Automedicação: 5 erros comuns que podem colocar a saúde em risco
Tomar um analgésico para aliviar uma dor, repetir um medicamento que funcionou em outra ocasião ou seguir a recomendação de um familiar são atitudes comuns na rotina de muitas pessoas. Embora pareçam soluções simples para sintomas cotidianos, o uso de remédios sem orientação adequada pode trazer riscos à saúde, desde reações adversas até interações medicamentosas […]
20/10/2026 19h04, Atualizado há 1 hora
Tomar um analgésico para aliviar uma dor, repetir um medicamento que funcionou em outra ocasião ou seguir a recomendação de um familiar são atitudes comuns na rotina de muitas pessoas. Embora pareçam soluções simples para sintomas cotidianos, o uso de remédios sem orientação adequada pode trazer riscos à saúde, desde reações adversas até interações medicamentosas e atraso no diagnóstico de doenças.
O diretor médico da Leve Saúde, Pedro Araguez, alerta que a escolha de um medicamento deve considerar as características e o histórico de saúde de cada pessoa. A substância indicada para aliviar um sintoma pode não ser adequada em outra situação, mesmo quando as manifestações são semelhantes.
“A automedicação pode dar a impressão de que o problema está resolvido, mas nem sempre trata a causa do sintoma. Além disso, um medicamento pode provocar efeitos indesejados ou interagir com outras substâncias que a pessoa utiliza. Por isso, é importante buscar orientação profissional antes de iniciar um tratamento”, afirma o médico.
Abaixo, ele destaca cinco erros que devem ser evitados:
1. Repetir um tratamento antigo sem orientação
Um medicamento que trouxe alívio em outra ocasião pode não ser indicado para um novo episódio. Sintomas semelhantes podem ter causas diferentes, e repetir o tratamento por conta própria pode atrasar a identificação do problema. Pedro Araguez recomenda procurar orientação profissional para avaliar a necessidade de medicação e o tratamento mais adequado.
2. Aumentar a dose para tentar acelerar o efeito
Tomar uma quantidade maior do que a recomendada não significa que o medicamento fará efeito mais rapidamente. Pelo contrário, o excesso pode aumentar o risco de intoxicação e de outros efeitos adversos. É importante respeitar as orientações da bula e, nos tratamentos prescritos, seguir a dose e os horários indicados pelo profissional responsável.
3. Misturar medicamentos sem verificar possíveis interações
A combinação de diferentes substâncias pode potencializar, diminuir ou anular seus efeitos, além de aumentar o risco de reações adversas. É fundamental informar ao médico ou farmacêutico todos os produtos em uso, incluindo medicamentos isentos de prescrição, vitaminas, suplementos e fitoterápicos.

4. Usar antibióticos por conta própria ou de forma diferente da prescrita
Antibióticos são fármacos para tratar exclusivamente infecções bacterianas, e seu uso requer indicação profissional. Eles não têm nenhum efeito contra vírus (causadores de gripes e resfriados) ou fungos. O uso inadequado e indiscriminado é a principal causa do desenvolvimento de superbactérias (resistência bacteriana), um grave problema de saúde pública que torna infecções comuns mais difíceis e, por vezes, impossíveis de tratar.
5. Ignorar sintomas persistentes e tentar resolvê-los apenas com remédios
Segundo Pedro Araguez, o desaparecimento de um sintoma não significa necessariamente que sua causa foi tratada. “Sinais como dores recorrentes, febre persistente ou outras manifestações que não melhoram devem ser investigados. Sintomas agudos e graves, como dor no peito, falta de ar, desmaio ou confusão mental, são sinais de alerta que exigem atendimento de urgência imediato”, ressalta.
A orientação é buscar ajuda de profissionais de saúde sempre que houver dúvidas sobre a necessidade, a dose ou a combinação de medicamentos. Também é importante manter os produtos nas embalagens originais, conferir a validade e armazená-los conforme as instruções do fabricante.
O uso responsável de medicamentos é parte importante dos cuidados preventivos e contribui para reduzir riscos evitáveis. Em caso de dúvidas, a avaliação individual ajuda a identificar a conduta mais segura para cada situação.
Por Kenia Pereira