Guedes critica guerra e sanções e defende organizações multilaterais
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que guerras e sanções econômicas representam uma volta ao passado e defendeu a importância das instituições multilaterais para que seja mantido o grau de civilização alcançado pelo mundo. — Não podemos mergulhar no passado. No passado de guerras físicas, no passado de sanções econômicas, interrupção do […]
12/04/2022 16h09, Atualizado há 689 meses
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que guerras e sanções econômicas representam uma volta ao passado e defendeu a importância das instituições multilaterais para que seja mantido o grau de civilização alcançado pelo mundo.
— Não podemos mergulhar no passado. No passado de guerras físicas, no passado de sanções econômicas, interrupção do fluxo de comércio, interrupção de investimentos — disse o ministro.
Para Guedes, a invasão da Rússia pela Ucrânia e as dificuldades impostas pela inflação (segundo ele, causada pela interrupção dos fluxos globais por conta da pandemia) reforça a importância dos organismos globais e da entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
— Eu, como ministro da Economia do Brasil estou dizendo: o Brasil vai trabalhar sempre no sentido de reforçar os valores das instituições multilaterais, de abraçar, no caso específico agora, a OCDE. Vamos avançar em todas as frentes. Queremos o acesso à OCDE, queremos o acordo Mercosul-União Européia, para garantir a segurança alimentar e energética dessa grande comunidade de nações — disse.
O Mercosul fechou o acordo com a União Europeia, que ainda depende de aval dos parlamentos dos países.
Apesar das pressões de europeus e americanos, o Brasil não aderiu e nem planeja aderir às sanções contra a Rússia de Vladimir Putin, que o governo Jair Bolsonaro vem criticando nos seus votos nas Nações Unidas. Tanto no Conselho de Segurança — onde ocupa uma vaga rotativa por dois anos — quanto na Assembleia Geral, o Brasil tem votado pela condenação da invasão da Ucrânia, mas com posição crítica às sanções.
— Aumentou muito o risco geopolítico no mundo — disse Guedes, acrescentando: — Quando a economia mundial começa a se reestabelecer, começa uma guerra que atinge grãos, fertilizantes, petróleo, insumos básicos para a segurança energética e alimentar na região da OCDE, é um momento que não podemos exitar.
A entrada na OCDE é um desejo do governo Bolsonaro. O convite para o Brasil entrar no “clube dos países ricos” foi aprovado em janeiro, dando início a um lento processo que deve durar pelo menos dois anos.
Para ter sucesso, o Brasil vai precisar aderir uma série de instrumentos normativos e de obrigações impostas pela entidade, como a redução de desmatamento e medidas de mitigação de mudanças climáticas.
— O Brasil quer ter acesso à OCDE para reafirmar os seus valores, para reafirmar a sua crença ao multilateralismo, na importância das organizações multilaterais, para essa convergência de procedimentos e valores — disse.
As declarações de Guedes foram dadas em evento conjunto do Ministério da Economia e da OCDE que apresentou o novo sistema de preços de transferência para o Brasil, um conjunto de regras aplicadas a empresas multinacionais para transferirem bens a companhias associadas a elas.