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Governo troca mais uma vez o diretor-geral da Polícia Federal

O governo federal trocou mais uma vez o diretor-geral da Polícia Federal nesta sexta-feira. Uma portaria publicada em edição extra do Diário Oficial formalizou a dispensa de Paulo Maiurino do cargo, menos de um ano após ter assumido, em abril do ano passado, e nomeou para a função o delegado Márcio Nunes de Oliveira. A […]

Por O Diário
25/02/2022 18h31, Atualizado há 689 meses

O governo federal trocou mais uma vez o diretor-geral da Polícia Federal nesta sexta-feira. Uma portaria publicada em edição extra do Diário Oficial formalizou a dispensa de Paulo Maiurino do cargo, menos de um ano após ter assumido, em abril do ano passado, e nomeou para a função o delegado Márcio Nunes de Oliveira.

A troca foi atribuída, nos bastidores do Palácio do Planalto, a uma decisão do ministro da Justiça Anderson Torres. Ele consultou o presidente Jair Bolsonaro a respeito da mudança e obteve o aval para efetivá-la. Essa troca pegou de surpresa a cúpula da Polícia Federal.

Nas suas redes sociais, Anderson Torres anunciou que convidou Maiurino para assumir a função de secretário da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, o que foi visto nos bastidores como uma espécie de prêmio de consolação para sua saída do comando da PF.

Márcio Nunes era secretário-executivo de Torres no Ministério da Justiça, nome de sua confiança. A troca ocorre em um momento no qual investigações da Polícia Federal avançam sobre o presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. No início do mês, a PF chegou a imputar o crime de violação de sigilo funcional ao presidente pelo vazamento de documentos de uma investigação.

É a quarta troca feita pelo governo de Jair Bolsonaro no comando da PF. Depois da saída do delegado Maurício Valeixo, que era o nome de confiança do então ministro da Justiça Sergio Moro, o presidente nomeou em abril de 2020 o diretor da Agência Brasileira de Inteligência Alexandre Ramagem para o cargo. Mas essa nomeação foi barrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sob suspeita de desvio de finalidade. Então, o presidente acabou nomeando para o cargo o delegado Rolando Alexandre de Souza, que foi trocado em abril do ano passado por Maiurino.

 

Troca-troca permanente

O governo do presidente Jair Bolsonaro trocou o diretor-geral da Polícia Federal, em média, a cada doze meses, o que é uma das mais altas rotatividades no posto vista em comparação com os governos anteriores.
Essa rotatividade é criticada por representantes da corporação, que argumentam que isso impede o desenvolvimento de trabalhos de médio e longo prazo por parte da Polícia Federal, além de disseminar um sentimento de incerteza entre os seus integrantes.

O primeiro diretor-geral da PF na gestão de Bolsonaro foi Maurício Valeixo, nome de confiança do então ministro da Justiça Sergio Moro, que assumiu o posto no início do governo, em janeiro de 2019. Após intensas pressões de Bolsonaro para mudar o comando da PF e nomear ao posto alguém com quem tivesse mais proximidade, o presidente acabou exonerando Valeixo em abril de 2020, culminando no pedido de demissão do próprio Sergio Moro.

Na ocasião, Moro acusou Bolsonaro de querer obter informações privilegiadas de investigações em andamento contra aliados seus. Por isso, um inquérito foi aberto para apurar se houve crime na conduta do presidente. A apuração ainda não foi concluída.

Ao demitir Valeixo, Bolsonaro nomeou para o posto o diretor da Agência Brasileira de Inteligência Alexandre Ramagem. Mas sua posse foi barrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que apontou possível desvio de finalidade por causa da proximidade entre Ramagem e a família do presidente.

Com isso, o presidente acabou nomeando para o posto o delegado Rolando Alexandre de Souza, nome indicado pelo próprio Ramagem. Após uma mudança na equipe ministerial em abril do ano passado, Bolsonaro nomeou o delegado da PF Anderson Torres para o cargo de ministro da Justiça em abril do ano passado.

Com isso, Torres resolveu trocar o comando da PF e escolheu para o posto Paulo Maiurino, delegado que tinha bom trânsito no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ter atuado diretamente em auxílio a esses tribunais. Rolando, portanto, ficou doze meses à frente da corporação.

Com pouca experiência administrativa na PF, o nome de Maiurino foi recebido com estranheza na corporação, sob suspeitas de tentativas de interferência indevida.

Durante sua gestão, houve polêmicas envolvendo demissões e afastamento de delegados responsáveis por investigações sensíveis, que chegaram a ser apontadas como tentativas de interferência. A gestão de Maiurino, porém, sempre negou que essas trocas tivessem razões políticas. 

Mais recentemente, envolveu-se em outra polêmica: a PF divulgou uma nota para rebater declarações do ex-ministro da Justiça e pré-candidato à Presidência Sergio Moro de que a corporação havia diminuído o ritmo das investigações contra corrupção. A nota foi vista como um uso político da PF, já que a discussão estava no âmbito da campanha eleitoral.

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