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Intestino permeável e intestino irritável: entenda as principais diferenças

Queixas como dor abdominal, sensação de inchaço, desconfortos digestivos, alterações intestinais e sensibilidade alimentar têm se tornado cada vez mais comuns. Nesse cenário, termos como intestino irritável e intestino permeável passaram a ganhar destaque em conteúdos de saúde e consultas médicas. De acordo com a médica gastroenterologista, Dra. Maria Júlia Colossi, entender a diferença entre intestino […]

Por Edicase Conteúdo
17/06/2026 12h03, Atualizado há 2 horas

Queixas como dor abdominal, sensação de inchaço, desconfortos digestivos, alterações intestinais e sensibilidade alimentar têm se tornado cada vez mais comuns. Nesse cenário, termos como intestino irritável e intestino permeável passaram a ganhar destaque em conteúdos de saúde e consultas médicas.

De acordo com a médica gastroenterologista, Dra. Maria Júlia Colossi, entender a diferença entre intestino irritável e intestino permeável é essencial para evitar tratamentos inadequados e interpretações equivocadas. “Apesar de serem condições diferentes, elas frequentemente andam juntas. O problema é que muitas pessoas acreditam que são exatamente a mesma coisa, quando na verdade possuem mecanismos e abordagens distintas”, explica.

O que é a síndrome do intestino irritável?

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é considerada um distúrbio funcional gastrointestinal. Isso significa que o intestino apresenta alterações no funcionamento, mesmo sem lesões estruturais aparentes. Os sintomas mais comuns são dor abdominal recorrente, gases, sensação de distensão, diarreia, constipação ou alternância entre os dois quadros.

“A síndrome do intestino irritável está muito relacionada à comunicação entre intestino e cérebro. Estresse, ansiedade e fatores emocionais frequentemente influenciam diretamente os sintomas”, destaca a gastroenterologista Maria Júlia Colossi.

E o que é o intestino permeável?

Já o chamado intestino permeável está relacionado a alterações na barreira intestinal. Em condições normais, o intestino funciona como um filtro seletivo, permitindo absorção de nutrientes e impedindo a passagem de substâncias nocivas. Quando essa barreira sofre desequilíbrios, ocorre aumento da permeabilidade intestinal, permitindo a passagem inadequada de toxinas, partículas alimentares e microrganismos para a circulação.

“O intestino permeável está mais ligado à integridade da mucosa intestinal e aos processos inflamatórios. Entre os fatores associados estão alimentação inadequada, excesso de ultraprocessados, álcool, estresse crônico, alterações da microbiota intestinal e algumas doenças inflamatórias”, explica a médica.

Uma médica jovem, de óculos e jaleco branco, em pé, segura e aponta para um modelo anatômico do intestino grosso. Ela está explicando algo para um paciente de meia-idade, sentado e com as mãos sobre a região do abdômen, que olha atentamente para o modelo. A cena acontece em um consultório médico bem iluminado, com prateleiras e um relógio de parede ao fundo.
Intestino permeável e intestino irritável podem ocorrer ao mesmo tempo e contribuir para a persistência dos sintomas (Imagem: New Africa | Shutterstock)

Condições podem coexistir

Apesar de serem diferentes, as duas condições podem aparecer simultaneamente no mesmo paciente. “Muitas pessoas com intestino irritável também apresentam alterações inflamatórias e desequilíbrios da barreira intestinal. Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes apresentam sintomas persistentes mesmo após mudanças alimentares simples”, afirma a Dra. Maria Júlia Colossi.

Diagnóstico correto evita tratamentos inadequados

Especialistas alertam que a popularização dos termos nas redes sociais aumentou a automedicação e dietas extremamente restritivas sem acompanhamento profissional. “O intestino é complexo. Nem todo desconforto digestivo significa intestino permeável, assim como nem toda dor abdominal é intestino irritável. A avaliação médica individualizada é fundamental para investigar causas, sintomas associados e estratégias terapêuticas adequadas”, destaca.

A gastroenterologista explica que o funcionamento correto do intestino está ligado a diversos fatores que vão muito além da alimentação, incluindo também o sono, a saúde mental, a microbiota, a atividade física e os níveis de estresse.

“O intestino está conectado a praticamente todo o organismo e tem ligações, diretas ou indiretas, com todos os sistemas do nosso corpo, por isso, o tratamento raramente envolve apenas um único fator”, finaliza a Dra. Maria Júlia Colossi.

Por Angela Rocha

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