Asfalto da Marginal Tietê cede e abre cratera ao lado de obra do Metrô em SP
Um desmoronamento no entorno de obras da Linha 6-Laranja do Metrô abriu uma cratera na Marginal Tietê no bairro da Freguesia do Ó, na Zona Norte de São Paulo. Ainda não há informações sobre feridos. O asfalto cedeu na área por volta de 9h da manhã desta terça-feira, antes da Ponte do Piqueri, no sentido […]
01/02/2022 12h35, Atualizado há 689 meses
Um desmoronamento no entorno de obras da Linha 6-Laranja do Metrô abriu uma cratera na Marginal Tietê no bairro da Freguesia do Ó, na Zona Norte de São Paulo. Ainda não há informações sobre feridos.
O asfalto cedeu na área por volta de 9h da manhã desta terça-feira, antes da Ponte do Piqueri, no sentido Ayrton Senna, segundo informações do G1.
O local da cratera fica ao lado de um poço cavado pelo chamado tatuzão, equipamento tunelador usado nas obras do Metrô. Todas as faixas da pista local da marginal foram interditadas.
Há um grande vazamento de água no local: a cratera foi inundada. De acordo com a Secretaria de Transportes Metropolitanos, uma adutora ou tubulação de esgoto foi rompida.
O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado para um acidente na linha Laranja do Metrô. Segundo a corporação, a escavação feita por um “tatuzão” atingiu algum rio ou adutora, o que fez com que o túnel escavado se inundasse.
De acordo com os bombeiros, todos os trabalhadores conseguiram sair e dois que tiveram contato com a água contaminada foram socorridos por precaução.
Em janeiro de 2007, sete pessoas morreram após uma cratera abrir nas obras da Estação Pinheiros, da Linha 4-Amarela do Metrô, na Zona Oeste de São Paulo.
O acidente forçou 212 pessoas a deixarem suas casas – 94 imóveis do entorno tiveram de ser interditados e sete acabaram demolidos.
Na época, o Instituto de Criminalística (IC) apurou que um dia antes do acidente haviam sido identificadas anormalidades no terreno.
O relatório do Instituto Pesquisas Tecnológicas (IPT) apontou que o projeto previa a escavação do túnel sem pressão de água, mas a investigação identificou a presença de uma coluna de água no terreno, o que contribuiu para a instabilidade das paredes.
Abertura de via
O governador de São Paulo, João Dória, afirmou nesta manhã que está pedindo a técnicos que reavaliem a possibilidade de reabrir o trecho da via ao lado de onde apareceu uma cratera nesta manhã na capital.
“Na manhã de hoje ocorreu um desmoronamento em parte da obra da Linha 6 do Metrô, que interditou trecho da Marginal Tietê”, escreveu o Dória no Twitter, destacando que “não há registro de vítimas.”
Segundo o governador, autoridades já estão trabalhando no caso.
“Determinei apuração imediata das causas e elaboração de plano da concessionária responsável pela obra, junto à prefeitura da capital, para normalização do tráfego da Marginal rapidamente. E que as obras possam ser reiniciadas, com segurança, o mais breve possível.”, disse.
A cratera surgiu num perímetro onde asfalto cedeu na área por volta de 9h da manhã desta terça-feira, antes da Ponte do Piqueri, no sentido da rodovia Ayrton Senna. Todas as faixas da pista local da marginal foram interditadas.
Lembranças de 2007
Em 2007, outro acidente durante as obras de expansão do metrô de São Paulo atingiu outra via importante, a Marginal Pinheiros, na Zona Oeste da capital. O desmoronamento aconteceu nos trabalhos de construção da Linha 4 (Amarela), abrindo uma cratera de 80 metros de diâmetro às margens da avenida, uma das principais da cidade. No local, estava sendo construída a Estação Pinheiros. Sete pessoas morreram soterradas.
O caso aconteceu no dia 12 de janeiro daquele ano. Uma van, que passava pelo local no momento do acidente, foi engolida durante o afundamento. Passados anos, ninguém foi punido pelo desastre. Em novembro de 2016, quase dez anos depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a absolvição das 12 pessoas que tinham sido denunciadas por falhas na condução das obras. Eram engenheiros, funcionários do metrô ou de empreiteiras.
O Ministério Público alegou no processo que “as falhas originárias do projeto e da execução da obra, aliadas à desconsideração do quadro de instabilidade do canteiro, com o consequente avanço das escavações e o aumento do ritmo e da velocidade das denotações, levaram ao desmoronamento do túnel, com a morte de sete vítimas’.Os promotores também disseram que as mortes poderiam ter sido evitadas se o entorno do local “tivesse sido interditado para o trânsito de pedestres e de veículos logo após os primeiros sinais de risco iminente de ruptura”.
Impacto
Moradores de São Paulo entraram em pânico logo após o acidente que abriu uma cratera nas obras da Linha Laranja do metrô e, nas redes sociais, apelavam para que a população não saísse de casa porque as pistas da Marginal Tietê estavam interditadas, deixando o trânsito parado. Muitos também manifestavam temor de um desmoronamento da via, que foi atingida pelo acidente – provavelmente durante a operação do tatuzão.
“Se possível não saia de casa hoje pois a Marginal está totalmente parada por conta de obras do metrô que deram errado e acertaram uma adutora da Sabesp. Há perigo de desabamento das pistas”, diz Octavio Almeida em seu perfil no Twitter.
“Foi um caos quando São Paulo ficou umas semanas sem um pedaço da Marginal Pinheiros que afundou um metro. Pensa sem essas três pistas da Marginal Tietê que ‘tão’ carcomidas por baixo’, alerta Joleana.
Muitos aproveitaram para criticar o governador João Doria, dizendo que as obras estavam sendo feitas em ritmo muito intenso. “O trânsito vai ficar complicado com essa parada da Marginal Tietê. A gente que lute em São Paulo”, falou outro internauta.