Bolsonaro intensifica negociações para se filiar ao PL de Valdemar Costa Neto
À procura de um partido há quase dois anos, o presidente Jair Bolsonaro intensificou as negociações com o PL, um dos pilares do centrão, presidido pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto. O próprio titular do Palácio do Planalto já tratou sobre seu possível ingresso na legenda com o cacique da sigla. Parte da cúpula do PL […]
22/10/2021 08h46, Atualizado há 688 meses
À procura de um partido há quase dois anos, o presidente Jair Bolsonaro intensificou as negociações com o PL, um dos pilares do centrão, presidido pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto. O próprio titular do Palácio do Planalto já tratou sobre seu possível ingresso na legenda com o cacique da sigla.
Parte da cúpula do PL discutiu o assunto durante um jantar, na última quarta-feira, no apartamento do senador Wellington Fagundes (PL-MT), com a deputada Bia Kicis (DF), nome de confiança do Palácio do Planalto. Além dela e do anfitrião, estavam presentes Valdemar Costa Neto — condenado no mensalão, ele depois foi beneficiado com um indulto —, a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda (DF), os senadores Jorginho Mello (SC) e Carlos Portinho (RJ), assim como o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (AM).
Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) confirma as conversas, mas deixa claro que seu pai continua dialogando com o PP, outra legenda do centrão, comandada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. O senador diz que a chance da ida de Bolsonaro é “animadora”.
Para ingressar no PL, o presidente Bolsonaro exige algumas condições que podem inviabilizar o entendimento. Uma delas seria levar consigo para o partido boa parte de seus aliados. Bolsonaro também estaria exigindo preferência para escolher os candidatos ao Senado e ao governo em estados-chave, como são os casos de São Paulo e Rio de Janeiro. Para Valdemar, segundo alguns aliados, o ingresso de Bolsonaro seria a oportunidade de fazer seu partido ganhar musculatura no Congresso , independente do resultado da disputa pela presidência. Para isso, estaria fazendo um cálculo: se a legenda eleger 45 deputados, o próximo presidente, seja ele quem for, terá de se sentar com o PL para negociar.
As exigências de Bolsonaro, no entanto, tiram de Valdemar o poder de negociação e escolha de candidatos em locais importantes. Em São Paulo, por exemplo, o PL já havia acertado uma aliança com o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), apoiado pelo governador João Doria (PSDB), um dos maiores inimigos políticos do titular do Palácio do Planalto. Ainda não há solução definida para a questão.
Há ainda alguns impasses à vista pelo histórico de Costa Neto ser um ex-aliado de Lula.
Para entrar no PL, Bolsonaro terá de recuar em alguns pontos de seus planos para se ajustar ao partido de Costa Neto, o que não é nada fácil. A principal exigência seria a de assumir o controle nacional do partido. O presidente, no entanto, já sinalizou para Valdemar que abriria mão do plano de comandar a sigla. Caso contrário,seria praticamente impossível o cacique aceitar o ingresso do presidente da República.