumido, apreciado, visto, ouvido e sentido por uma entrada de R$ 10 por pessoa, valor que será repassado integralmente ao músico que se apresentar no local.
“Eu, como músico de 30 anos, já passei por tantas casas, tantos palcos, já vivi tanta coisa na noite, que o que eu vi de errado quero tentar fazer certo dessa vez. Quero que o artista entre aqui como artista. Vai ser respeitado, apresentado antes de subir no palco. Quero criar um ritual de reconhecimento à arte da grandiosa pessoa que veio compartilhar sua história e vivência, que veio se colocar à disposição para a cura por meio da música e da arte”, finaliza Paulo Betzler, feliz em iniciar um novo capítulo em sua longa história com a arte e cultura de Mogi.
Respeito à história, à arte e à natureza
Conhecido como o “gigante da floresta”, o Jequitibá é a maior e a mais nobre árvore da Mata Atlântica. O exemplar que está no Largo Bom Jesus, em Mogi, embeleza o local há 98 anos. É, portanto, quintal do número 914 da Rua Barão de Jaceguai há muito tempo.
“O dono passou a infância aqui”, conta Paulo Betzler, de dentro do imóvel. “O avô dele comprou a casa na década de 1950. Uma das minhas intenções era pegar um espaço que já tivesse história, e aqui são mais de 60 anos de memória, tranquilamente”.
Embora clichê, a expressão “unir o útil ao agradável” se encaixa aqui. O percussionista, que já vinha matutando há um tempo “essa coisa de ter o próprio espaço”, perguntou à amiga e também artista Sandra Vianna, que planejava deixar o local, se seria uma boa ideia criar um novo espaço cultural.
Ela não apenas concordou como o incentivou a oficializar o aluguel com o casal de proprietários do imóvel. “Foi o empurrão que eu precisava”, agradece Paulo, que pensava em se lançar como gestor cultural desde 2019, quando Mogi das Cruzes perdeu dois de seus maiores redutos artísticos, o Galpão Arthur Netto e o Casarão da Mariquinha.
Quem conhece a equipe do Canto de Cabocla, de Sandra Vianna, sabe que todos são pessoal, emocional, íntima e artisticamente ligados ao Jequitibá do Largo Bom Jesus, imensa árvore que inclusive faz sombra na casa.
Como um mais um são dois e dois mais dois são quatro, fica claro o significado do nome da nova casa, que promete “abrigar não só a música, mas que trazer toda a diversidade artística da cidade”.
“É uma forma de homenagear a Sandra Vianna, que me passou o bastão. E o Jequitibá talvez seja símbolo de tudo isso. Quando a gente fala de árvore, fala de raiz. E não existe povo que não tenha a raiz para a seguir na sua cultura, sua arte. Isso é fundamental para a sobrevivência do ser humano. É a prova que o homem não vive só de pão e água. Ele precisa da arte”, conclui Paulo.
Artista, educador, e agora gestor
Paulo Betzler, no último ano, se provou um grande entrevistador com o projeto ‘Histórias da Música Mogiana’, onde conversa com outros artistas da cidade. “A vida é muito grande pra gente ser um só”, diz ele, que não se arrepende de ter arriscado a estreia na nova função.
É assim, com “um pouco de coragem, audácia e determinação” que ele se lança, agora, como gestor de uma casa cultural. Ele sabe que essa “aventura de muita responsabilidade e compromissos” não será fácil. Mas está confiante: “se isso surgiu no meu caminho, é porque tem algum motivo”.
Na nova empreitada, Paulo não está sozinho. E faz questão de citar os dois parceiros que o acompanham. “Minha companheira, Denise Evangelista, que vem junto, é psicóloga de formação e trabalha em ONGs; e meu irmão, Claudio Betzler, é professor com vocação política, que sempre foi meu grande companheiro nas empreitadas”.