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Enem 2026: quando a busca pela nota perfeita se torna um problema?

Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, muitos candidatos intensificam a rotina de estudos em busca de uma boa nota. No entanto, a pressão para atingir um desempenho impecável e a necessidade de fazer tudo perfeitamente podem acabar se tornando um obstáculo para a aprendizagem. Embora a dedicação seja importante, o […]

Por Edicase Conteúdo
01/10/2026 17h05, Atualizado há 1 hora

Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, muitos candidatos intensificam a rotina de estudos em busca de uma boa nota. No entanto, a pressão para atingir um desempenho impecável e a necessidade de fazer tudo perfeitamente podem acabar se tornando um obstáculo para a aprendizagem. Embora a dedicação seja importante, o perfeccionismo em excesso pode favorecer a ansiedade, a procrastinação e até o esgotamento emocional.

Segundo o psicólogo e professor Geovani Santiago, coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, estabelecer metas elevadas não é necessariamente um problema. A preocupação surge quando a cobrança excessiva impede o estudante de lidar com erros e limitações naturais do processo de aprendizagem.

“O perfeccionismo faz com que muitos jovens acreditem que precisam dominar completamente todos os conteúdos, acertar todas as questões e manter uma rotina impecável. Essa expectativa irreal pode gerar frustração, insegurança e até fazer com que o estudante se sinta incapaz, mesmo quando está evoluindo”, explica.

Como o perfeccionismo pode interferir nos estudos?

Entre os comportamentos mais comuns, estão a dificuldade em iniciar tarefas por medo de errar, a necessidade constante de revisar o mesmo conteúdo e a sensação de que nunca se estudou o suficiente.

“Além disso, muitos estudantes acabam sendo mais rígidos consigo mesmos do que seriam com qualquer outra pessoa. É importante compreender que o processo de aprendizagem envolve erros, dúvidas e momentos de maior dificuldade. Nem todos os dias terão o mesmo rendimento, e isso não significa falta de capacidade ou de comprometimento. Aprender também exige paciência consigo mesmo”, destaca o professor.

Sinais de alerta

De acordo com o psicólogo, alguns comportamentos podem indicar que a busca por resultados está se tornando prejudicial:

  • Medo excessivo de cometer erros;
  • Sensação constante de que o desempenho nunca é suficiente;
  • Procrastinação por receio de falhar;
  • Ansiedade intensa diante de simulados e provas;
  • Dificuldade em descansar sem sentir culpa;
  • Comparação frequente com outros estudantes.
Jovem com cabelo cacheado curto, barba, usando camisa de manga longa listrada deitado na grama com cabeça apoiada nas mãos com mochilha, caderno, fone de ouvido e pasta rosa ao redor dele
O descanso também faz parte de uma rotina equilibrada durante a preparação para as provas (Imagem: Daniel Hoz | Shutterstock)

Como buscar equilíbrio?

O psicólogo recomenda estabelecer metas realistas, respeitar os momentos de descanso, reservar tempo para atividades de lazer e compreender que erros fazem parte do processo de aprendizagem. Tão importante quanto estudar é desenvolver uma relação mais gentil consigo mesmo durante a preparação, reconhecendo os avanços construídos ao longo da caminhada.

“O Enem é uma prova importante, mas não define o valor ou a capacidade de ninguém. É fundamental entender que o aprendizado é construído gradualmente e que exigir perfeição em todos os momentos pode trazer mais prejuízos do que benefícios”, afirma.

Muitas vezes, o estudante sente culpa ao descansar ou ao dedicar tempo para atividades que lhe dão prazer. No entanto, o descanso não deve ser visto como perda de tempo. Pausas, momentos de convivência, lazer e recuperação emocional são componentes importantes para a manutenção da atenção, da motivação e da saúde mental ao longo da preparação para a prova.

“Ter disciplina é importante, mas cuidar da saúde mental também faz parte da preparação para o Enem. O estudante não precisa ser perfeito para alcançar bons resultados. Aprender a respeitar os próprios limites, reconhecer os avanços e permitir momentos de descanso é tão importante quanto cumprir o cronograma de estudos. O equilíbrio costuma trazer resultados mais consistentes do que a busca incessante pela perfeição”, finaliza Geovani Santiago.

Por Priscila Dezidério

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