Saia justa: relação com a Venezuela vira incômodo para Bolsonaro e Lula
A relação com a Venezuela se tornou uma questão incômoda tanto para o presidente Jair Bolsonaro quanto para o ex-presidente Lula. As pressões internas para que o Brasil inicie um processo de recomposição com o país vizinho vêm se intensificando, criando uma saia justa para o Palácio do Planalto, que, até agora, resiste. Em pleno […]
25/05/2022 15h08, Atualizado há 689 meses
A relação com a Venezuela se tornou uma questão incômoda tanto para o presidente Jair Bolsonaro quanto para o ex-presidente Lula. As pressões internas para que o Brasil inicie um processo de recomposição com o país vizinho vêm se intensificando, criando uma saia justa para o Palácio do Planalto, que, até agora, resiste. Em pleno ano eleitoral, Bolsonaro teria dificuldade de explicar para sua base mais ideológica um recuo em relação ao governo Nicolás Maduro. Já Lula tem sido cobrado por ser leniente com regimes autoritários de esquerda, sem condenar violações a direitos humanos em países ideologicamente próximos.
A Venezuela é um dos temas preferidos de Bolsonaro para atacar seu principal rival na disputa eleitoral. A histórica proximidade entre Lula e o chavismo costuma ser usada pelo titular do Planalto para sustentar teorias sobre uma eventual “venezuelização” do Brasil, caso o ex-presidente volte ao poder. Isso explica por que, apesar da crescente demanda por uma retomada das relações bilaterais, ultimamente partindo até mesmo de parlamentares da base aliada, o governo continua protelando uma decisão.
Na campanha do PT, a posição está clara. Segundo fontes, se Lula vencer, uma das primeiras decisões seria reabrir a embaixada em Caracas e todos os consulados que o Brasil tem na Venezuela. O ex-presidente sempre pregou a necessidade de dialogar com o governo venezuelano e evita questionar as violações cometidas pelo governo Maduro. Sanções e cercos ao país são vistos como contraproducentes e muito negativos para a população venezuelana.