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Vem aí ‘Miragem’, o novo álbum de Valéria Custódio

“Miragem” tanto pode ser um “efeito óptico que ocorre nas horas mais quentes”, quando a “reflexão da luz solar cria uma imagem semelhante a um lago azul, onde por vezes se refletem imagens” como também metáfora para aquilo “que se apresenta como algo muito bom, mas que não é verdadeiro”, como um sonho. Que os […]

Por O Diário
12/02/2022 10h34, Atualizado há 688 meses

“Miragem” tanto pode ser um “efeito óptico que ocorre nas horas mais quentes”, quando a “reflexão da luz solar cria uma imagem semelhante a um lago azul, onde por vezes se refletem imagens” como também metáfora para aquilo “que se apresenta como algo muito bom, mas que não é verdadeiro”, como um sonho. Que os dicionários adicionem mais um significado então. ‘Miragem’ é o nome do novo álbum da cantora mogiana Valéria Custódio, vencedora do edital do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC).

Enquanto ‘Púrpura’, o primeiro disco da artista, de 2018, teve como inspiração Nina Simone, Lauryn Hill, Chico Buarque e o livro ‘A Cor Púrpura’, da escritora Alice Walker, agora as referências são outras. Coincidentemente a principal delas ainda é um tom de roxo, ‘Lilás’, o disco de Djavan lançado em 1984.

Aliás, foi ‘Miragem’, canção deste trabalho onde Djavan esbanja conceitos abstratos e líricos,  que deu nome ao novo projeto de Valéria. Outra inspiração é o álbum ‘Promise’ (1985), com muito jazz, soul e blues, da cantora e compositora Sade.

Mais uma vez, a produção musical da mogiana terá como base a música popular, trazendo influências ricas da cultura africana e suas contribuições inestimáveis para a cultura no Brasil. Mas não se engane: é um projeto essencialmente diferente de seu irmão mais velho, no qual é ligado pela “forma verdadeira, autoconhecimento, pureza e honestidade” em que Valéria se entrega. 

Serão dez faixas autorais, que mais do que entreter, propõem reflexão a partir de homenagem a personalidades negras históricas, como Filipa Maria Aranha, Teresa de Benguela, Martin Luther King, Malcom X e atuais, como Gabriele Leite, Djamila Ribeiro e Jean –Michel Basquiat. 

Todos estes nomes “foram determinantes na luta pelos direitos civis e pela visibilidade do povo negro dentro de diversos setores da sociedade, seja no segmento artístico ou em outra área de atuação”, justifica a artista.

Até aqui, Valéria vinha trabalhando em formato de banda. Mas agora o momento pede algo diferente, ela diz. Por isso a execução de ‘Miragem’ se dá com uma base de voz, violão e guitarra. A percussão é leve, e conta com participações especiais de instrumentistas e compositores que juntos, “formarão uma obra coletiva buscando aproximar o trabalho de artistas negros e artistas mulheres de um público diverso e plural”.

As novas composições autorais abordam temas semelhantes aos vistos em ‘Púrpura’, mas com um olhar mais maduro. “Falo sobre intolerância religiosa, racismo, sobre enaltecer a questão das mulheres, que são temas que já trago faz um tempo, mas hoje tenho também outras questões que preciso falar, como reconexão, encontro, autoconhecimento, raízes, diversidade, verdade e coletividade. É um projeto íntimo onde busquei durante dois anos pandêmicos me conhecer e me ver sem máscaras e sem vaidade, uma tarefa e um estudo que não foi fácil, e não está sendo fácil”, adianta a cantora.

Assim como Harry Styles, que lançou o álbum ‘Fine Line’ em 2019 e ainda hoje continua sendo o artista mais lucrativo da Sony Music a partir deste trabalho, Valéria poderia seguir cantando ‘Púrpura’, que não dá sinais de enfraquecimento. Mas algo a chamou, a provocou e a instigou a criar.

“Eu canto o ‘Miragem’ pois ele veio até mim, eu canto as canções desse disco porque preciso, porque as pessoas merecem a arte, a cultura e as referências que ele quer mostrar. Eu canto porque ele é de verdade em um mundo que parece insistir em assassinar e condenar duas vias de sensação e sentimento, o amor e a verdade. Canto o ‘Miragem’ porque ele é todo o amor e verdade que nesse momento eu quero emanar para o mundo, e farei isso da forma que mais conheço e consigo ser ouvida, cantando”, explica ela

 

Destino: o mundo

A partir do disco ‘Púrpura’, Valéria Custódio participou do festival internacional Ethno Brazil, , foi contemplada pelo Prêmio Funarte Respirarte, lançou um mini-documentário com recursos da Lei Aldir Blanc, esteve no Festival Reconecta, do Rio de Janeiro, tocou também em São Paulo, , Minas Gerais e Rio Grande do Sul, se tornou produtora e apresentadora e foi ouvida em pelo menos oito países, com grande público na Alemanha. Isso sem contar que a música ‘Flores Pretas’ foi premiada no 6º Festival da Canção de Mogi das Cruzes, e que outras faixas do disco viraram trilha sonora de documentários. Em resumo, o CD ganhou vida própria.

“Fico feliz de ter tido um primeiro projeto de forma totalmente independente até chegar onde ele chegou, até me dar condição de leva-lo com mais dignidade, trabalhar com pessoas em uma forma muito mais profissional. E ele me ensinou muito. Acho que hoje em dia piso muito mais firme, e com base muito mais sólida dentro desse universo da música independente, projetando uma carreira, porque eu fiz o ‘Púrpura’, passei por ele”, avalia ela.

Quatro anos depois, o que vem por aí, com o novo trabalho, ‘Miragem’? “Meu desejo é cumprir as etapas do edital do ProAC e depois encaminhar para conseguir rodar, ver outras miragens por aí. Minha intenção não é ficar no Brasil. É tentar crescer, em rede, streaming, plataforma, entrevistas, em destaque, tudo o que um disco pode ter. Porque ele merece”. 
No início de 2021, quando O Diário mostrou que “valia a pena ficar de olho em Valéria Custódio”, a cantora já falava em uma turnê pela Europa. Agora, com um pacote de canções mais maduras, ela espera ir além. O mundo parece ser pequeno para a mogiana.

O lançamento deve acontecer no segundo semestre, em um show híbrido entre agosto e setembro. Depois disso, deve chegar a diferentes estados do País, e o que mais a estrada permitir.

“É um disco de verdade porque é a minha verdade. O principal tema é sobre essa verdade e esse amor que a sociedade está querendo aniquilar, está querendo matar. Ele traz muitas metáforas, e espero que ele siga exemplo do irmão e cresça, se expanda, tenha coragem para ganhar o mundo”, finaliza Valéria Custódio

 

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