Justiça Militar condena a 14 anos sargento que transportou cocaína em avião da FAB
A Justiça Militar da União condenou nesta terça-feira (15) o sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues a 14 anos e 6 meses de prisão por tráfico internacional de drogas. Ele já se encontra encarcerado em Sevilha, na Espanha, onde foi sentenciado a uma pena de 6 anos de prisão e multa de 2 milhões de […]
15/02/2022 13h40, Atualizado há 689 meses
A Justiça Militar da União condenou nesta terça-feira (15) o sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues a 14 anos e 6 meses de prisão por tráfico internacional de drogas. Ele já se encontra encarcerado em Sevilha, na Espanha, onde foi sentenciado a uma pena de 6 anos de prisão e multa de 2 milhões de euros.
O militar acompanhou a sessão ocorrida em Brasília por meio de videoconferência. O seu advogado Thiago Seixas argumentou que ele deveria ser julgado com base no Código Penal Militar, cuja pena é mais baixa do que a previsto na Lei Antidrogas, de 1 a 5 anos, o que não foi atendido. Ele também pediu que o tempo de reclusão cumprido na Espanha seja descontado quando ele for transferido ao Brasil – este pleito foi acatado pelos julgadores.
Já o promotor do Ministério Público Militar Ednilson Pires acusou Rodrigues de cometer um “fato gravíssimo” que “transcende a área do nosso país e atinge outra nação”. Ele também destacou a “audácia” do militar ao transportar a droga em um avião oficial.
A condenação foi proferida de maneira unânime pelos cinco integrantes do Conselho da Justiça, que é formado por um juiz federal, um coronel e três capitães da Aeronáutica.
Rodrigues foi detido, em junho de 2019, transportando perto de 37 quilos de pasta base de cocaína em sua bagagem. Ele foi flagrado pelo raio x do aeroporto de Sevilha. O sargento viajava em um dos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) que integrava a comitiva do presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o mandatário estava indo para o Japão para participar da reunião do G20.
Na Espanha, a pena aplicada a ele, em fevereiro de 2020, foi menor, porque ele confessou o crime após fazer um acordo com a promotoria local. Segundo o militar, ele costumava transportar produtos comprados no exterior para revendê-los no Brasil. Na ocasião, no entanto, decidiu fazer o contrário ao servir de “mula” para o transporte da cocaína da América do Sul à Europa.
Com a prisão do sargento na Espanha, a Polícia Federal iniciou no Brasil uma operação, a Quinta Coluna, para apurar a existência de um esquema de tráfico internacional de drogas que cooptava militares da Aeronáutica para fazer o translado à Europa.