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Quadros do Republicanos resistem à candidatura de Tarcísio em São Paulo

Candidato do presidente Jair Bolsonaro na disputa pelo comando de São Paulo, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, enfrentará uma série de resistências à sua candidatura dentro do Republicanos, partido ao qual se filiou na última semana.  Prefeitos e deputados da sigla ouvidos pelo Globo garantem que o apoio à candidatura do atual vice-governador, […]

Por O Diário
27/03/2022 09h24, Atualizado há 689 meses

Candidato do presidente Jair Bolsonaro na disputa pelo comando de São Paulo, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, enfrentará uma série de resistências à sua candidatura dentro do Republicanos, partido ao qual se filiou na última semana. 

Prefeitos e deputados da sigla ouvidos pelo Globo garantem que o apoio à candidatura do atual vice-governador, Rodrigo Garcia (PSDB), à corrida pelo Palácio dos Bandeirantes não será afetado por conta da chegada do ministro aos quadros da legenda. 

O PSDB, que controla São Paulo há quase três décadas, contabiliza o apoio de 500 dos 645 prefeitos do estado, incluindo 21 dos 29 mandatários eleitos pelos Republicanos. 

Dirigentes reconhecem que existe uma divisão no partido quando o assunto é a disputa pelo governo paulista. A base defende a manutenção do apoio ao atual vice do governador João Doria (PSDB), desafeto de Bolsonaro. A cúpula quer que a legenda abrace o candidato do presidente da República. 

Prefeitos ouvidos pelo Globo afirmam que apesar do desejo do comando da legenda, o apoio à Garcia será mantido. Essa posição parte de alguns pontos. 

Primeiro por, segundo eles, existirem muitas demandas de verbas e obras já encaminhadas ao governo do estado, o que favorece a torcida pelo candidato tucano. Também jogaria contra o ministro de Bolsonaro o fato de que os prefeitos “sofreram muito” com a pandemia, quando o presidente incitou a população a se revoltar contra as medidas de contenção da doença, o que irritou os chefes dos Executivos municipais. 
Havia a mesma insegurança no PL, partido com o qual Tarcísio negociava sua filiação. Aliados dele temiam que o PL o isolasse para não prejudicar o projeto de Garcia. Além de o PSDB contar com a força da máquina e investimentos previstos para este ano na casa dos R$ 22 bilhões, o PL ocupa cargos no Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e no Departamento de Estradas e Rodagem (DER), que deve ter cerca de R$ 8 bilhões para investimentos em 2022. 

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto precisou assegurar que não haveria risco para a candidatura de Tarcísio, mas a proximidade do ministro com Marcos Pereira, que comanda o Republicanos, acabou pesando na hora de escolher seu destino. 

O entorno de Tarcísio acredita que o partido de Pereira, que integra o governo Doria com a Secretaria de Esportes, deveria entregar os cargos que controla na atual administração tucana em São Paulo. A filiação de Tarcísio, dizem, sela uma aliança “incondicional” no plano federal a Bolsonaro, e agora não haveria espaço para proximidades com adversários do presidente. 

O clima entre Republicanos e os tucanos sofreu algumas mudanças nos últimos dias. Dirigentes abriram fogo contra o PSDB após o apresentador José Luiz Datena ser avalizado como pré-candidato ao Senado na chapa de Garcia. Na última quinta-feira, PSDB e União Brasil, legenda pela qual Datena deve concorrer, publicaram uma nota conjunta confirmando a pré-candidatura do apresentador. A vaga era desejada pelo Republicanos, que, preterido, estendeu os braços a Tarcísio. 

— O governo quer estar com a gente no motel, mas não quer andar de mãos dadas no shopping. Ficou insustentável nossa permanência com o Garcia, por mais que nossos deputados e prefeitos queiram ficar com ele — afirma o deputado estadual Wellington Moura, membro do diretório nacional. 

A cúpula do Republicanos vinha tentando quebrar a resistência interna a Tarcísio. O diretório nacional apresentou a deputados federais e estaduais, há duas semanas, uma série de pesquisas quantitativas e qualitativas desfavoráveis ao PSDB, segundo relataram ao Globo pessoas que participaram da reunião e são contrárias a Tarcísio. 

As pesquisas apontavam para dois aspectos negativos para o vice-governador: o desgaste de três décadas de governos tucanos no estado e a associação a Doria, cuja rejeição pela população é alta. 

O cenário eleitoral do momento também jogaria contra os tucanos, de acordo com os dados apresentados. A avaliação colocada foi de que Tarcísio herdaria os votos bolsonaristas em São Paulo, estimados em cerca de 25% do eleitorado, e que a unificação dos votos da esquerda em torno do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) o colocaria no segundo turno, sobrando pouca margem para crescimento de Garcia. 
A filiação de Tarcísio repete um cenário já visto em 2020, quando o candidato apoiado por Bolsonaro na disputa pela Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, também concorreu pelo Republicanos. O presidente deve ter outra ministra competindo pela mesma sigla. Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) confirmou na semana passada sua filiação ao Republicanos. Segundo o colunista Lauro Jardim, do Globo, ela concorrerá ao Senado pelo Amapá.

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