“Rompimento de coletora de esgoto” gera cratera e inundação em obra do metrô
As empresas Linha Uni e Acciona, responsáveis pela construção e posteriormente administração da Linha 6-Laranja, que sofreu uma inundação seguida de desmoronamentos, na manhã desta terça-feira (1), na Marginal Tietê, afirmaram ao Globo, no início da tarde, que o incidente se deu por conta do rompimento de uma coletora de esgoto que fica próxima ao […]
01/02/2022 17h11, Atualizado há 689 meses
As empresas Linha Uni e Acciona, responsáveis pela construção e posteriormente administração da Linha 6-Laranja, que sofreu uma inundação seguida de desmoronamentos, na manhã desta terça-feira (1), na Marginal Tietê, afirmaram ao Globo, no início da tarde, que o incidente se deu por conta do rompimento de uma coletora de esgoto que fica próxima ao poço de ventilação e saída de emergência Aquinos, por onde a tuneladora, ou”tatuzão”, trabalhava quando tudo aconteceu.
Ainda segundo nota enviada pelas empresas, técnicos estão no local para apurar o que causou a ruptura. Pela manhã, o Corpo de Bombeiros havia relatado que não sabia se o problema havia sido causado por uma perfuração feita pelo tatuzão numa adutora ou no leito do Rio Tietê.
“A Linha Uni e a Acciona, responsáveis pelas obras da Linha 6-Laranja de metrô, informam que, hoje pela manhã, ocorreu um rompimento de uma coletora de esgoto próximo ao VSE Aquinos (Poço de Ventilação e Saída de Emergência). O incidente não causou nenhuma vítima”, diz a nota enviada pelas empresas. “Equipes da Linha Uni, da Acciona e demais técnicos estão no local para apurar os fatos. Todas as medidas de contingência já foram tomadas. Parte do asfalto da Marginal Tietê cedeu e, por questão de segurança, a pista está parcialmente interditada”.
Governo cobra ações de empresa e quer manter prazo para obra
O governo de SP afirmou, também na tarde desta terça, que determinou que a concessionária Acciona identifique imediatamente as causas do desmoronamento. “Além disso, a empresa deve elaborar, em conjunto com a Prefeitura de São Paulo e de forma prioritária, uma solução para normalização do trânsito na Marginal Tietê”, diz o comunicado.
O estado também afirmou que, apesar do tamanho do incidente, tem a expectativa de que o cronograma da obra seja mantido em relação a prazos, mas com prioridade para a segurança de todos os trabalhos no local afetado pelo acidente.
Fala, Doria
O governador João Doria anunciou no início da tarde que o trânsito deve ser liberado imediatamente.
– Esta pista da Marginal e a alça serão liberadas de imediato porque já se constatou que não há nenhum risco para a operação desta pista. Já vai aliviar bastante o trânsito que se acumulou – declarou o governador. – Esta pista interna, ainda não. Por segurança ela continuará sendo imobilizada pela equipe da Prefeitura – afrmou Doria, sobre a pista mais interna da pista local da Marginal Tietê.
O asfalto cedeu na área por volta de 9h da manhã desta terça-feira, próximo à Ponte do Piqueri, no sentido da rodovia Ayrton Senna. Todas as faixas da pista local da Marginal foram interditadas.
O local da cratera fica ao lado do poço VSE Aquinos, cavado pelo chamado tatuzão, equipamento tunelador usado nas obras do Metrô. Outras obras da linha 6 devem continuar normalmente, diz a Secretaria de Transportes.
Em um primeiro momento, o capitão André Elias, do Corpo de Bombeiros, afirmou ao Globo que a máquina tuneladora teria atingido alguma estrutura que causou o vazamento de grande quantidade de água, o que provocou a cratera.
No começo da tarde, no entanto, a Acciona, empresa responsável pela obra, informou que ocorreu um rompimento de uma coletora de esgoto próximo ao poço, mas que este não teria sido causado pelo tatuzão.
De acordo com os bombeiros, todos os trabalhadores conseguiram sair e dois que tiveram contato com a água contaminada foram socorridos por precaução.
Está prevista para começar hoje (1º) uma vistoria que avaliará o tamanho do acidente. Os trabalhos ficarão a cargo do IPT, Instituto de Pesquisa Tecnológica, e da concessionária Acciona.
