‘Queremos respeito’, diz repórter agredida por seguranças de Bolsonaro
A repórter Camila Marinho, da TV Bahia, afiliada da TV Globo, lamentou a “truculência, o ódio e a covardia” após ser agredida por seguranças do presidente Jair Bolsonaro durante visita do chefe do Executivo às cidades atingidas pelos temporais no extremo sul baiano neste domingo (12). Em publicação no Instagram, a jornalista afirmou que “nenhuma […]
13/12/2021 10h30, Atualizado há 689 meses
A repórter Camila Marinho, da TV Bahia, afiliada da TV Globo, lamentou a “truculência, o ódio e a covardia” após ser agredida por seguranças do presidente Jair Bolsonaro durante visita do chefe do Executivo às cidades atingidas pelos temporais no extremo sul baiano neste domingo (12). Em publicação no Instagram, a jornalista afirmou que “nenhuma ameaça nos tira da nossa missão de informar”.
“Só lamento a truculência, o ódio e a covardia dos que se acham melhores e acima de tudo e de todos. Somos trabalhadores exercendo o nosso papel: jornalistas em busca dos fatos e da verdade. Mas antes de tudo somos seres humanos. E o mínimo que queremos é respeito”, escreveu.
Além de Camila, o cinegrafista Cleriston Santana foi outro atacado. Uma equipe da TV Aratu, afiliada do SBT, também foi vítima
A repórter e o cinegrafista aguardavam o pouso do helicóptero do presidente no estádio municipal Juarez Barbosa, Itamaraju. Ao descer do helicóptero, Bolsonaro seguiu em direção à lateral do campo de futebol. Os repórteres da TV Bahia e da TV Aratu tentaram se aproximar para entrevistá-lo, mas seguranças impediram que os repórteres chegassem perto.
Um dos seguranças do presidente segurou a repórter pelo pescoço, numa espécie de “mata-leão”. Outro segurança pessoal tentou impedir que os jornalistas erguessem os microfones em direção a Bolsonaro. No tumulto, os microfones esbarraram no presidente, que disse que os repórteres estavam batendo nas costas dele.
— Se bater de novo vou enfiar a mão na tua cara. Não bata em mim, não batam em mim — disse.
O secretário de Obras de Itamaraty, Antonio Charbel, que estava com apoiadores do presidente, puxou os microfones. A pochete da repórter Camila Marinho também foi arrancada por outro apoiador.
Após a confusão, a equipe presidencial seguiu para a sala de comando da operação, dentro de uma escola. As equipes de reportagem não acompanharam.
A assessoria de imprensa da Presidência chamou os repórteres dos dois veículos para dentro do local. Um dos integrantes da segurança pediu desculpas pelo que havia ocorrido do lado de fora.
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), lamentou a agressão contra os jornalistas e se solidarizou com a equipe.
“A liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia e qualquer ataque ao jornalismo merece repúdio. O momento é de trabalho e solidariedade no Extremo Sul. Repudio violência contra a imprensa e oportunismo num momento de dor diante de uma tragédia. Vamos trabalhar”, disse o governador nas redes sociais.
Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou as agressões e demandou “que as autoridades competentes orientem a equipe de segurança do presidente para que respeite o trabalho dos jornalistas, pois lamentavelmente esse tipo de agressão vem se repetindo”.
A TV Globo disse em nota que “as agressões deste domingo mostram que já passou da hora de a Procuradoria-Geral da República dar o seu parecer na ação que corre no Supremo, tendo como relator o ministro Dias Toffoli”. A referida açãofoi apresentada em novembro pela Rede Sustentabilidade após Bolsonaro hostilizar jornalistas brasileiros em viagem à Itália. O intuito é proibir que o presidente incentive ou ataque a imprensa verbal e fisicamente.
“As cenas bárbaras de hoje e aquelas ocorridas na Itália, no dia 31 de outubro, ensejam duas constatações: se os seguranças agem por conta própria, a Presidência deve ser responsabilizada por omissão. Se agem seguindo ordens superiores, a Presidência deve ser responsabilizada por atentar contra a liberdade de imprensa e fomentar a violência contra jornalistas”, disse a TV Globo em nota.
“Além disso, é escandalosa a atitude da Presidência de deixar jornalistas à própria sorte, em meio a apoiadores fanáticos, que são insuflados quase diariamente pelo próprio presidente em sua retórica contra o trabalho da imprensa”, prosseguiu.