Madonna, uma marca forte
O espetáculo trouxe a antologia da obra da artista e em que cada hit relembrava uma consagração do seu estilo construído ao longo de quatro décadas
07/05/2024 15h42, Atualizado há 23 meses
Madonna no Brasil | Reprodução Globoplay

Se comunicar com três gerações é missão para marcas fortes, são aquelas que atravessam décadas com mensagens que tem conteúdo e apresentam resultados. Assim é Madonna – o ícone, a superstar mundial do pop que veio encerrar a turnê Celebration em terras brasileiras, no Rio de Janeiro, entre o mar e a montanha na visão romântica, sob as bençãos do Cristo Redentor e abraçada por uma multidão de fãs nas areias da praia de Copacabana.
O espetáculo trouxe a antologia da obra da artista e em que cada hit relembrava uma consagração do seu estilo construído ao longo de quatro décadas em uma discografia invejável – 14 álbuns de estúdio, 6 álbuns on demand com os maiores sucessos de venda, 3 álbuns gravados ao vivo, 3 trilhas sonoras e 3 álbuns remixados, além de gravações single desde 1998 para download digital. O que faz Madonna única é a imensidão de significados contidos no recheio deste pop que só ela conseguiu preencher moldando sua identidade como artista em prol das causas de inclusão que mexem com os costumes em todos os níveis. A mensagem libertária vem carregada em todos os signos que ela inseriu na sua arte – estilos musicais, letras, ritmo, figurino, cenografia, coreografia, corpo de dança e em seu próprio nome!
Madonna, palavra de origem italiana, quer dizer Nossa Senhora, a mãe de Jesus, a mãe que nos protege do perigo e das injustiças, segundo o Cristianismo – nome artístico carregado de significados, como se a artista vestisse o manto de Nossa Senhora, de certa forma. Já nos anos 80, levantava a bandeira contra o preconceito da AIDS, enaltecia todos da imensa comunidade LGBTQIA+ e chamava a nós, mulheres, para o direito de escolher “o lugar que quisermos para ser, sentir e amar”.
Voltando à marca Madonna, questão central deste artigo, percebo o alto grau de consistência porque a artista usa todos os seus atributos para fazer valer o que promete a partir de seu nome, entregando tudo em Celebration, a turnê! A realização deste megaprojeto no Brasil começou com a campanha publicitária do banco Itaú ao final de 2023, criada pela agência Africa, em que Madonna anunciava a chegada da nova marca – trabalho de rebranding que significou a modernização do logotipo e a adoção de um novo slogan – “Feito de futuro”. Ao pesquisar sobre a frase adotada pelo Itaú, encontrei uma definição que cabe como uma luva para a garota propaganda do filme publicitário que lançou uma marca mais próxima e com o espírito deste novo tempo – “São quase 100 anos de história marcando presença na vida de milhões de pessoas. Um banco sólido e em constante transformação. Nossa marca é moldada pelo tempo e chega renovada, carregada de dinamismo e da nossa essência.” Troque o número 100 por 40 e a palavra banco por artista – bingo! Super aderente ao que Madonna transmite!
Muitas costuras e acertos de rota até a diva sair da suíte presidencial do Copacabana Palace, atravessar a passarela e pisar no palco gigante de mais de 800 metros quadrados para o encontro com o público que estava aos seus pés. De olho em multi telas, milhares acompanharam pela TV aberta, a Globo que cobre todo este brasilzão e Globoplay com sinal aberto no Multishow, além do conteúdo que chegava pelas redes sociais de influencers e perfis desconhecidos que se tornavam creators instantaneamente com reels viralizando por um único motivo – emoção em tempo real, um dos atributos que trazem prosperidade para as big techs.
Teremos um novo número para a economia criativa em maio de 2024! O mês de maio, que já foi o mês das noivas, atualmente tem em seu calendário comercial o Dia das Mães, movimentando verbas promocionais em eventos do varejo, propaganda e ações em redes sociais. Mas a vinda da rainha do pop é que vai adicionar esta receita que ativou a nossa indústria da comunicação impactando de forma positiva a economia no setor de entretenimento.
Viva a estética de Madonna que atravessou quatro décadas e aportou aqui com Celebration trazendo o cardápio esperado – erotismo, ousadia, emoção, entretenimento e espetáculo. Cuidadosa com sua marca que já se tornou uma tradição, dizem que Madonna aprovou com antecedência o figurino de Anitta – prevenir nunca é demais. Anitta teve participação especial como jurada na performance de Vogue, encenando como fazem as grandes e talentosas atrizes.
No módulo dedicado ao Brasil cada passo coreografado transbordava brasilidade – figurino com as nossas cores, camisa da Seleção, bandeira nacional compondo com a cenografia, projeção de rostos que contam nossa história com Gilberto Gil, Marina Silva, Paulo Freire, Daniela Mercury e tantos outros. Os jovens ritmistas de escolas de samba que entraram com a bateria tocando Music em ritmo de samba em uma adaptação de Pretinho da Serrinha, “arrebentaram” – qualquer um destes símbolos e a presença da artista Pabllo Vittar selaram a empatia e simpatia de Madonna por nossa Pátria, nosso solo, nossa gente.
Tinha que ser a irreverente Madonna para nos mostrar que verde e amarelo é a combinação de cores que representa todos os brasileiros – no passado, presente e futuro. Se você não é fã como eu, está aí mais um bom motivo para admirar a diva do pop que reuniu neste show o maior público de sua história, de todas as suas turnês. Segundo a RioTur, 1,6 milhão pessoas! Elas choraram, cantaram e dançaram ao som de Madonna que embala a música de suas vidas!