Cantor Victor Kinjo faz show com músicas inéditas e diferentes sonoridades no Sesc Mogi
Em 2021, o cantor e doutor em Ciências Sociais Victor Kinjo, que é morador de Mogi das Cruzes, cantou e declamou uma carta de amor/pedido de socorro para o Rio Tietê. ‘Vem Pro Rio’, a música, era só o começo, o primeiro single do álbum ‘Terráqueos’, que tem pré-lançamento marcado para o dia 10 de […]
30/01/2022 16h50, Atualizado há 688 meses
Em 2021, o cantor e doutor em Ciências Sociais Victor Kinjo, que é morador de Mogi das Cruzes, cantou e declamou uma carta de amor/pedido de socorro para o Rio Tietê. ‘Vem Pro Rio’, a música, era só o começo, o primeiro single do álbum ‘Terráqueos’, que tem pré-lançamento marcado para o dia 10 de fevereiro, no Sesc Mogi.
A descrição que consta no site do Sesc é um bom convite para a apresentação que será realizada no gramado, às 20 horas, com respeito às normas de segurança, entrada gratuita e sem necessidade de agendar ou retirar ingressos. O show combina “música brasileira, pop, eletrônico e sonoridades okinawanas para celebrar diversidade e natureza”, tudo isso com “composições originais em diversas línguas”.
Vale dizer também que são diversas as linguagens. No palco ao lado de Kinjo, Eduardo Colombo, por exemplo, apresentará uma performance de dança, além de coordenar backing vocals e percussões. Também tem espaço para o multi-instrumentista João Antunes e para o percussionista Guilherme Kastrup, que produziu trabalhos com Chico César e Elza Soares, que faleceu nesta última semana.
Juntos, os quatro tocarão tanto canções de ‘Kinjo’, o primeiro disco, lançado em 2017 – pelo qual o cantor foi nomeado como Melhor Cantor ao Prêmio da Música Brasileira – como de ‘Terráqueos’, o novo projeto, que deve ser lançado em breve. Não tem graça dar spoilers de todo o repertório, mas só mais dois não vão atrapalhar a experiência.
Lançada originalmente por Caetano Veloso em 1977, ‘Um Índio’ ganha aqui nova roupagem e fica mais sofisticada, assim como ‘Lugar Comum’, de Gilberto Gil e João Donato (1974). Esta última canção, aliás, é fundamental para a concepção do novo trabalho do artista.
“Ela inspirou muito da filosofia, do pensamento de ‘Terráqueos’. Reconhecer essa terra, essa casa como um lugar comum, apesar de diferenças e identidades. Fizemos dela uma canção okinawana, em sanchin, também representando meus avós, que vieram do outro lado do mundo, na década de 1930, para Mogi”, adianta Kinjo.
Como se fosse pouco, além destas interpretações e das músicas autorais compostas em diferentes idiomas, como português, inglês, espanhol, francês, tupi e uchinaguchi, há também de versões especiais para faixas de Mercedes Sosa e Shoukichi Kina.
O que está em jogo – e portanto, no palco do Sesc Mogi-, é a visão de Victor Kinjo “sobre a complexidade do mundo contemporâneo”. E é orgulho para a cidade dizer que esta visão “está sendo concebida aqui”, em Mogi das Cruzes.
Morador da zona rural do município desde 2015, Victo Kinjo vive em um sítio entre Biritiba Ussu e Taiaçupeba. Além de compor neste espaço, também conduziu ali uma pesquisa para o “pós-doc do IEA-USP”, observando as águas do Rio Tietê na Serra do Mar. O mesmo Tietê que é o protagonista do programa ‘Viva Mogi!’, da Prefeitura.
Falando em águas, elas permeiam todo o disco. “Acho importante destacar que nesse momento de conflito e divisão, em que temos um governo anti-ambientalista, autoritário e irresponsável, as águas são símbolo de nossa possível união. Encontrar-se com o rio sujo de sua própria cidade em meio a uma crise hídrica e emergência climática, pode ser chocante, mas é nossa urgente realidade. Quero somar com movimentos que valorizam a dimensão cultural dos chamados serviços ecossistêmicos das águas, ou seja, a relação ética, estética, afetiva e espiritual com a natureza”.
Em 2021, ‘Vem Pro Rio’ representou um “chamado para que a nossa geração retome essa luta e faça a sua parte para a regeneração dos rios”. ‘Terráqueos’, o disco, parece expandir a convocação, já que fala também da terra e da relação entre homem e natureza.
O show do Sesc Mogi é um gostinho do que está por vir, e representa uma “alegria enorme” para toda a banda. “É muita emoção. A gente percebe a importância, a diferença que faz uma instituição como Sesc nas cidades da região. Também sonhamos junto com essa história e estamos muito felizes de ver que a unidade provisória já abriu”, finaliza Kinjo.