PSDB mantém decisão que suspende temporariamente 92 prefeitos e vices
A cúpula do PSDB decidiu, por unanimidade, nesta quinta-feira manter a suspensão de 92 prefeitos e vices paulistas — cujas filiações estão sob suspeita — da lista de eleitores das prévias. A decisão é temporária e a participação desses políticos na disputa será analisada caso a caso por uma comissão especial, responsável pela organização das […]
28/10/2021 17h05, Atualizado há 688 meses
A cúpula do PSDB decidiu, por unanimidade, nesta quinta-feira manter a suspensão de 92 prefeitos e vices paulistas — cujas filiações estão sob suspeita — da lista de eleitores das prévias. A decisão é temporária e a participação desses políticos na disputa será analisada caso a caso por uma comissão especial, responsável pela organização das primárias.
O entendimento está em linha com o que dizia a resolução baixada pelo presidente do PSDB, Bruno Araújo, nesta quinta-feira.
A participação dos prefeitos foi impugnada pelo grupo do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que disputa a indicação do partido à presidência da República em 2022 com o governador João Doria.
Caso esses prefeitos e vices sejam considerados aptos a votar, eles não o farão mais pelas urnas eletronicas em 21 de novembro, quando haverá um evento do PSDB em Brasília.
Se validada, a participação desses mandatários como eleitores, o voto será feito por meio de um aplicativo de reconhecimeno facial. O mesmo dispositivo será usado para a votação de vereadores e militantes da sigla.
Doria é considerado favorito para vencer as primárias em razão do tamanho do colégio eleitoral de São Paulo, que equivale a 25% dos votantes. Nas últimas semanas, porém, Leite equilibrou a disputa com apoio de caciques do partido como Aécio Neves (PSDB-MG) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) e surgiram diversas denúncias apresentadas pelos diferentes lados envolvidos.
Segundo pessoas da Executiva do partido, que participaram da reunião, a votação foi por aclamação por sugestão do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), que é aliado de Doria — ele foi o único a participar da reunião no diretório nacional, em Brasília. Os outros integrantes participaram do encontro de forma remota.
O caso tem sido tratado por aliados de Doria como uma forma de cerceamento ao direito ao voto dos filiados de São Paulo.
As denúncias de fraudes vieram a tona na semana passada e partiram do grupo de Leite. A acusação é de que as filiações foram feitas fora do prazo estabelecido pela sigla, com o objetivo de inflar artificialmente o colégio eleitoral de São Paulo. Uma resolução define que somente filiados até 31 de maio podem participar das prévias.
Ao se manifestar nesta quinta-feira, o próprio presidente do PSDB diz ter participado de eventos de filiações em São Paulo após a data permitida pelas prévias, cujo prazo máximo é 31 de maio. “Isso é fato incontroverso”, diz Araújo na resolução interna do PSDB.
Aliados do gaúcho querem acelerar a processo para colocar um “ponto final” na questão da filiação dos 92 prefeitos o mais rápido possível. Segundo eles, o plano é que a Comissão das Prévias avalie voto a voto até terça-feira da semana que vem.
Eles temem que a equipe do Doria queira postergar e judicializar o caso, o que poderia abrir margem para a contestação das prévias depois.
Em nota, Marco Vinholi, que é presidente do diretório de São Paulo e aliado de primeira hora de Doria, ressalta a importância da garantia do direito a voto e da valorização da democracia interna no PSDB.
“É fundamental ressaltarmos a importância da garantia do direito a voto de todos os filiados e da valorização da democracia interna no PSDB. Que essa eleição possa se definir no voto, nunca no tapetão”, afirmou.
Vinholi tem rebatido as acusações da campanha de Leite. Ele argumenta que o partido acumulou filiações antes de 31 de maio, mas que só fez um evento simbólico para anunciar à imprensa em julho em razão da pandemia da Covid-19 e também por conta da sigla ter ficado fechada por 60 dias em luto após a morte do ex-prefeito Bruno Covas.
— Em 2020 nós fizemos 82 filiações de mandatários do PSDB. Em 2021, 108 filiações. Portanto, algo que é comum no partido em São Paulo. Um partido que cresce a cada ano, que se consolidou aqui em São Paulo, e que tem essas filiações como algo corriqueiro (…) O partido entrou em luto e ficamos 60 dias sem nenhum evento no partido. E no dia 14 de julho fizemos o anúncio das filiações — disse Vinholi nesta quinta-feira em coletiva à imprensa.