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Sem transporte, mães de Taiaçupeba relatam dramas a caminho da escola

Elas relatam que, além de caminhar por trajetos difíceis sob sol e chuva, precisam lidar com encontros com animais perigosos e com a falta de estrutura da região

Por Fabricio Mello
05/03/2024 11h16, Atualizado há 31 meses

Alunos precisavam passar por trechos sem estrutura para ir até a escola | Reprodução

Trajetos difíceis, encontros com animais perigosos e falta de estrutura: esses são os relatos dos moradores de Taiaçupeba, distrito rural de Mogi das Cruzes, que precisam contar com os próprios meios para levar seus filhos até a escola. Eles se queixam da interrupção do serviço de transporte escolar, mas a Secretaria de Educação informa que os alunos não atendem aos requisitos da legislação. Veja vídeo abaixo.

Nos relatos encaminhados pelas mães e responsáveis dos alunos ao O Diário, elas contam que, desde que o transporte escolar foi suspenso por causa de uma revisão no serviço, as dificuldades passaram a fazer parte do dia a dia.

Por se tratar de um distrito rural, a grande maioria das estradas utilizadas pelos moradores – que fazem o percurso a pé – é de terra. 

“Tem épocas que está chovendo e a gente, que é adulto, não consegue passar do portão de casa, que dirá uma criança de 6 ou 7 anos,” relata Leiciclecia Pereira, que é mãe de duas crianças matriculadas na escola.

Além de terem que enfrentar o sol e a chuva, existem queixas de mães que encontraram animais selvagens no caminho para a escola. “Eu moro em área rural. O trajeto, da minha casa até a escola, é só estrada de terra e esses bichos aparecem lá”, conta Kelly Araújo, que já precisou usar um pedaço de pau para se defender de uma cobra.

O Diário trouxe, há uma semana, os relatos das mães dos alunos da Escola Municipal Rural Professora Eunice de Almeida. O serviço de transporte escolar passou por uma revisão no início do mês e alguns alunos tiveram o acesso revogado.

Segundo a Secretaria de Educação, a revisão se deu em um processo para adequar o serviço aos termos da Lei Municipal  nº. 7.410/2018 que, em seu artigo 4º, determina que o transporte escolar seja fornecido para alunos que morem a mais de 2 quilômetros da unidade escolar mais próxima ou em zonas rurais e situações de difícil acesso.

“É injusto. Tiraram o transporte da gente por conta de 100, 200 metros. Algumas crianças conseguem pegar a van e outras não,” lamenta Leiciclecia, que precisa enfrentar trajetos como os mostrados por essa reportagem.

A redação do O Diário solicitou um novo posicionamento da prefeitura em relação às queixas dos moradores de Taiaçupeba. Segue a nota recebida pela equipe:

“A Secretaria informa que foi verificada a situação do atendimento do transporte escolar em Taiaçupeba com base na Lei Municipal nº. 7.410/2018, que estabelece os critérios para atendimento do transporte escolar municipal. 

A legislação determina que o transporte deva ser concedido a alunos que morem em “zona rural ou área de difícil acesso e que residam a uma distância mínima de 2 (dois) quilômetros entre sua residência e a unidade escolar mais próxima”. Conforme verificação da Divisão de Transporte Escolar, os alunos não atendem aos critérios da lei municipal.

De acordo com o endereço informado na matrícula, os quatro alunos que aparecem no vídeo indo para a escola moram a um quilômetro da unidade escolar, considerando que metade do percurso é em área particular, onde fica o sítio onde eles residem. Sendo assim, o percurso até a unidade escolar é de 500 metros.

Sobre os nomes encaminhados por e-mail, conforme o endereço informado na matrícula (Unnamed Road, Mogi das Cruzes – SP, Brasil – Taiaçupeba, Mogi das Cruzes – SP) e geomapeamento feito pela escola, a distância entre a residência dos alunos e a unidade escolar é de 1,3 quilômetros. Considerando o endereço informado pela mãe ao jornal, os alunos estão a 1,2 quilômetros da EM Profª Cecília de Souza Lima Vianna, unidade escolar que pode atender os estudantes.”

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