Youtuber admite ilegalidade de sorteios e diz que pobre não fica rico sem fazer algo errado
O youtuber e influenciador Kleber Rodrigues, o Klebim, admitiu que sabia da ilegalidade das rifas e sorteios de carros de luxo que ele organizava. Em áudios obtidos pela TV Globo, Klebim, que reúne 4 milhões de seguidores nas redes sociais, afirmou que “o sorteio já sei que é proibido” e que “não tem jeito de […]
04/04/2022 17h51, Atualizado há 689 meses
O youtuber e influenciador Kleber Rodrigues, o Klebim, admitiu que sabia da ilegalidade das rifas e sorteios de carros de luxo que ele organizava. Em áudios obtidos pela TV Globo, Klebim, que reúne 4 milhões de seguidores nas redes sociais, afirmou que “o sorteio já sei que é proibido” e que “não tem jeito de pobre ficar rico se não tiver fazendo nada errado com o governo não”. O youtuber foi preso no último dia 21 de março pela Divisão de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), da Polícia Civil do Distrito Federal, e agora responde em liberdade contra as acusações de contravenção, lavagem de dinheiro e fraude de documentos.
Além do seu perfil pessoal no Instagram, com mais de 1 milhão de seguidores, Klebim administrava outras páginas para promover os sorteios dos carros tunados. Na operação da polícia, foram apreendidos 21 carros, incluindo veículos que seriam sorteados. Nas rifas, eram vendidos números por R$10 a R$20, e os participantes concorriam a carros como porsches e ferraris. Segundo os investigadores, Klebim direcionava os seguidores a comprarem rifas de páginas que faziam parte do mesmo esquema, e, por sorteio, o grupo conseguia arrecadar até R$1 milhão.
Nos áudios, em que conversa com outras pessoas do grupo, Klebim admitiu que , caso houvesse uma denúncia à Receita Federal, daria problema. Ele até debocha do fato e diz que seria bom contratar rapidamente um advogado.
“Moço, não tem jeito de pobre ficar rico se não tiver fazendo nada errado com o governo não. Na hora que eu soltei a rifa, eu já sabia que era proibido. O sorteio já sei que é proibido. Tudo é proibido”, afirmou Klebim, que ainda explicou sua descrença quanto a investigações contra os sorteios: “Mas porra, acho que o governo não caiu em cima disso ainda porque envolve muita gente. Todo mundo que é famoso faz e os seguidores querem. É o governo querer comprar uma briga com muita gente na internet, não sei se é simples assim. Daria muita polêmica.”
Em outro trecho, o youtuber disse que precisaria fazer duas a três rifas ao mesmo tempo, porque estava vendendo muito rápido. A investigação apurou que, no último ano, houve rifas de pelo menos seis carros tunados. Klebim costumava postar vídeos ostentando seus carros de luxo, que teriam sido comprados através da arrecadação com os sorteios ilegais, disse a polícia, assim como sua mansão em Brasília.
Segundo a legislação, a rifa é considerada um jogo de azar e, por isso, é uma contravenção penal. Para que ocorra legalmente, o sorteio precisa ter autorização do Ministério da Economia. Segundo os investigadores, os crimes iam além do mero sorteio, e envolviam lavagem de dinheiro e falsificação de documentos, em uma “sofisticada organização criminosa”. Klebim usaria 10 empresas e pessoas como laranjas, que recebiam pagamento das rifas e repassavam o dinheiro para ele, usando notas frias.
A polícia disse que, nos últimos dois anos, o grupo teria movimentado R$20 milhões, e 50% teria ficado com Klebim. Após a prisão de acusados do esquema, a justiça concedeu liberdade e ordenou o uso de tornozeleiras eletrônicas, enquanto aguardam julgamento.
Ao Fantástico, da TV Globo, a defesa de Klebim enviou um vídeo em que o youtuber nega as acusações, e clama por mudanças na legislação atual: “Vivemos num mundo e era digital, precisamos que a lei seja atualizada”, disse Klebim, que pode ser condenado a 10 anos de cadeia.