‘Enquanto eu tiver vida vou defender teu nome’, diz namorada de suspeito morto pela PM
A namorada de um dos suspeitos mortos pela Polícia Militar na praia dos Garcez, na área de uma pousada de luxo em Jaguaripe (BA), usa seu perfil no Instagram para defender o rapaz que, segundo ela, trabalhava em sua loja de roupas em Feira de Santana e não tinha envolvimento com práticas criminosas. O perfil […]
15/04/2022 11h20, Atualizado há 689 meses
A namorada de um dos suspeitos mortos pela Polícia Militar na praia dos Garcez, na área de uma pousada de luxo em Jaguaripe (BA), usa seu perfil no Instagram para defender o rapaz que, segundo ela, trabalhava em sua loja de roupas em Feira de Santana e não tinha envolvimento com práticas criminosas. O perfil do estabelecimento de Laylla Cedraz possui mais de 300 mil seguidores, enquanto o pessoal dela ultrapassa 75 mil.
“Essa loja toda aí foi fruto de muito corre”, escreveu Laylla num post nos Stories em que mostra a fachada de seu empreendimento. “Pegamos dinheiro emprestado pra terminar quando acabou o nosso. Só Deus sabe das lutas que passamos. Nunca foi fruto de nada errado!”
Segundo Laylla, a rotina que ela seguia com Felipe Augusto Machado era acordar de manhã e ir trabalhar na loja, para depois voltar para onde moravam e descansar.
“Antigamente a loja ficava vazia sem roupas pq a gente não tinha muito dinheiro pra comprar, fomos abrindo mão de coisas e aumentando mercadoria! Felipe era inocente”, afirmou a jovem de 23 anos. “Tu se foi, mas eu vou te amar pra sempre. Enquanto eu tiver vida eu vou defender te nome”.
No entanto, de acordo com o tenente-coronel Edmundo Assemany, os dois homens mortos após confronto com a polícia eram considerados chefes do tráfico de drogas na região de Feira de Santana.
Laylla chegou a ser presa junto a uma amiga, identificada nas redes como Adrian Grace, na segunda-feira, quando houve a troca de tiros na praia, de acordo com a Polícia Militar da Bahia. Uma equipe do 14 º BPM informou ter recebido uma denúncia de dois homens armados na praia dos Garcez. A corporação disse que houve troca de tiros com os suspeitos, e depois encontrou um quilo de cocaína no carro em que as mulheres tentavam fugir. À ocasião, duas pistolas foram apreendidas e, em audiência de custódia, as duas mulheres foram liberadas.
Felipe respondia a um processo por porte ilegal de arma de fogo, iniciado pelo Ministério Público da Bahia em agosto de 2018. Ele chegou a ser preso em flagrante, mas conseguiu liberdade após defesa e pedido de habeas corpus. Laylla, ainda nas redes sociais, comentou que o namorado havia mudado, e levava uma nova vida ao seu lado.
“Desde o dia 5 de dezembro que Felipe largou tudo pra tá comigo na nossa loja, passamos por muitas dificuldades, mas ninguem viu. Independente do passado dele, ele mudou e quem tava ao redor dele sabia. Ele amava trabalhar, tava feliz demais. Te levaram de mim, mas tu vai tá sempre comigo”, despediu-se Laylla. “Hoje não tenho mais você, meu menino. Essa dor eu nunca pensei que eu ia sentir. Eu te amo, obrigada por tudo que você fez por mim, que daí você me dê forças porque aqui tá difícil”.
Por falta de provas, a Justiça determinou nesta quinta-feira, dia 13, o arquivamento do processo por homicídio em que um dos réus era Agnaldo, onhecido como Talisca, morto dois dias antes.
O caso em questão datava de 6 de dezembro de 2020, quando uma jovem foi baleada num bar pouco depois da meia-noite. Segundo a investigação, a vítima tinha um relacionamento amoroso com Erick Pereira Maciel, o Leca, que integraria uma quadrilha de traficantes, e ela teria recebido ameaças de morte. À época, o autor do disparo foi identificado como Carlos Santos Alves, o Carlinhos, que morreu durante o andamento do processo.
Agnaldo passou a ser investigado pelo homicídio a partir de uma acusação de que teria ajudado Carlinhos a fugir, com apoio de outro réu, Wesley Araújo Nascimento, o Latro. No entanto, não foram encontrados indícios suficientes de autoria ou participação contra nenhum dos dois, e o Tribunal de Justiça da Bahia determinou que o caso não irá a júri, a partir do pedido do Ministério Público pelo arquivamento do processo. Foi determinada a soltura de Wesley.
De acordo com os autos, as testemunhas que estavam no bar na hora do crime não souberam informar o envolvimento de Wesley e Agnaldo, nem a motivação e suas circunstâncias.
“Apenas o policial relatou que ouviu de testemunhas do envolvimento de Wesley e Agnaldo, que ambos estariam junto com Carlinhos no carro durante os fatos, mas não soube informar os nomes dessas testemunhas”, afirma trecho da decisão.