Blindado em comissão da Câmara, Braga Netto não fala de pandemia
O ministro da Defesa, general Braga Netto, fez uma participação relâmpago na audiência pública na qual foi convocado na Comissão de Seguridade Social e Família na manhã desta terça-feira. Chamado para falar sobre a crise de abastecimento de água com carros-pipa na região semiárida do Nordeste, trabalho conduzido pelo Exército, o ministro não respondeu a […]
19/10/2021 14h21, Atualizado há 688 meses
O ministro da Defesa, general Braga Netto, fez uma participação relâmpago na audiência pública na qual foi convocado na Comissão de Seguridade Social e Família na manhã desta terça-feira. Chamado para falar sobre a crise de abastecimento de água com carros-pipa na região semiárida do Nordeste, trabalho conduzido pelo Exército, o ministro não respondeu a questionamentos sobre sua atuação no combate à pandemia, quando esteve na chefia da Casa Civil. Sua pasta coordenou algumas ações referente ao Covid-19.
O deputado Jorge Solla (PT-BA), que é médico, estava interessado em obter respostas do ministro sobre a pandemia: o acusou de participar de decisões que evitaram a compra de vacinas, de apoiar protocolos médicos que prescreviam remédios ineficazes para o combate ao vírus e fez outros questionamentos.
— Existia essa cadeia de comando sobre a decisão da compra da vacina? O uso da cloroquina foi um de seus primeiros atos na Casa Civil, de alterar a bula. Isso se deu sob sua liderança? Qual a participação de Vossa Excelência nesse fato? Qual papel do senhor na indicação do general Pazuello para o Ministério da Saúde? — perguntou Solla.
— Sei que o senhor pode responder ou não, mas acho que é uma oportunidade para esclarecer, já que o nome do senhor é citado na CPI, que não o convocou — completou o petista.
O ministro, nas suas duas intervenções, nem tocou no assunto. Só tratou de carro-pipa.
Com o regimento em baixo do braço, o presidente da comissão, deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), lembrou que Braga Netto não era obrigado a responder às perguntas de Solla e que os parlamentares só deveriam interrogar o convocado sobre o tema definido previamente, no caso, o problema dos carros-pipas. O presidente do colegiado fez uma defesa enfática não só de Braga Netto, mas também de Pazuello e o presidente Jair Bolsonaro.
— Todo tempo que estou à frente da comissão externa que trata do combate à Covid falo da correção do trabalho dos generais Braga Netto e Pazuello. Jamais vi um ato de Pazuello que desabonasse sua conduta, tanto do ponto de vista ético e funcional. O via comprometido com as causas do país. Sei da integridade moral dele e o general Braga Netto. Todos nós enxergamos alguns caminhos, errando e acertando. Ninguém é senhor da verdade — disse Luizinho, que elogiou o presidente.
— Em nenhum momento vi o presidente Bolsonaro trabalhando contra o bom trâmite a pandemia. Pelo contrário, destinou recursos e apoiou todos os ministros da Saúde, seja qual for. Seja o Mandetta (Henrique Mandetta), o Teich (Nelson Teich), o Pazuello e Marcelo Queiroga. O presidente Bolsonaro é íntegro e nenhum momento trabalhou como genocida.
Deputados da base governista, casos de Osmar Terra (MDB-RS) e General Girão (PSL-RN) saíram em defesa do ministro e acusaram o petista de desviar o assunto da audiência.
Sobre o Programa Emergencial de Distribuição de Água, conhecido como Operação Carro-Pipa, Braga Netto reconheceu a dificuldade no orçamento para seguir com esse programa até o final do ano. Ele afirmou que, até agora, há recurso garantido para a distribuição de água no semi-árido do Nordeste até o final de outubro e garantiu que falta obter recursos para assegurar essa ação até o final do ano.
— O governo atua fortemente no Nordeste nessa região atingida historicamente pela escassez de água. Existe há 23 anos, com participação do Exército. Para o final de outubro e início de novembro, está garantido a entrega da água a população. Tentamos liberação de mais recursos para até o final do ano — disse Braga Netto, que falou duas vezes durante audiência e evitou responder às perguntas do deputado Jorge Solla.