O desmoronamento na obra da Linha 6-Laranja está localizado entre as pontes do Piqueri e da Freguesia do Ó, sentido Ayrton Senna. Por causa da interdição na pista local da Marginal Tietê, o trânsito na região está bem complicado.
Há lentidão entre os quilômetros 18 e 13 da rodovia Castello Branco, assim como em um trecho de 14 quilômetros na Marginal Tietê entre o Cebolão e o local do acidente. O bairro vizinho da Lapa também conta com bastante tráfego.
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), no momento a cidade tem 47 quilômetros de lentidão, sendo 15 deles na Zona Norte, e 31 na Zona Oeste.
Em janeiro de 2007, sete pessoas morreram após uma cratera abrir nas obras da Estação Pinheiros, da Linha 4-Amarela do Metrô, na Zona Oeste de São Paulo.
O acidente forçou 212 pessoas a deixarem suas casas – 94 imóveis do entorno tiveram de ser interditados e sete acabaram demolidos.
Na época, o Instituto de Criminalística (IC) apurou que um dia antes do acidente haviam sido identificadas anormalidades no terreno.
O relatório do Instituto Pesquisas Tecnológicas (IPT) apontou que o projeto previa a escavação do túnel sem pressão de água, mas a investigação identificou a presença de uma coluna de água no terreno, o que contribuiu para a instabilidade das paredes.
Relatos dos vizinhos
Moradores e comerciantes do bairro da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, próximo ao local onde uma cratera abriu na Marginal Tietê na manhã desta terça-feira (1º), relataram forte cheiro de esgoto no momento do acidente.
– Era por volta das 8h40 quando saí para fazer uma entrega aqui próximo. Na hora, vi gente da obra correndo, pedindo que as pessoas se afastassem. Ligaram um sinal sonoro, uma sirene. Na mesma hora subiu um cheiro horrível, como se tivesse estourado um esgoto – diz Francisca Cavalcante, uma das sócias de um pequeno restaurante que fica na Avenida Santa Marina, ao lado do acidente.
Leandro Renedo, que mora em um prédio vizinho ao acidente, na mesma Avenida Santa Marina, diz que entre 8h30 e 9h da manhã sentiu um cheiro forte de esgoto vindo de fora da sua casa.
— Soube o que ocorreu pela televisão. Não houve barulho nenhum. Estamos esperando um comunicado oficial (da Defesa Civil) para saber se devemos sair ou ficar em casa. Temos preocupação, pois aqui é um lugar com grande concentração de chuva. As ruas próximas sempre alagam — diz.
Sua mulher, Adriana Rodrigues, de 43 anos, conta que passou em uma área vizinha ao acidente poucos minutos antes. Voltou correndo de onde trabalha, na Zona Leste, quando soube do acidente.
— Diversos vizinhos já saíram de casa, o estacionamento está bem vazio — contou.
O desmoronamento no entorno de obras da Linha 6-Laranja do Metrô abriu uma cratera na Marginal Tietê no bairro da Freguesia do Ó, na Zona Norte de São Paulo. Segundo o corpo de bombeiros, não há vítimas.
O asfalto cedeu na área por volta de 9h da manhã desta terça-feira, próximo à Ponte do Piqueri, no sentido da rodovia Ayrton Senna.
Todas as faixas da pista local da Marginal foram interditadas logo após o acidente, causando grande congestionamento. O governador João Doria anunciou no início da tarde que o trânsito deve ser liberado imediatamente.
Obra de R$ 15 bilhões
Em outubro do ano passado, o governador de São Paulo, João Doria, anunciava a retomada das obras da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo, iniciada em janeiro de 2015 e paralisada em setembro de 2016, com um investimento total de R$ 15 bilhões, “a maior da América Latina”, e feita através de uma Parceria Público-Privada (PPP) com a Concessionária Linha Universidade (Uni). Pouco tempo depois, em dezembro, o governo do estado anunciava o início da operação de dois “tatuzões”, justamente no trecho, na altura da Marginal Tietê, que pouco mais de um mês depois, desmoronou, na madrugada desta terça-feira (1), e, inundada, ameaça a estrutura da rodovia, uma das principais da capital paulista.
