Ex-ministro da Fazenda e sócio do BTG, Eduardo Guardia, morre aos 56 anos
Morreu nesta segunda-feira (11), aos 56 anos, o ex-ministro da Fazenda do Eduardo Guardia, que comandou a pasta durante o último ano do governo Michel Temer, em 2018. Além da carreira política, dirigiu a BM&FBovespa (atual B3) e, desde fevereiro de 2019, era sócio e presidente-executivo da gestora de investimentos BTG Pactual Asset Management. A […]
11/04/2022 15h39, Atualizado há 689 meses
Morreu nesta segunda-feira (11), aos 56 anos, o ex-ministro da Fazenda do Eduardo Guardia, que comandou a pasta durante o último ano do governo Michel Temer, em 2018. Além da carreira política, dirigiu a BM&FBovespa (atual B3) e, desde fevereiro de 2019, era sócio e presidente-executivo da gestora de investimentos BTG Pactual Asset Management.
A morte de Guardia foi confirmada pelo BTG. Guardia estava casado há quase 30 anos com a pedagoga Maria Lúcia e não tem filhos.
Guardia era tido por colegas como um profissional sério e rígido quanto ao controle de despesas. Ficou marcado na área política do governo Temer como um homem cuja palavra “não” era recorrente em seu vocabulário.
No governo do ex-presidente Michel Temer, em 2016, foi nomeado secretário-executivo da Fazenda, à época comandado por Henrique Meirelles. Em 2018, ainda sob a gestão de Temer, tornou-se Ministro da Fazenda. Permaneceu até o dia 1 de janeiro de 2019, quando Jair Bolsonaro assumiu como Presidente da República.
Como secretário-executivo da Fazenda, foi um dos responsáveis pela formulação do teto de gastos, a regra que trava os gastos federais e é considerada a principal âncora para as contas públicas.
Em entrevista ao GLOBO em agosto de 2018, Guardia fez uma defesa enfática da regra. Disse mais de uma vez que “o teto é crível, sustentável e eficiente” e argumentou que o foco da discussão fiscal tem que ser a necessidade de reequilibrar as contas públicas:
“O que me incomoda é que vocês erram o foco da discussão. O foco não é se o teto é sustentável ou não. É se o país é sustentável com um crescimento de despesa e com um déficit desse tamanho (2% do PIB)”.
Quando assumiu a vaga de Meirelles, Guardia fez questão de ressaltar em seu discurso o compromisso com a disciplina fiscal e com a agenda da produtividade e da eficiência, características que seus pares sempre elogiaram.
Entre os servidores do ministério, Guardia era respeitado pelo respeito à posição da área técnica.
Funcionários da Fazenda que trabalharam com Guardia contam que ele trabalhou como uma barreira, na pasta, contra interferências políticas e sempre defendeu as posições técnicas do ministério.
Como ministro da Fazenda, teve que ajudar na negociação entre o governo Temer e liderenças de caminhoneiros para encerrar a greve que parou o país em maio de 2018. Chegou a dar entrevistas coletivas na manhã de um feriado e num domingo depois das 21h para explicar medidas adotadas pelo governo.
Como secretário e ministro, conduziu as principais negociações entre o governo e a Petrobras em torno da revisão do contrato de cessão oneresa (que permitiu o governo Bolsonaro fazer um megaleilão de petróleo em 2019).
Mesmo indo com frequência a São Paulo, onde manteve residência e com a corrida rotina de ministro, Guardia ainda conseguia reservar algumas manhãs para praticar remo no Lago Paranoá.