As obras estavam paradas há pouco mais de cinco anos, desde que a Move São Paulo, por decisão unilateral, informou sua paralisação integral. Agora, a construção da Linha 6 fica a cargo do grupo espanhol Acciona, que adquiriu os direitos do consórcio anterior. O Globo pediu um posicionamento à Acciona, sobre o incidente desta terça, que em nota afirmou que houve o rompimento de uma coletora de esgoto, o que é estudo pelos técnicos responsáveis, e que todas as ações de contingência foram tomadas pela empresa e pela Linha Uni até agora.
O governo do estado, por sua vez, através da Secretaria de Transportes Metropolitanos afirmou que, tão logo tomou conhecimento do incidente no Poço de Ventilação da Linha-6 Laranja do metrô, determinou o isolamento de todo o perímetro e enviou uma equipe para acompanhar a apuração da causa da ocorrência, e que não há informações sobre vítimas. As causas do acidente, segundo a pasta, serão apuradas, assim como a extensão dos danos à obra e às vias locais. O Corpo de Bombeiros afirma que ainda não se sabe se houve perfuração a uma adutora ou a um leito do Rio Tietê. João Doria, por sua vez, se manifestou pedindo para que técnicos que reavaliassem a possibilidade de reabrir o trecho da via ao lado de onde apareceu a cratera, por conta dos transtornos causados no trânsito.
O projeto prevê que a Linha 6 ligue Brasilândia a São Joaquim, num trecho de 15,3km de trilhos, com 15 novas estações e integração para outras quatro linhas, tanto do metrô, quanto da CPTM, e expectativa de atender 630 mil passageiros por dia. Segundo o governo, o trajeto, que atualmente possui tempo médio de 1h30 e só pode ser feito por meio de ônibus no transporte público, passaria a ser percorrido em apenas 23 minutos com todo o trecho em operação.
Tatuzão é operado por pelo menos 50 pessoas
Antes do início do uso dos “tatuzões”, as obras já contavam com cerca de 450 metros de túnel perfurados pelo método “Novo Método Austríaco de Túneis” (NATM), técnica de construção de túneis sem a utilização de uma tuneladora. Foi no dia 16 de dezembro de 2021, que Doria anunciou que o equipamento começaria a ser usado na obra, percorrendo um trecho de cerca de 10km nos próximos meses, ou seja, abriria caminho para dez estações, entre Santa Marina e São Joaquim, começando justamente de onde o desmoronamento aconteceu,nesta terça, e indo até o poço de ventilação e saída de emergência Felício dos Santos.
Cada “tatuzão” pesa, segundo o governo de SP, 2 mil toneladas e possui diâmetro de 10,61m e extensão de 109 metros. A capacidade de perfuração é de aproximadamente 12 a 15 metros por dia, e a ideia era de que eles operassem 365 dias, 24 horas. Para operá-los, ainda segundo o estado, são necessárias aproximadamente 50 pessoas, divididas em três turnos de trabalho. A máquina possui refeitório, unidade de enfermagem, esteira rolante para a retirada do material escavado, além de cabine de comando e equipamentos auxiliares.
— O início da operação do tatuzão é um momento emblemático nas obras da Linha 6-Laranja, considerado o maior empreendimento em infraestrutura na América Latina — disse Doria, no início da operação dos equipamentos.
Com a imprevisibilidade em relação ao prejuízo estrutural que o incidente desta terça-feira ainda poderá causar na área da Marginal Tietê, o retorno das obras, é claro, agora também é uma incógnita. Em entrevista à Globonews, o secretário de Tranportes Metropolitanos de SP, Paulo José Galli, destacou que, por enquanto, é difícil fazer qualquer previsão.
— A gente não consegue dizer hoje quanto tempo vai levar para consertar (os danos da obra). Mas a queremos pressionar a construtura — disse Galli. — O importante agora é sustentar, manter o local estruturado, para que não se amplie o problema.
O projeto completo da Linha 6-Laranja inclui as seguintes estações
Brasilândia, Vila Cardoso, Itaberaba, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Pompeia, Perdizes, Cardoso de Almeida, Angélica, Pacaembu, Higienópolis-Mackenzie, 14 Bis, Bela Vista e São Joaquim. O trecho ainda prevê integração com a linha 1-Azul do Metrô, 4-Amarela da concessionária ViaQuatro e 7-Rubi e 8-Diamante, ambas da CPTM.